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Como o conflito na Ucrânia impacta a economia brasileira? Entenda!

publicado 27/05/2022 14h40, última modificação 27/05/2022 14h40
Conflito na Ucrânia: como pode impactar os investimentos realizados pelos brasileiros? Saiba mais!
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Em 24 de fevereiro de 2022, a Rússia deu início a uma invasão na Ucrânia que já se estende por meses. Apesar do conflito entre os vizinhos, por hora, estar restrito à participação militar apenas das duas nações, essa é uma guerra que tem causado impactos econômicos em muitos outros países, incluindo o Brasil.

Entenda melhor o cenário econômico mundial e como o conflito na Ucrânia impacta a economia brasileira. 

Cenário econômico da Ucrânia e Rússia em 2022

O conflito na Ucrânia, de acordo com as expectativas do Banco Mundial, fará a economia do país encolher quase 45% em 2022. Os motivos que levam a essa queda são o fechamento das empresas, que não conseguem operar durante a guerra, e o corte de 90% na exportação de grãos.

A Rússia, por sua vez, deve enfrentar uma queda de 11,2%, segundo o mesmo relatório. O país governado por Vladimir Putin está com as transações financeiras bloqueadas pelos Estados Unidos, dificultando o pagamento de uma dívida de US$ 649 milhões. No entanto, não são apenas Rússia e Ucrânia que enfrentam dificuldades, já que o Brasil e o mundo também são impactados pelo conflito.

Quais as mudanças geopolíticas trazidas pelo conflito na Ucrânia?

A guerra na Ucrânia resultou em uma aliança entre Rússia e China, o que afeta as configurações geopolíticas e econômicas do mundo. Por exemplo, há quase 50 anos a Rússia é o maior exportador de gás natural do mundo e fornece abastecimento pra toda Europa, em especial a Alemanha, que é dependente do fornecimento russo.

Se o gasoduto entre Alemanha e Rússia for embargado como consequência desse conflito, os alemães podem entrar em uma grave crise energética. E, com isso, Moscou estará livre para oferecer gás natural para a China por um preço menor, ampliando o acordo comercial entre russos e chineses, o que, por sua vez, poderia resultar em uma alta da economia chinesa perante o globo.

Qual o papel do Brasil nesse cenário?

Nesse cenário, o Brasil vem adotando um papel de nação cautelosa. O país segue em busca de um posicionamento que esteja de acordo com a comunidade internacional, ao mesmo tempo em que evita prejudicar seus interesses particulares, sobretudo econômicos, com os países em guerra.

Manter-se neutro não deve gerar um problema diplomático com a Rússia, mas as consequências do conflito ainda podem impactar acordos comerciais futuros ou investimentos estrangeiros, dependendo do desfecho.

Um exemplo é o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Se o Brasil realmente optar por permanecer no papel de país neutro, a posição pode se transformar em um argumento na hora dos europeus declinarem os tratados com nosso país, prejudicando até mesmo as relações comerciais com os Estados Unidos

Qual o impacto do conflito na Ucrânia na taxa de crescimento brasileira?

A Ucrânia é um país com a economia parecida com a do Brasil, baseada na exportação agrícola, principalmente de soja, milho e minério de ferro. Como a produção desses insumos está reduzindo em função do conflito, a exportação brasileira desses produtos tende a valorizar, aumentando os lucros do agronegócio.

Entretanto, se o conflito na Ucrânia tiver longa duração, a atividade econômica dos países da Europa, que dependem do gás natural fornecido pela Rússia, será afetada negativamente. Com isso, as exportações brasileiras entrarão em queda.

Mas não é só isso que preocupa os especialistas. A grande inquietação e temor é em relação ao aumento da inflação, influenciada pela alta do preço do barril de petróleo e dos alimentos, além da queda de investimentos em nosso país. 

Mais de 30,5% das exportações de fertilizantes potássicos são da Rússia e Bielorrússia, enquanto o Brasil é o maior importador mundial de fertilizantes, ficando atrás dos Estados Unidos, China e Índia. Sendo assim, mais da metade dos produtos russos adquiridos pelo Brasil são esses tipos de fertilizantes. O conflito na Ucrânia está prejudicando a oferta de tais mercadorias.

As chances de o Brasil não conseguir substituir os fornecedores a tempo do plantio do segundo semestre são grandes. Como resultado, a safra pode ser reduzida e o preço aumentado. 

Por outro lado, as exportações brasileiras podem ser impactadas positivamente no mercado de trigo. Ao lado da Ucrânia e da Rússia, o Brasil é um dos grandes exportadores de milho do mundo. Há uma chance de o nosso país se beneficiar da escassez da oferta do cereal, aumentando seus lucros.

Qual o impacto do conflito na Ucrânia nas taxas de juros no Brasil e no mundo?

Mesmo com a guerra, a Taxa Selic ultrapassou os 10%, elevando os investimentos estrangeiros no Brasil, o que fez o dólar ficar abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez desde junho de 2021.

Quando a taxa de juros está alta, o país se torna atraente para investidores estrangeiros. Por outro lado, o conflito na Ucrânia também diminui a entrada de dólares no Brasil. A desvalorização do real, por sua vez, deixa a inflação mais alta.

Quais investimentos se tornam melhores e piores com o conflito?

A duração do conflito na Ucrânia é incerta, o que tem se refletido na queda das ações globais, títulos do Tesouro americano e criptomoedas, como Bitcoin e Ethereum. Além disso, o conflito torna os preços do ouro, dólar, commodities de energia e agrícolas mais altos, além de investimentos de renda fixa brasileiros dependentes da inflação e da taxa do CDI.

Por isso, o conselho é agir com calma, correndo para longe de ações e títulos de dívida ligados ao varejo, companhias aéreas, empresas do setor imobiliário e outros setores que são diretamente influenciados pela variação do dólar.

Qual a relação do conflito com a inflação mundial e como mitigar os riscos?

O conflito na Ucrânia deve afetar não apenas os países em guerra ou o Brasil, já que a tendência é que o crescimento econômico global seja impactado negativamente.

Como o mundo ainda está em fase de recuperação de uma pandemia e a inflação já estava em crescimento, um conflito armado com consequências econômicas e geopolíticas deixa o mundo todo em alerta. Além das vidas perdidas, há o risco de enfrentarmos um aumento generalizado em energia e alimentos a depender do caminhar das relações entre Rússia e Ucrânia entre si e com o mundo.

Proteger-se das consequências é uma tarefa complicada, pois, vai não é tão simples tomar medidas tão rápidas para amenizar as consequências. O que pode ser feito, então, é proteger os investimentos individuais. O ideal é que toda carteira de renda variável tenha ativos de proteção, que valorizam em cenários como o que estamos vivendo.

Ouro e dólar costumam ser apontados como bons investimentos, no entanto, quem não tem essas opções em carteira, agora não é hora de investir nelas. Mais uma vez, a palavra de ordem é paciência e aprendizado.

O conflito na Ucrânia nos ensina que precisamos estar preparados para enfrentar cenários de incerteza econômica. Inteligência, proteção e estratégia frente aos investimentos para poder enfrentar esses momentos acabam sendo as escolhas ideais, sempre.

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