Especialistas avaliam que Brasil precisa de venture capital para avançar em energias alternativas

por daniela publicado 08/12/2011 17h36, última modificação 08/12/2011 17h36
Daniela Rocha
São Paulo - Nesse campo, País pode aprender e estabelecer parcerias interessantes com o Estado americano de Massachusetts.

Durante a visita da delegação do governador de Massachusetts, Deval Patrick, ao Brasil, representantes da academia e de companhias brasileiras avaliaram que o Brasil precisa de venture capital (capital de risco) para avançar em energias alternativas. Nesse campo, segundo eles, o Brasil tem muito a aprender com o Estado Americano.


Energias limpas foram o foco de um grupo especial de discussões do "Fórum Massachusetts Brazil Innovation – Economy Mission 2011”, organizado pelo banco Santander com apoio da Amcham nesta quarta-feira (7/12) em São Paulo.

O diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique Brito Cruz, detacou que há enormes oportunidades de desenvolvimento nas áreas de bioenergia e geração eólica; porém, o desafio está no financiamento.

“No Estado de SP, há boa capacidade acadêmica e industrial nesses segmentos. A limitação que existe hoje, na minha maneira de ver, é a disponibilidade de venture capital. Assim, é interessante que sejam feitas  mais conexões de venture capitalists (investidores) de Massachussets com empreendedores em São Paulo. Isso seria muito bom”, ressaltou.

Massachusetts e Califórnia são os maiores polos do planeta em venture capital, reunindo vasta experiência na conversão de ideias em riqueza, comentou Cruz. Ele explica que, além de disponibilizarem recursos, os fundos de venture capital participam do gerenciamento das empresas e de seus projetos (hands on).

“Aqui no Brasil,  há um ‘fosso’ entre a produção acadêmica e sua aplicação no mundo real, na economia. Além disso, faltam investidores de risco. Essas questões Massachusetts conseguiu resolver muito bem no caso das energias limpas e, por isso, a troca de experiências é muito útil”, acrescentou José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP).

Eduardo Wanick, presidente e CEO da DuPont para América Latina e presidente do Conselho de Administração da Amcham, acredita que é preciso estruturar a indústria de venture capital no Brasil, assim como criar programas de suporte e preparação prévia das empresas (startups) para que tenham  acesso aos financiamentos.

Projetos inovadores

De acordo com Patrick Cloney, CEO do Massachusetts Clean Energy Center, centro de pesquisa e desenvolvimento do governo, apoiador do setor privado e voltado às energias alternativas, as grandes soluções que estão em andamento são ligadas às tecnologias fotovoltaicas (energia solar) e eólica, incluindo o projeto de uma turbina de nova geração. Ele destacou ainda trabalhos relacionados às capacidades de armazenamento de baterias e capacitores.

“Pretendemos construir uma relação de longo prazo com o Brasil em várias áreas, sobretudo a energética”, disse Cloney.

O debate também contou com a participação do secretário de Energia e Meio Ambiente de Massachusetts, Richard Sullivan. Ele destacou que a regulamentação do setor Energético no Estado foi alterada em 2007, simplificando os processos de inovação na área de energia alternativa.

 

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