Empresas chinesas têm mais de 150 projetos no Brasil, afirma CEO da CAOA Chery

publicado 26/07/2018 11h16, última modificação 30/07/2018 10h06
São Paulo – Para Márcio Alfonso, chineses têm metas agressivas de expansão, capital e tecnologia

As empresas chinesas estão chegando ao Brasil com tecnologia, capital e metas agressivas de internacionalização. É o momento ideal para firmar parcerias, observa Márcio Alfonso, CEO da CAOA Chery. Ele estima que há pelo menos 150 projetos de investimentos asiáticos no país em fase de maturação.

“Dos 250 projetos que os chineses trouxeram nos últimos cinco anos, 100 já estão sendo tocados”, disse, no fórum ‘As Novas dimensões do Comércio Global: Fim do sistema multilateral?’ da Amcham-São Paulo, na quarta-feira (25/7).

Alfonso debateu o crescimento chinês e sua influência mundial ao lado de Cassio von Gal, diretor executivo do banco BOCOM BBM. Heni Ozi Cukier, fundador da Insight Geopolítico, moderou as discussões. “Os chineses têm tecnologia e capital, e é por isso que estamos fazendo parceria com eles”, conta Alfonso. Neste ano, a CAOA se associou à Chery para produzir no Brasil os carros da marca chinesa.

Os primeiros investimentos chineses no Brasil foram nos setores de petróleo e energia. “Mas estão buscando mercado em outros setores. Agora que as empresas se qualificaram, têm planos de crescer para fora da China em até cinco anos”, segundo Alfonso.

Parcerias com empresas chinesas podem compensar o atraso tecnológico, mas devem ser feitas com critério. No setor automobilístico, cita exemplos de automatização. “Os robôs produzem carros na Alemanha e na China a custos mais baixos. Dependendo de como atuarmos, podemos fazer muitas parcerias com eles”, assinala.

Para o executivo, o desenvolvimento industrial chinês é um exemplo a ser seguido pelo Brasil e defende mais estímulos à pesquisa e desenvolvimento. “Temos que acompanhar a evolução tecnológica. Gostei da inciativa do MDIC de publicar o plano para o setor automotivo nos próximos 15 anos (Rota 2030), mas ainda falta a definição de um projeto nacional de pesquisa e desenvolvimento”, afirma.

Setor privado chinês

Além do tamanho do mercado interno, o Brasil é visto pelos chineses como uma conexão importante com os demais países da América do Sul, acrescenta von Gal, do banco BOCOM BBM. “A China já identificou projetos de infraestrutura na região e está aumentando sua escala. Ela enfrenta alguns desafios de regras de capital em determinados países”, afirma.

Assim como na indústria, há medidas em curso para aumentar a governança corporativa no setor financeiro, entre elas normas para melhorias na área de risk management.

“Já existem discussões para trazer as metas de avaliação de competitividade e meritocracia nos bancos. Muito provavelmente, veremos o aumento do setor privado no sistema financeiro chinês”, segundo von Gal.

Na China, o BOCOM [Bank of Communications], que forma uma joint venture no Brasil com o banco BBM, é controlado pelo governo, assim como as outras quatro maiores instituições.

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