Desafio da América Latina é oferecer confiança para atrair investimentos estrangeiros

publicado 27/07/2018 17h47, última modificação 30/07/2018 16h19
São Paulo – Ambiente sustentável de negócios é “dever de casa”, observa Leandro Santos (VP da Flex)

Antes de pensar nos efeitos que uma guerra comercial entre Estados Unidos e China traria para a América Latina, o Brasil e a região deveriam trabalhar localmente nas condições necessárias para atrair investidores, assinala Leandro Santos, vice-presidente e gerente geral da Flex Brazil.

“O grande desafio é criar confiança para o ambiente de negócios onde o investimento será colocado, e que ele será sustentável. E é muito mais um dever de casa, do que uma discussão de como o mundo vai se comportar em termos econômicos”, observa, no fórum ‘As Novas dimensões do Comércio Global: Fim do sistema multilateral?’ da Amcham-São Paulo, na quarta-feira (25/7).

Também participaram da discussão o embaixador Roberto Teixeira da Costa, conselheiro do CEBRI (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), Ingo Plöger, presidente do IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional e presidente do CEAL (Conselho Empresarial da América Latina) no Brasil, e Carlos Olivera Santa Cruz, presidente da Bemis para a América Latina. Denilde Oliveira Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM-SP, foi a moderadora do painel.

Para Santos, existe vontade de investir por parte dos estrangeiros. Os aportes não são maiores por causa de problemas já conhecidos, como a insegurança jurídica, instabilidade político-econômica e falta de infraestrutura.

O executivo cita o caso de sua empresa, que investiu 25 milhões de dólares há dois anos em uma fábrica de painéis solares no Brasil. O projeto não foi concluído em função da mudança de regras no meio do caminho. “O governo mudou as regras do leilão de energia solar e esse investimento hoje está paralisado”, lamenta.

A indefinição não é exclusividade do Brasil, continua Santos. “Vejo o mesmo comportamento em muitos países na América Latina. É por isso que o nosso dever é criar um ambiente previsível, seja para o Brasil, México ou Argentina, que são as grandes economias latinas, e que podem participar de cadeias de fornecimento mais longas”, afirma.

A insegurança jurídica é o grande desafio da América Latina, de acordo com Santa Cruz, da Bemis. “Não são países para amadores”, lamenta o executivo. Para ele, a região tem que priorizar três pilares de desenvolvimento: governança corporativa, sustentabilidade ambiental e inclusão social.

Mais integração

O dever de casa da América Latina inclui esforços de integração regional, na opinião de Teixeira da Costa e Plöger. “Temos que ser mais abertos. À exceção do México, os demais países são muito fechados ao comércio. Dado o precário crescimento da região, precisamos incentivar a integração regional”, disse Teixeira da Costa.

Plöger sugere integrações estratégicas na região e cita o desenvolvimento da bioeconomia – modelo econômico baseado em sustentabilidade. “A bioeconomia é uma das dez megatendências para os próximos anos. Em alguns setores, não estamos tão mal em relação ao mundo desenvolvido. Se soubermos fazer, teremos condição de aproveitar as oportunidades”, argumenta.