EUA agora colocam Brasil como parceiro do nível de países como Alemanha e Japão, declara cientista político americano

por giovanna publicado 12/04/2011 17h18, última modificação 12/04/2011 17h18
Recife – Para Walter Mead, nos últimos anos, abriu-se a porta para uma relação mais igual entre as duas nações.
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A visita de Barack Obama ao Brasil representa o ponto alto de um novo momento nas relações Brasil-Estados Unidos. Os americanos, há alguns anos, veem o Brasil se estabelecendo como parceiro estratégico no mesmo nível de nações como Alemanha e Japão, analisa Walter Mead, cientista político americano especialista em política externa dos EUA.

“Nos últimos dez anos, os EUA perceberam que o Brasil é o país com a sabedoria, a maturidade e a habilidade de manter a América Latina avançando para um futuro próspero e democrático. Isso abriu a porta para uma relação mais igual entre as duas nações.” analisou Mead, que participou na segunda-feira (11/04) de evento realizado pela Amcham-Recife em parceria com o Consulado Americano na capital pernambucana.

Para o especialista, tornou-se mais positiva recentemente também a forma como os brasileiros enxergam os EUA.

Relações diplomáticas

No evento desta segunda-feira, Mead analisou ainda as relações diplomáticas entre Brasil e EUA, mas julgou ser precipitado já avaliar a gestão Dilma Rousseff nesse sentido. “Acredito que ainda esteja cedo para falar sobre a postura de Dilma quanto às relações exteriores, pois a presidente está há pouco tempo no posto.”

Ele ainda pontuou que, do seu ponto de vista, as relações Brasil-EUA na era Lula foram positivas, mesmo que os últimos anos da gestão tenham ficado marcados por episódios sensíveis relacionados a posições contrárias no que toca a Irã e Honduras.

Exposição versus crítica

Sobre o crescente destaque do Brasil no cenário mundial, Mead alertou que, à medida que o País ganha mais espaço, é importante estar preparado para sofrer interferências.

“Acostumem-se com a ideia de que seus vizinhos se tornarão mais críticos, que países do mundo todo opinarão sobre decisões de política interna”, sinalizou Mead.

Pré-sal e Olimpíadas

Questionado sobre o interesse americano no petróleo do pré-sal, Mead declarou que os EUA querem em especial que seus parceiros estratégicos comprem o combustível brasileiro. Para ele, o fato de o País ter um ambiente politicamente estável, uma democracia fortalecida, cria a atmosfera ideal para manejar essa riqueza.

Sobre a realização da Copa 2014 e das Olimpíadas 2016 no Brasil, Mead incentivou que o País aprenda com a experiência americana, evitando os mesmos erros ao adotar um planejamento racional dos custos, sem desperdício de recursos.

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