Comércio com os Estados Unidos é prioridade para o Brasil, diz secretário do MDIC

publicado 04/03/2016 16h00, última modificação 04/03/2016 16h00
São Paulo – Daniel Godinho ressalta parceria da Amcham para medidas de impacto junto aos EUA
daniel-godinho-4855.html

O comércio exterior brasileiro passa por um “momento feliz” não apenas pelo câmbio atual, que favorece as exportações, mas em consequência de uma série de avanços em convergência regulatória com outros países e de facilitação. Essa é a avaliação de Daniel Godinho, secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), que esteve nesta sexta-feira (04/03) na Amcham – São Paulo, no comitê de Comércio Exterior.

Boa parte dessas ações, frisa o número um da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), aproximou Brasil e Estados Unidos, prioridade para o comércio brasileiro. “Após muitos anos, decidimos dar foco pragmático para essa relação bilateral. Por muito tempo, Brasil e Estados Unidos discutiram forma e não conteúdo. Então adotamos a estratégia de building blocks: estamos construindo etapas para depois tentarmos algo maior”, comenta, em alusão a um futuro acordo comercial.

Uma questão chave para destravar a relação foi levantar os reais entraves para a exportação brasileira rumo aos Estados Unidos. “Descobrimos que o grande gargalo estava longe de ser o tarifário, mas era o regulatório. A parceria com a Amcham foi fundamental para identificarmos essa barreira junto aos empresários, porque essa é uma barreira oculta”, destaca.

Como consequência do acordo de facilitação com os EUA, há a mudança nos testes de certificação de porcelanato, para que a cerâmica nacional entre no mercado americano. O governo brasileiro trouxe laboratórios americanos de certificação para que o processo seja mais rápido e barato, pago em reais. “Antes, era tudo enviado para os Estados Unidos e pago em dólares”, exemplifica Godinho. “O setor têxtil também já está trabalhando neste sentido também, o que mostra que (o avanço) é possível para todos os setores”, diz.

Outro efeito foi desenvolver o portal único para exportação e importação, reunindo num único ambiente virtual os 22 entes federais envolvidos no comércio exterior. em vez de fazer cada um dos processos junto aos órgãos, o operador os realiza de uma única vez, reduzindo burocracia e tempo. “Com o portal, nós organizamos a casa dando um acesso único aos operadores, redesenhando fluxos e eliminando etapas”, afirma.

Para esse projeto, também houve troca de informações entre os governos brasileiro e americano na construção do portal. “Estados Unidos são, sem dúvida, nossa prioridade. Nossa estratégia programática ajudou a destravar as relações e agora a ideia é ampliá-las, e a Amcham pode nos ajudar a identificar como”, ressalta.

Parceria com Amcham

Além de participar de ações no entorno do encontro dos presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama, no ano passado, em Washington, a Amcham vem colaborando junto ao MDIC e ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos na convergência entre os dois países, especialmente na área regulatória. Entre os resultados, estão a realização e disseminação do portal único e do Operador Econômico Autorizado (leia mais aqui) no Brasil.

“Fortalecer o comércio exterior é uma das principais pautas da Amcham, o que está ligado ao fortalecimento da economia brasileira”, declara Deborah Vieitas, CEO da Amcham.

Acordos comerciais

Godinho acrescenta que outro pilar de destaque do Plano nacional de Exportações, lançado em 2015, são os acordos comerciais. “Não tem como não fazer acordos. Há, no mundo, cada vez mais arranjos preferenciais. Temos que fazê-los fora da nossa região e também ampliar os temas dos acordos”, pontua.

Ele lembra que o país vem fechando acordos de investimento em países em que as empresas brasileiras operam, como México, Colômbia, Chile e Angola, entre outros.

Segundo o secretário, o país está a poucos passos de concretizar a troca de ofertas com a União Europeia.  “Estamos esperando os europeus sinalizarem quando. Isso vai mudar tudo, incluindo os temas, e vai abrir um grande mercado para o Brasil”, conclui.

 

registrado em: