Déficit em transações correntes no primeiro semestre é o maior da história em valores absolutos

publicado 25/07/2013 11h06, última modificação 25/07/2013 11h06
São Paulo – Resultado negativo ficou acima de 3% do PIB apenas três vezes, em onze anos
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As remessas de lucros e as importações de insumos e máquinas contribuíram para que o Brasil acumulasse o maior déficit em transações correntes de sua história, em valores absolutos. De acordo com o Banco Central, o déficit em transações correntes do Brasil está acumulado em US$ 43,5 bilhões no primeiro semestre, o que configura uma alta de US$ 18,2 bilhões – ou 72% – em relação aos US$ 25,2 bilhões do primeiro semestre do ano passado.

Algumas contas contribuíram fortemente para o desempenho negativo. No primeiro semestre, os lucros e dividendos enviados ao exterior apresentaram crescimento de US$ 4,12 bilhões em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, as despesas com viagens de brasileiros ao exterior aumentaram US$ 1,62 bilhão em relação a 2012.

A balança comercial registrou saldo negativo de US$ 3,09 bilhões. Trata-se de uma reversão de trajetória, se comparada ao superávit de US$ 7,06 bilhões d o mesmo período de 2012.

O resultado foi influenciado principalmente pelas compras de produtos químicos cujas importações aumentaram em US$ 2,5 bilhões, máquinas e equipamentos de transportes com elevação de US$ 2,37 bilhões e combustíveis, que apresentaram uma elevação de US$ 1,4 bilhão em sua importação.

A soma das contas de Lucros e Dividendos, Viagens e Balança Comercial totaliza um déficit de US$ 15,9 bilhões, ou 87% de toda a diferença entre o déficit acumulado dos seis primeiros meses de 2013 e o mesmo período do ano passado.

Déficit em relação ao PIB é o segundo maior desde julho de 2002

O déficit de conta corrente acumulado nos 12 meses findos em junho foi de 3,17% do PIB. Desde 2002, foi o terceiro mês seguido que o déficit passa de 3%. Em maio havia sido de 3,20% e em abril, 3,07%.

A última vez que o déficit foi superior a 3% do PIB foi em julho de 2002, quando o País experimentou uma sequencia de 52 meses consecutivos com saldos negativos acima de 3% do PIB. Ou seja, de abril de 1998 a julho de 2002 o Brasil conviveu com déficits abaixo deste nível, chegando a alcançar a variação negativa recorde de 4,83% em agosto de 1999.

Nos 12 meses terminados em junho, o déficit acumulado é de US$ 72,5 bilhões. Para efeito de comparação, caso o recorde negativo de agosto de 1999 fosse igualado, o saldo atual acumulado em 12 meses deveria ser de US$ 110,2 bilhões. Isso representa um montante de 52% acima do rombo atual. 

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