Comércio com Cuba, Irã e Argentina abre oportunidade para venda de manufaturados

publicado 01/04/2016 15h03, última modificação 01/04/2016 15h03
São Paulo – Histórico de bom relacionamento do Brasil facilita a abertura de negócios
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Para o investidor brasileiro, a recente abertura política e econômica de Cuba, Irã e Argentina representa a oportunidade de aumentar a presença comercial nesses mercados, pois oferecem acesso a regiões estratégicas adjacentes, demanda por manufaturados e integração de cadeias produtivas. Essa é a opinião de Fernando Teixeira, gerente geral da Emporium Cigars, Darcy Itibere Neto, diretor internacional da Câmara de Comércio e Indústria Brasil – Irã e Alberto Alzueta, presidente da Câmara de Comércio Argentino Brasileira de São Paulo, no comitê de Comércio Exterior da Amcham – São Paulo na sexta-feira (1/4).

“É uma oportunidade de ouro. A partir do momento que você instala sua empresa em Cuba ou até investe em uma área como infraestrutura, vai ter a possibilidade de atingir o mercado americano”, afirma Teixeira. O executivo que trabalha em uma importadora de charutos cubanos conta que assim que a possibilidade de fim do embargo americano foi anunciado, com a abertura de embaixadas, o ministro de Comércio Exterior de Cuba veio ao Brasil para apresentar oportunidades de parceria a investidores brasileiros

Na ocasião, as áreas de infraestrutura, alimentos e biotecnologia foram mencionadas. “O governo quer fazer parcerias privadas para receber aportes de tecnologia, capital e capacidade exportadora. Nesse caso, montar plataformas para exportar e gerar divisas”, disse Teixeira.

Teixeira faz negócios na ilha desde a década de 1990, quando atuava pela Souza Cruz. Para ele, o relacionamento de longa data com Cuba é um trunfo competitivo. “O ministro cubano disse que, no momento, a preferência será por aqueles que têm história de parceria em momentos difíceis. E o Brasil esteve presente nessas ocasiões.”

Preferência pelos brasileiros

A tradição de bom relacionamento comercial com o Irã também foi um diferencial competitivo mencionado por Itiberê Neto. Embora os produtos brasileiros tenham perdido espaço para a China, o dirigente não vê isso como um problema incontornável.

“Com a desvalorização cambial e conhecimento de produto brasileiro, a porta está muito aberta e temos a preferência. Eles preferem o produto brasileiro ao chinês, podem até pagar mais caro por ele. Mas a China tem preço e financiamento, o que acaba formando uma barreira natural que nos prejudica”, assinala.

Em 2015, o total de exportações brasileiras ao Irã somou 1,67 bilhão de dólares, montante que Itiberê acredita que possa triplicar até 2019 principalmente devido ao fim das sanções econômicas ao país. As commodities agrícolas e autopeças são os principais produtos vendidos. Isso favorece a atuação de empresas de pequeno e médio porte desses setores. “Exceto petróleo, o Irã importa tudo e o Brasil segue como o principal fornecedor de alimentos.”

Além disso, o Irã é um dos principais países da Comunidade do Golfo Pérsico (PGCC, na sigla em inglês), grupo de nações da Ásia Central com cerca de 300 milhões de habitantes – só o Irã tem 80 milhões de habitantes. Para ele, um setor promissor é o de tecnologia. “Há uma população jovem numerosa que demanda inovações”, afirma Itiberê.

Na Argentina, a mudança de governo abriu o país ao comércio internacional em função de medidas mais favoráveis ao mercado, de acordo com Alzueta. Para ele, esse é o momento de aproveitar para estreitar a parceria entre os dois países e integrar cadeias produtivas.

 

“Se estou produzindo uma peça de carro, posso levá-la para um equipamento agrícola do lado argentino e vice-versa. Já estamos fazendo isso na área de produtos agrícolas de irrigação”, comenta. O setor de calçados é outro que poderia se beneficiar. “A Argentina tem qualidade superior no tratamento de couro, mas o Brasil tem custos, know-how e escala melhores para determinados tipos de calçados. Se houvesse complementação da indústria de calçados dos dois países, poderíamos ter um produto com a marca Mercosul”, exemplifica.

Confecção, química e farmacêutica também são setores que se beneficiariam de uma parceria produtiva mais estreita, de acordo com Alzueta. “Os ganhos de escala, confiança e credibilidade seriam enormes.”

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