Brasil precisa criar estratégia focada em enfrentar avanço da China, propõe economista

por giovanna publicado 21/01/2011 18h53, última modificação 21/01/2011 18h53
São Paulo – Fernando Sampaio, da LCA Consultores, sugere medidas como maior integração técnica com vizinhos da América Latina e desoneração tributária.
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Diante do crescente avanço chinês tanto sobre o mercado interno brasileiro quanto sobre mercados externos em que o Brasil tradicionalmente tem presença, é necessário que o País crie uma estratégia focada especificamente no enfrentamento do gigante asiático, sugere Fernando Sampaio, sócio-diretor da LCA Consultores. Segundo ele, a falta dessa ação e de um relacionamento mais próximo com o parceiro enfraquece a capacidade de negociação bilateral.

“Enquanto o Brasil não tem uma estratégia para a China, ela já tem uma para a América Latina”, lamentou Sampaio, que participou do comitê de Comércio Exterior da Amcham-São Paulo nesta sexta-feira (21/01).

Na avaliação do economista, a estratégia deveria contemplar, por exemplo, um reforço da integração de normas técnicas em mercados tradicionais de manufaturados na América Latina, eliminando a necessidade de diferenciações na produção conforme o destino e garantindo ganhos de escala e produtividade. Deveria, também, prever desoneração tributária, melhoras em termos de infraestrutura logística e promoção de inovação tecnológica de bens acabados, um assunto essencial para a competitividade em médio e longo prazos.

Parceria sino-brasileira

As trocas comerciais do Brasil com a China vêm aumentando muito nos últimos. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior revelam que a partir de 2009 o gigante asiático se tornou o maior destino das exportações brasileiras, à frente até mesmo de nosso parceiro mais tradicional, os Estados Unidos.

Em 2009, o País vendeu US$ 21 bilhões à China e comprou US$ 16 bilhões, acumulando um superávit de US$ 5,1 bilhões. No mesmo período, exportou US$ 15,6 bilhões para os Estados Unidos e importou US$ 20 bilhões, perfazendo um déficit de US$ 4,4 bilhões.

Em 2010, o superávit brasileiro em relação à China subiu um pouco, para US$ 5,2 bilhões, mas a corrente de comércio aumento expressivamente, somando US$ 57 bilhões (contra pouco menos de US$ 32 bilhões em 2009), sendo com exportações de US$ 31 bilhões e importações de US$ 26 bilhões.

O saldo comercial favorável ao Brasil vem sobretudo da venda de commodities, mas as compras brasileiras de itens chineses de maior valor agregado, como bens de capital e de consumo, têm aumentado em um ritmo maior, o que pode indicar a reversão do resultado em um horizonte não muito distante. “É impossível ignorar a velocidade do avanço chinês no campo econômico”, observou Sampaio.

Câmbio

A recuperação da economia americana, os esforços do Banco Central e a queda das commodities devem segurar uma apreciação mais forte do Real em 2011, prevê Fernando Sampaio. “O valor do dólar aumentará na medida em que os Estados Unidos confirmem sua recuperação em níveis acima dos da Europa”, disse.

O sócio da LCA Consultores revelou, durante o encontro na Amcham, algumas das projeções da LCA para 2011. No cenário-base da consultoria, o dólar fechará 2011 cotado a R$ 1,75 versus R$ 1,69 em 2010.

Estímulos fiscais vêm promovendo a recuperação do consumo e da produção nos Estados Unidos. Além disso, a China tem adotado medidas para conter a atividade econômica e controlar a inflação e, com isso, seu apetite por commodities tende a diminuir.

No mercado interno, Sampaio lembrou ainda a sinalização do Banco Central de que fará todas as intervenções necessárias para conter uma escalada maior do dólar.

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