Cargill: investimentos em portos no Norte do País são muito necessários

por daniela publicado 27/05/2011 10h22, última modificação 27/05/2011 10h22
Daniela Rocha
São Paulo - Esses projetos podem desafogar os terminais do Sudeste e ampliar a competitividade do País, diz o presidente da companhia no Brasil, Marcelo Martins.
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O presidente da Cargill no Brasil, Marcelo Martins, defende que investimentos nos portos do Norte do País são fundamentais para reduzir as distâncias entre a produção agrícola e os mercados internacionais de destino, aliviando a movimentação nos terminais do Sudeste, que atualmente estão muito sobrecarregados. Segundo ele, os órgãos governamentais e reguladores devem agir com mais velocidade para viabilizar a participação da iniciativa privada nesses projetos.

A Cargill está no Brasil há 46 anos e tem grande foco nas atividades agrícolas, sendo a principal exportadora de soja do País. Dentre seus produtos no varejo, destacam-se os óleos Liza e Mazola e o molho de tomate Pomarola. Hoje presente em 18 estados, a empresa emprega cerca de oito mil funcionários. No ano passado, a companhia teve um faturamento de R$ 15 bilhões e movimentou 14 milhões de toneladas de cargas.

Marcelo Martins participou nesta quinta-feira (26/05) no Café de Comércio Exterior, na sede da Amcham-São Paulo e concedeu a seguinte entrevista:

Amcham: Quais os principais clientes internacionais da Cargill?
Marcelo Martins:
Isso depende muito de cada segmento em que atuamos. A China é, sem dúvida nenhuma, uma grande cliente, a maior parceira dos produtos da Cargill, principalmente de soja e óleo de soja, mas também atendemos muitos países da Europa, do Oriente Médio e da América Latina. Nosso portfólio é bastante diversificado.

Amcham: A empresa estuda trabalhar com novos destinos?
Marcelo Martins:
Os destinos vão se atualizando, especialmente quando ocorrem alterações do cenário mundial de alguma indústria. Por exemplo, problemas que existiram com a produção de cacau na costa africana acabaram abrindo oportunidades de novos destinos para nós, isso é muito dinâmico. Mas, de maneira geral, esses grandes blocos que citei continuam sendo nossos grandes destinos.

Amcham: O Brasil tem a oportunidade de ser um grande abastecedor de alimentos globalmente, mas enfrenta hoje gargalo infraestrutura. O que pode ser feito?
Marcelo Martins:
Na nossa visão especificamente, temos uma série de investimentos a serem viabilizados em portos e no acessos - ferrovias, rodovias e hidrovias. Para escoamento das commodities agrícolas, os portos do Norte têm um papel muito importante não só porque encurtam as distâncias entre a produção e os portos, portanto, aos destinos finais, mas também porque poderão desafogar os portos do Sudeste, que hoje estão bastante sobrecarregados. São necessários investimentos em portos no Norte e Nordeste, com mais oportunidades no Norte porque, embora a costa do Nordeste tenha grandes áreas produtoras, a produção do Centro-Oeste (mais próximo do Norte) é a mais representativa.

Amcham: Como está sendo viabilizada a participação da iniciativa privada nesses portos no Norte?
Marcelo Martins:
Os projetos começam com definição de questões regulatórias de como esses portos serão explorados, os planos diretores e, depois, os processos de licenciamentos e licitações. Todas essas etapas passam por questões ambientais e de viabilização operacional e exigem uma série de medidas que devem ser feitas de maneira orquestrada.

Amcham: Mas quanto tempo leva até a implementação? Especialistas no evento da Amcham destacaram entre seis e dez anos...
Marcelo Martins:
Esperamos que seja cada vez menos demorado porque isso será importante para darmos espaço para a continuidade do nosso crescimento econômico. Mas, em algumas experiências que temos, constatamos que pode ser bastante demorado, bastante complexo. Esperamos que as autoridades governamentais e regulatórias possam dar velocidade a isso.

Amcham: O que pode ser feito no curto prazo?
Marcelo Martins:
No curto prazo, é preciso dar celeridade aos projetos que já estão encaminhados para que os investimentos possam acontecer, quer seja em novos terminais ou ampliação dos já existentes.


Amcham: A iniciativa privada ressaltou que, além da infraestrutura, outro desafio para a maior competitividade do País está na redução da burocracia. O sr. nota avanços nesse tema, a maior aproximação dos órgãos intervenientes do comércio exterior?
Marcelo Martins:
Temos no Brasil experiências que são verdadeiros exemplos de excelência onde isso acontece de maneira produtiva, transparente; porém, temos outros casos, onde as coisas são morosas, os prazos são longos e há impacto negativo direto nas atividades econômicas.

Amcham: Na sua avaliação, há disposição do governo Dilma Rousseff para alterar esse cenário?
Marcelo Martins:
De maneira geral, sim. Acho que as autoridades governamentais têm uma certa comprreensão disso. O governo pensa no desenvolvimento econômico do País e nos gargalos que temos de enfrentar hoje. Mas é claro que, entre essa visão geral e a execução, muitas vezes, essa praticidade e velocidade se perdem.

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