Burocracia excessiva e logística inadequada encarecem preço das exportações brasileiras

por andre_inohara — publicado 17/04/2012 18h52, última modificação 17/04/2012 18h52
São Paulo – Exportadores brasileiros tentam diminuir custos internos de produção com ganho de eficiência.

A competitividade dos produtos brasileiros é alta até a saída da fábrica, mas ela se perde no caminho da distribuição, quando encontra uma série de obstáculos logísticos e burocráticos até os terminais de exportação.

Essa ineficiência estrutural é incluída nos preços para o mercado externo, tornando o artigo brasileiro mais caro e, consequentemente, muitas vezes preterido por opções internacionais mais acessíveis.

“O exportador acaba pagando pela inoperância de alguns setores (logísticos) que sobrecarregam o produto brasileiro além do necessário”, disse Silvio Montes, professor da Escola de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“E ele fica fora da concorrência em função desses altos custos”, acrescenta, durante o comitê de Comércio Exterior da Amcham-São Paulo ocorrido nesta terça-feira (17/04). O custo Brasil, termo dado aos fatores estruturais como excesso de burocracia e falta de infraestrutura que minam os investimentos estrangeiros e a competitividade nacional, é alto e onera as exportações.

A saída que muitos exportadores procuram é o aumento da eficiência interna, para neutralizar parte desse custo, observa Montes. “A maior parte do que o empresariado faz é vender a prazo no mercado externo e reduzir os custos de produção no Brasil, para ser competitivo.”

O tortuoso corredor de exportação

Os preços de exportação seguem a fórmula clássica de adição do custo total, despesas de exportação e lucro, subtraído de tributos a recuperar. Com a ineficiência estrutural, a variável custos é sempre a mais difícil de calcular, segundo Montes. “As interferências burocráticas e de transporte acabam criando custos muito intensos.”

Quando os produtos brasileiros finalmente chegam aos terminais portuários e aeroportuários, enfrentam escalas confusas dos operadores logísticos, comenta o professor. “Muitas vezes as companhias aéreas não disponibilizam os melhores aviões e não é raro uma carga acabar fracionada e exportada com demora maior que o normal”, explica.

A elevada burocracia também depõe contra a competitividade. “No Brasil, a liberação de cerca de 95% a 99% da carga só ocorre em horário comercial. Se ela chegar na sexta-feira para despacho, tem que esperar até segunda-feira para ser direcionada a um terminal alfandegário”, conta o professor.

Esse tipo de operação vai contra a tendência mundial de manter portos e aeroportos de carga funcionado 24 horas por dia, durante sete dias da semana.

Case da Bombril

A fabricante de artigos de limpeza Bombril procura ajustar suas margens de lucro conforme os mercados internacionais que atende, como África e América Central. “As margens são adequadas aos mercados que queremos atingir”, disse Maria Regina Coelho Shibata Cohen, gerente de Exportação da Bombril.

“Não estamos falando em commodities, mas de produtos acabados de consumo massivo”, comenta Maria Regina. As exportações da Bombril vão desde esponjas de aço a produtos de limpeza.

 

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