Embaixador Graça Lima lembra que “alguns tiros” da guerra comercial já foram dados

publicado 26/07/2018 16h10, última modificação 26/07/2018 16h26
São Paulo – Para especialista, prioridade é retomar a liberalização do comércio

O embaixador José Alfredo Graça Lima se lembrou da fala de Roberto Azevêdo, diretor geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), para comentar a tensão comercial entre Estados Unidos e China a respeito de taxas de importação. “Como falou o diretor geral da OMC, a crise do momento requer moderação. Ele disse que pode haver ou não uma guerra comercial, mas que os primeiros tiros já foram disparados”, reportou, durante o fórum “As Novas dimensões do Comércio Global: Fim do sistema multilateral?”, realizado na Amcham - São Paulo em 25/07.

Para Graça Lima, a prioridade do momento é retomar a liberalização do comércio e superar as tensões do momento. “A liberalização é a responsável pelos ganhos inestimáveis em termos de paz, segurança, progresso econômico, erradicação da pobreza e diminuição das desigualdades”, lembrou o especialista.

A preocupação do embaixador, que apresentou um panorama do Comércio Global durante o encontro, é que a adoção de medidas comerciais e políticas restritivas gere incerteza e ciclos de retaliação que prejudiquem o comércio e a produção de bens e serviços. O risco é o desaquecimento da economia global. “Se a disputa escalar, os custos vão aumentar”, lembrou.

 

Impactos da crise

Graça Lima retomou ainda a história para identificar as insatisfações dos países com o atual modelo. Para ele, o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), berço das relações comerciais internacionais, foi um sucesso inegável para o sistema multilateral. No entanto, a partir dos anos 80, com o aumento expressivo da participação de países em desenvolvimento, ele já não era o suficiente. Isso levou a fundação da OMC, que teria função de dar uma base jurídica sólida para transações internacionais. A última rodada de negociação em Doha (2001) mudou algumas regras do jogo, mas algumas pendências e a crise financeira de 2008 são hoje obstáculos ao livre comércio.

“A crise econômica e financeira de 2008 teve impacto substancial sobre a disposição dos países em assumir compromissos que reduziriam sua autonomia para a condução da política econômica. O impasse na Rodada Doha ainda pesa como uma hipoteca sobre o sistema multilateral de comércio na medida em que suscita dúvidas sobre sua capacidade de enfrentar as questões remanescentes do passado e de se adaptar aos desafios do presente e do futuro”, pontuou.