Com ações comerciais no Carnaval e grandes eventos, Brasil aumenta exportações e constrói imagem consistente de país de negócios

por andre_inohara — publicado 19/02/2013 17h04, última modificação 19/02/2013 17h04
São Paulo – Projeto Carnaval, da ApexBrasil, deve ser responsável por gerar R$ 1,3 bilhão em exportações. Outras ações da agência têm como foco Fórmula Indy e Copa das Confederações.
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Além da diversão proporcionada aos visitantes, o Carnaval está se transformando em importante vitrine internacional para negócios.

O Projeto Carnaval, iniciativa da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), atraiu 338 compradores, jornalistas e investidores internacionais interessados em conhecer o portfólio de produtos e serviços de 100 empresas brasileiras. O programa aconteceu durante a semana em que ocorreu a maior festa popular do mundo.

Os bons resultados colhidos encorajam o governo a prosseguir com a política de promoção comercial aliada a grandes eventos. Segundo a ApexBrasil, o movimento de negócios deve gerar cerca de US$ 1,3 bilhão em exportações, acima dos US$ 951 milhões de 2012.

“Repetiremos os programas na Copa do Mundo e nas Olimpíadas também”, adianta Regina Silverio, diretora de Gestão e Planejamento da ApexBrasil. Neste ano, as próximas iniciativas ocorrerão durante a Copa das Confederações e a etapa brasileira da Fórmula Indy, detalha Regina, que participou do comitê de Comércio Exterior da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (19/02).

Veja aqui quais são as vantagens de ser sócio da Amcham

Em 2009, ano em que a competição automobilística chegou ao País, as exportações geradas pela ação vinculada a ela foram de US$ 340 milhões. Três anos depois, em 2012, o volume de negócios quase triplicou e chegou a US$ 1,1 bilhão.

Regina disse que os grandes eventos são plataformas diferenciadas de promoção dos produtos e serviços brasileiros. “Selecionamos os compradores potenciais com as entidades de classe [ligadas à exportação] e os trazemos para conhecerem empresas brasileiras in loco”, conta ela.

Os estrangeiros chegam com uma agenda de negócios previamente definida e fazem reunião geral na ApexBrasil. “Em encontros específicos com as empresas, eles vão visitar as plantas e é aí que começam a entender que tipo de tecnologia existe, quanto e o que pode ser produzido e fornecido.”

Uma das grandes vantagens desse tipo de programa é estreitar relacionamento. “Quando o empresário brasileiro vai ao exterior, faz matchmaking e conversa com a empresa, mas nem sempre o tempo é suficiente para mostrar exatamente o que são a companhia, o Brasil, o produto e o serviço”, comenta a diretora da ApexBrasil.

Mas não é apenas para negócios que os grandes eventos servem. “Terminada a agenda de negócios [do Projeto Carnaval], os participantes foram para a Marquês de Sapucaí ver a festa. Tivemos compradores que até desfilaram nas escolas de samba. É um prêmio para que nunca se esqueçam do Brasil”, observa.

Essa lógica se repetirá em todos os eventos programados para este ano, mesclando negócios e diversão, uma mescla que caiu no gosto dos visitantes. “Os compradores saem com impressão positiva do Brasil”, assegura Regina.

Estratégias de promoção comercial pelo mundo

Junto com o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), a Apex-Brasil dá prosseguimento à Estratégia Nacional de Exportações, plano que envolve o estreitamento de relações comerciais com 33 países chave.

Divididos em cinco categorias, esses países representam mercados potenciais ou já explorados. Os potenciais são economias em crescimento e foram classificados em três categorias (Conhecimento, Prospecção e Desenvolvimento). Elas incluem países como Coreia do Sul, Turquia, Egito, China, África do Sul e Rússia.

Entre os explorados (Consolidação e Monitoramento), a preocupação é ampliar as trocas comerciais. Nessa categoria estão economias dinâmicas da América Latina, como México, Chile, Colômbia e Peru. Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Japão e outras nações ricas fazem parte desse grupo.

Os Estados Unidos são um mercado importante, e a Apex recebeu a diretriz de aprofundar a promoção bilateral de investimentos em setores estratégicos. Em 2012, foram realizadas 186 ações comerciais no mercado americano, incluindo missões, feiras de negócios e eventos de capacitação.

Esse volume representa 13,3% das 1400 ações comerciais ocorridas no mundo inteiro no ano passado. Na estimativa da ApexBrasil de janeiro, há a expectativa de 875 missões para 2013 ao redor do mundo, sendo 155 nos EUA – correspondendo a 17,7% do total. “O número de projetos deve crescer ao longo do ano. Para os EUA, haverá expansão”, reforça Regina.

MRE se une a outros departamentos para incentivar promoção comercial

No Ministério das Relações Exteriores (MRE), a ordem é realizar ações conjuntas com outros departamentos responsáveis pelo fomento ao comércio exterior.

“Temos uma verba de R$ 14 milhões para a promoção comercial ao redor do mundo. É pouco para fazer tudo, por isso organizamos eventos em parceria com a ApexBrasil, MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e MDIC”, conta Carlos Henrique Moscardo de Souza, chefe da Divisão de Programas de Promoção Comercial do MRE.

A Amcham é um dos parceiros do MRE. O conteúdo dos guias da Amcham voltados a investidores estrangeiros, a série How to Do Business in Brazil, também pode ser baixado na página eletrônica do MRE, o BrasilGlobalNet. Através do portal, os interessados têm acesso a um banco de dados de empresas estrangeiras e mercados para produtos brasileiros.

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