Comércio bilateral entre Brasil e EUA atinge a pior marca em 11 anos - e acreditamos que 2021 será melhor

publicado 21/01/2021 12h15, última modificação 21/01/2021 12h15
Brasil - Intercâmbio comercial entre países caiu 23,8% em relação ao último ano
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Em 2020, o intercâmbio comercial entre Brasil e Estados Unidos registrou a pior marca em 11 anos - o menor resultado desde a crise financeira de 2009. O valor das trocas foi de U$ 45,6 bilhões, uma queda de 23,8% em relação a 2019.

Esses dados exclusivos são do nosso ‘Monitor do Comércio Brasil-Estados Unidos’’, reunindo dados e análises da balança comercial entre os dois países. Acesse o documento completo aqui.

 

MENOS EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES

Tanto as exportações quanto as importações sofreram grande impacto em 2020. As exportações brasileiras para os EUA caíram 27,8% em um ano e, em termos absolutos, os americanos foram o parceiro mais afetado entre todos os destinos de exportação do Brasil. Em relação às importações de produtos americanos, a queda foi de 19,8% em relação a 2019, somando US$ 24,1 bilhões. 

“O comércio entre Brasil e Estados Unidos é formado sobretudo por produtos de maior valor agregado, os mais afetados pela crise mundial. Os efeitos negativos provocados pela pandemia e a queda do preço internacional do petróleo ajudam a entender a contração das trocas bilaterais em 2020”, contextualiza Abrão Neto, nosso vice-presidente executivo. Os Estados Unidos são hoje o segundo principal parceiro comercial brasileiro, com participação de 12,4%, atrás da China (28,4%). 

Segundo dados oficiais dos EUA até novembro de 2020, o Brasil foi o 17º principal parceiro comercial de bens. A taxa de queda das trocas com o Brasil foi a segunda maior, com -22,6%, ficando atrás apenas da França -26,9%.

 

POR QUE ACREDITAMOS QUE 2021 SERÁ MELHOR?

Apesar dos resultados, acreditamos que há motivos para que 2021 seja um ano melhor. “O desempenho do comércio bilateral mostrou maior resiliência na crise atual que na anterior. Em 2009, as trocas bilaterais encolheram 55%, mais que o dobro de 2020. Além disso, o comércio já iniciou recuperação gradual, com desaceleração da contração nos últimos trimestres de 2020”, explica Abrão. O último trimestre de 2020 registrou a menor taxa de contração das exportações brasileiras para os EUA no ano (-16,9%), apontando para uma trajetória de recuperação em 2021. 

Com o avanço da vacinação e a retomada mais forte das atividades econômicas nos EUA, nossa expectativa é de que as exportações brasileiras para os americanos sejam impulsionadas ao longo de 2021. As projeções de órgãos internacionais também apontam um ano mais próspero para a economia: segundo o FMI, a economia norte-americana deve crescer 3,1% neste ano. Para o comércio internacional, a OMC estima um crescimento de 7,2%.

Outra mudança importante em vista é o câmbio. No ano passado, o real foi a moeda que mais se desvalorizou entre os países emergentes (-22,4%). A projeção do Bacen é que a taxa média de câmbio seja em torno de R$ 5,00, mais apreciada do que a média de 2020 (R$ 5,15). A possível valorização do real, e expectativa do FMI de crescimento de 2,8% da economia brasileira devem levar a aumentos nos níveis de importação do País, inclusive originárias dos EUA.