Documentação inadequada é a principal causa de retenção de alimentos brasileiros nos EUA

publicado 12/08/2013 17h06, última modificação 12/08/2013 17h06
São Paulo – Falta de etiquetas de identificação e de documentos obrigatórios somam 47% das incidências
seminario-sobre-as-novas-leis-de-seguranca-alimentar-dos-eua-5117.html

A falta de documentação adequada dos alimentos brasileiros foi a principal causa de retenção nas alfândegas americanas. “Parece uma coisa boba, mas se fizermos uma análise das causas de detenção de produtos do Brasil e da América Latina, a falta de etiqueta adequada está entre os três principais motivos”, disse Juliana Almeida, especialista em comércio agrícola do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Por meio de videoconferência, a especialista participou do seminário 'Novas Regras de Segurança Alimentar nos EUA' na Amcham-São Paulo na sexta-feira (9/8).

No período de 2002 a 2011, a falta de documentação somou 47% dos casos. A falta de etiquetas adequadas de identificação impediu a entrada de alimentos brasileiros nos EUA em 28% dos casos, enquanto que a ausência de outros documentos obrigatórios foi a terceira causa apontada, com 19% das incidências. O mau estado de conservação dos produtos foi o segundo grande fator de retenção de alimentos para consumo humano, com 21% do total.

“Se analisarmos em custos, o que demanda investimentos financeiros é a adequação da fábrica para evitar o mau estado de conservação dos produtos. Com a etiquetagem não é necessário fazer investimentos, basta ler a guia de etiqueta do FDA”, comenta ela.

No site do BID, também é possível baixar os manuais de procedimentos do FDA em inglês e espanhol, acrescenta Juliana. Como o órgão americano vai aumentar o rigor na fiscalização e certificação de alimentos no mercado americano, as empresas brasileiras se sentirão mais motivadas para se adequar as normas e seguir dois manuais importantes, o BPM (Boas Práticas de Manufatura) e o HACCP (sigla em inglês para Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle). “São dois conceitos importantes de produção, e serão cada vez mais cobrados pelo FDA”, comenta a especialista.

Os principais produtos retidos

Ainda de acordo com a especialista, os principais produtos retidos nas alfândegas americanas foram os frutos do mar (camarão e lagosta, com 35% do total), frutas frescas e em conserva (15%) e confeitaria (doces e chocolates, 12%), muito em função do mau estado de conservação dos produtos.

“As empresas precisam ter muita atenção ao longo da cadeia produtiva, e fazer com a maior higiene possível”, disse Juliana. Na reunião, a diretora assistente para o Escritório da América Latina de Programas Internacionais da FDA, Ana Maria Osorio, disse que as empresas terão que apresentar documentos de que a produção está sendo feita conforme os mais altos padrões de segurança alimentar.

Café e milho foram os alimentos mais comprados pelos EUA

As exportações de alimentos para os EUA somaram US$ 1,38 bilhão no primeiro semestre, e o grão de café foi o principal item da pauta, com 35% de participação. Dados do MDIC/Secex revelam que, no período de janeiro a junho, o volume de café não torrado, não descafeinado e em grão somou US$ 483 milhões.

 

O segundo produto mais vendido aos Estados Unidos foi o milho em grão (18%), com exportações de US$ 253 milhões. A diretora assistente para o Escritório da América Latina de Programas Internacionais da FDA, Ana Maria Osorio, disse que o Brasil é o 30º maior exportador de comida humana para os EUA.

Ao todo, as exportações brasileiras de alimentos para o mundo foram de US$ 25 bilhões no primeiro semestre, liderados pela venda de carne e preparados de carne com US$ 7,9 bilhões (31,5% do total). A comercialização de doces (açúcares, preparações de açúcar e mel) veio em seguida, com US$ 5,6 bilhões (22,2%).

 

registrado em: ,