Estados Unidos anunciam abertura de dois novos consulados no Brasil

por marcel_gugoni — publicado 09/04/2012 11h39, última modificação 09/04/2012 11h39
São Paulo - As cidades que vão receber as novas representações são Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS).
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A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, anunciou que o Brasil ganhará dois novos consulados para atender melhor a demanda de brasileiros e reforçar os laços de comércio e turismo entre os dois países. As cidades que vão receber as novas representações são Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS).

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“Vamos abrir dois novos consulados para atender a demanda [dos brasileiros por vistos para os EUA]”, disse a secretária. Ela participou nesta segunda-feira (9) do Seminário Brasil-EUA: Parceria para o Século 21, em Washington (EUA), promovido pelo Itamaraty, com a parceria da Amcham, US Chamber e Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Gabriel Rico, CEO da Amcham, afirma que é “uma importante notícia para facilitar a emissão de vistos, com consulados em duas grandes cidades em que a Amcham está presente, reunindo nelas cerca de mil empresas associadas”.

O evento faz parte da agenda da presidente Dilma Rousseff, em Washington.

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Os novos consulados devem ampliar a concessão de vistos de turismo, de negócios e de estudos.

Além da Embaixada dos EUA em Brasília, há consulados americanos em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Recife (PE), e mais cinco agências consulares em Salvador (BA), Porto Alegre (RS), Manaus (AM), Fortaleza (CE) e Belém (PA).

Global Entry

Em janeiro, o presidente americano, Barack Obama, já havia anunciado, em uma cerimônia no Walt Disney World, que agilizaria o processo de concessão de vistos aos brasileiros. “Turismo é o serviço número um que exportamos e isso significa emprego. Vamos agilizar o processo de visto para o EUA em 40% neste ano no Brasil”, disse ele, na ocasião.

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Em março, o embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, anunciou o projeto-piloto do Global Entry Program para “melhorar a experiência de quem viaja aos EUA com muita frequência, notadamente empresários. Ele permitirá aos inscritos passar por aeroportos americanos com mais rapidez e facilidade”. A estimativa é de que a economia de tempo com o processo de entrada nos EUA chegue a 70%.

Com o Global Entry, o turista chega com o passaporte e, com um visto pré-aprovado, fornece somente suas impressões digitais e tem a entrada liberada na grande maioria dos casos. O quiosque emite um recibo e o passageiro fica liberado para recolher sua bagagem.

Os EUA já têm programas semelhantes com México, Canadá e Holanda. “Este é o primeiro programa na América Latina”, ressaltou o embaixador. Em uma primeira etapa, 150 pessoas serão beneficiadas. Trata-se de uma lista com cidadãos brasileiros considerados de “baixo risco”, que receberão atendimento rápido na fila de imigração. Posteriormente, a lista deve ser ampliada para 1500 pessoas.

Parcerias

Segundo a representante do governo americano, a visita da presidente Dilma Rousseff aos EUA “mostra a importância de reforçar os laços econômicos” dos dois países. “O Brasil passou por uma mudança social com a entrada de milhões de pessoas na classe media e é notável o trabalho de [Dilma] Rousseff para erradicar a pobreza extrema.”

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“Queremos promover cada vez mais o contato de pessoa a pessoa. Temos que ter maior cooperação e parceria entre nossas universidades, entre troca de ciência e tecnologia, para manter a nossa tradição de inovar”, afirma Hillary.

Para a secretária americana, o País produz commodities, mas também itens de alto valor agregado. Ela destacou a tecnologia aeroespacial brasileira, criando e atendendo importantes demanda ao redor do globo. “Os brasileiros criam empregos nos EUA, por isso queremos promover mais segurança em viagens, em turismo e em trocas comerciais.”

“Queremos ver o progresso que o Brasil teve na última década aumentando cada vez mais e incentivar a prosperidade para construir uma relação forte entre os dois países.”

Ações concretas

Thomas Donohue, presidente e CEO da U.S. Chamber, afirmou que a necessidade de reforçar a relação bilateral é urgente. “O desafio é ir adiante. É hora de discutir pontos como um acordo bilateral de investimentos”.

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A visita de Dilma dá sequência à viagem do presidente americano, Barack Obama, ao Brasil, em abril de 2011. “Essa visita histórica de Dilma aos EUA fortalece os laços comerciais. Desde que Obama visitou o Brasil em 2011, os movimentos são bons para avançar na cooperação”, afirmou Donohue.

“Os empresários não podem manter os avanços sozinhos. Não há ninguém mais nos EUA que apóie as relações do que Hillary Clinton. Ela compreende os benefícios e os avanços das relações, e vai ajudar na realização de ações concretas”, completou ele 

Hillary, em seu discurso no evento em Washington, disse que será assinado ainda nesta segunda-feira um acordo bilateral de cooperação na área de aviação, para promover mais voos entre os dois países e cooperação em  pontos como expansão de aeroportos, administração do espaço aéreo e segurança. "Vamos assinar um Memorando de Entendimentos (MOU, na sigla em inglês) para promover o tráfego aéreo", destaca a secretária.

Hillary Clinton viaja ao Brasil na próxima semana para tratar de assuntos variados da relação Brasil-EUA.

Inovação e crescimento

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que a agenda dos dois países se baseia “em confiança e valores comuns” para encontrar caminhos conjuntos rumo à inovação e à competitividade. “O Ciência Sem Fronteiras, que a presidente Dilma Rousseff criou, vai aumentar as chances dos estudantes brasileiros de estudar fora.”

“Vemos os EUA como um parceiro privilegiado. Maturidade é uma palavra que hoje define as relações entre Brasil e EUA”, afirmou. “Hoje, somos a sexta maior economia, rica em recursos naturais e fontes energéticas limpas, mas queremos novas ideias e projetos inspiradores." Tenho confiança de que uma nova parceria para o século XXI está sendo construída em bases sólidas”, completou.

“Temos trabalhado pela integração da América do Sul, a qual ajudamos a transformar em uma região pacífica, democrática e queremos trabalhar para reduzir a pobreza do continente e olhamos para o futuro eliminando a pobreza extrema”, explica. “Queremos ser um link construtivo e pacífico para o mundo que permita o diálogo contra a intolerância.”

Na agenda comercial americana, o Brasil é o oitavo principal parceiro comercial, movimentando cerca de US$ 70 bilhões em exportações, em 2011, responsáveis pela criação direta de 255 mil empregos nos EUA.

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