Especialistas dão dicas para empreendedoras que desejam entrar no mercado global

publicado 14/10/2016 08h44, última modificação 14/10/2016 08h44
São Paulo - Primeira edição do Workshop Mulheres Exportadoras da Amcham abordou questões culturais e processos de exportação
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“A gente olha para os números das pesquisas e 1/3 das empresas do mundo não tem mulheres em cargos de gerência sênior”, lembra Fátima Kagohara, diretora de People & Culture da Grant Thornton, que esteve presente na primeira edição do Workshop Mulheres Exportadoras promovido pela Amcham na terça-feira, 11/10. De acordo ela, a questão da inserção feminina está crescendo, mas ainda existem muitos desafios, ainda mais em relação àquelas que desejam se colocar no mercado global.

A Grant Thornton atua na realização de estudos sobre a evolução da diversidade de gênero em cargos de liderança no mundo. Segundo seu último levantamento, de 2015, 4/10 das empresas no G7 não tem mulheres desempenhando cargos de alta função. Na América Latina, esse percentual está melhorando, mesmo que timidamente, principalmente na Argentina e Brasil.

As brasileiras, por exemplo, não querem apenas gerir seus próprios negócios, mas, também, expandir produtos e serviços para outras nações. Por isso, discutir as questões culturais a respeito da presença feminina nas mesas de negociações e como elas podem romper esses preconceitos é de grande relevância. “A mulher exportadora sabe que nós ganhamos um espaço diferenciado no mercado, mas ainda temos muitos desafios. Imagine vocês mulheres empreendedoras que vão entrar em mercados que ainda têm práticas de cultura muito machistas”, ressalta Fátima.

 

A cultura aplicada aos negócios
Para entrar no mercado global, entender as diferenças culturais é essencial, recomenda Mariana de Oliveira Barros, sócia-fundadora Differänce Intercultural Consultants durante o evento na Amcham. Segundo ela, os preconceitos podem ir muito além das questões de gênero e, por isso, saber lidar com o pensamento e os costumes do outro é importante para que os negócios sejam mais efetivos. “Nós raramente pensamos na cultura quando a gente pensa no mundo dos negócios”, comenta.

E como fazer isso? A generalização, apesar de parecer negativa, na verdade, pode ser um caminho útil no processo de compreensão daquele que queremos negociar. A consultora diz que normalmente carregamos muito das nossas características nacionais durante os encontros e, em função disso, ler os estereótipos pode ajudar não só as mulheres, mas qualquer um que queira se destacar.

Outro aspecto que Mariana Barros considera relevante é comunicação. Os brasileiros não são muito objetivos no seu modo de falar. Segundo ela, na tentativa de agradar, somos vagos e subjetivos. Nem sempre o outro entende que “talvez” e “vou dar uma passada mais tarde” pode ser uma forma sutil de dizer que não está interessado. Isso, aos olhos daqueles que não nos compreendem, pode ser hostil e negativo. Simplicidade e clareza ajudarão a romper preconceitos, acrescenta.


O processo de exportação
Passadas as fases de negociações e entrando em aspectos práticos dos tramites de exportação, Monica Rodriguez, consultora de Comércio Exterior, Barral M Jorge Consultoria, diz que tudo começa com um bom planejamento. Ela foi mais uma das palestrantes do workshop Mulheres Exportadoras, que teve como objetivo capacitar micro e pequenas empreendedoras a respeito do assunto.

Segundo ela, é preciso sempre pesquisar os mercados e levar em consideração os hábitos e aspectos culturais das nações que estamos interessados. Será que aquela nação vai absorver o meu produto ou serviço? Se realizada de forma eficiente, a exportação traz muitos benefícios, como diversificação de mercados, aumento da produtividade, diminuição da carga tributária e agregação de valor a marca.

A consultora da Barral M Jorge também cita a importância de conhecer o país que queremos negociar, assim como as suas regulamentações.” Dessa forma, minimizamos dificuldades e outros possíveis problemas” , conclui.

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