Comunidades precisam cuidar do legado da Copa e dos Jogos, defende representante do governo dos EUA

por marcel_gugoni — publicado 28/11/2012 16h59, última modificação 28/11/2012 16h59
São Paulo – Reta Jo Lewis afirma que, para além dos estádios e dos centros de treinamento, os brasileiros devem manter os investimentos em educação e em emprego.
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O principal esforço do Brasil diante da Copa do Mundo (2014) e dos Jogos Olímpicos (2016) deve ser aproveitar o legado que os dois eventos internacionais vão deixar à sociedade. Além dos estádios e dos centros de treinamento, os brasileiros devem focar em manter investimentos em educação e emprego.

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É isso o que prega a representante especial de Assuntos Intragovernamentais Globais dos Estados Unidos, Reta Jo Lewis, que participou de reunião do comitê aberto de Viagens e Mobilidade Corporativa da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (27/11). Para ela, o Brasil tem que evitar que “depois que os eventos passarem, tudo volte a ser o que era antes”.

A americana, que se reporta à secretária Hillary Clinton, citou o caso dos Jogos de Atlanta (1996) e da Copa de 1994, realizados nos EUA, como exemplo do resultado de impulso econômico que a infraestrutura e o turismo podem dar a um país. “O legado da Copa e dos Jogos é algo que precisa estar na cabeça de todos para que os cidadãos possam aproveitar a oportunidade econômica e educacional.”

Reta integra uma comitiva de agentes do governo americano, empresários de várias áreas e representantes de organizações civis ligadas ao esporte e ao entretenimento que visitou algumas das obras da Copa.

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Ela comenta que é cada vez mais comum encontrar empresas estrangeiras interessadas em investir no Brasil, especialmente considerando os megaeventos esportivos. Para alavancar esse potencial, aconselha que se deve passar uma imagem consistente do Brasil.

Outra recomendação é observar a viabilidade econômica de inserção das cidades brasileiras nos Jogos Olímpicos e na Copa, para que população local possa comprar os ingressos e participar. Além disso, Reta ressalta a importância da qualificação dos brasileiros para receber estrangeiros.

Cooperação

Reta Jo Lewis lembra que “temos pouco mais de 18 meses [até a Copa] e esse tempo passa rápido”. Parcerias e cooperação com os EUA podem ser um caminho para potencializar o esforço em torno das necessidades para os dois eventos, afirma ela. “Queremos manter a colaboração e o apoio ao memorando de entendimento que os dois países assinaram sobre os dois eventos”, reforça.

No começo de 2011, os governos da presidente Dilma Rousseff e do presidente Barack Obama assinaram um memorando de entendimento mútuo referente à organização dos megaeventos esportivos. O documento reforça o interesse de empresas americanas de investir e apoiar o Brasil em áreas que vão de infraestrutura e turismo a produção cultural e entretenimento.

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O memorando prevê também que haja qualificação de comunidades de baixa renda por meio de programas de ensino de inglês. “É importantíssimo poder trabalhar com empresários e conectar os empreendedores americanos e brasileiros para continuar a gerar mecanismos que possam espalhar as oportunidades de negócios e colaboração, que são inúmeras”, diz ela.

“Uma das principais coisas que temos entre os dois países é a parceria bilateral, voltada a assuntos como o desenvolvimento econômico. É um importante mecanismo de apoio. Vemos oportunidades para setores como o de viagens e turismo, troca de tecnologias e compartilhamento de melhores práticas”, destaca a representante americana.

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“O Brasil está fazendo um ótimo trabalho [para realizar a Copa e os Jogos] e os dois países vêm trabalhando em cooperação, seja em negócios, educação ou união de líderes, e isso será um grande caminho para ampliarmos e estimularmos nossos relacionamentos.”

Vistos dos EUA

Dennis Hankins, cônsul-geral do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo, também participou do encontro e ressaltou que o turismo e a facilitação de viagens é um dos temas na ordem do dia do governo americano com o Brasil.

“Sabemos que o número [de viagens de negócios de brasileiros aos EUA] dobrou nos últimos dois anos, enquanto a quantidade de turistas [a lazer] se manteve”, disse ele. Iniciativas como a diminuição no tempo de concessão de vistos e a ampliação dos postos de atendimento no Brasil ajudam a melhorar o cenário, analisa o diplomata.

“Queremos que os brasileiros visitem outros lugares além de Miami, Orlando e Nova York. Há outras localidades lindas nos EUA”, ressaltou. Segundo o cônsul, há grande possibilidade de o intercâmbio avançar ainda mais quando “acabarem os requisitos de vistos para viagens de ambos os lados”.

Esse movimento, segundo Hankins, eliminaria o custo do visto, que ainda afasta um bom número de turistas para os EUA.

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“Queremos que mais brasileiros gastem mais dinheiro nos EUA, mas queremos que os americanos também venham ao Brasil para entender que o País tem metade da economia da América do Sul, com muita cultura, muita música e uma indústria forte com muito a oferecer.”

Segundo o cônsul, o diálogo para o fim de vistos “está em progresso”. “Temos conversado com o governo brasileiro e a taxa de recusa de vistos a brasileiros é de 5%. Essa é a linha que o Congresso já estabeleceu para não requisitar visto, mas ainda há preocupações com segurança. Também adoraríamos que os americanos viessem ao Brasil sem visto. Queremos muito que isso aconteça e o diálogo está aberto.”

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