EUA demonstram interesse por mandar estudantes para estudar e estagiar no Brasil, nos moldes do Ciência Sem Fronteiras

por marcel_gugoni — publicado 03/09/2012 16h34, última modificação 03/09/2012 16h34
André Inohara e Marcel Gugoni
São Paulo – Secretário adjunto de comércio dos EUA discutiu na Amcham formas de avançar na concessão de estágios em companhias americanas para participantes do programa brasileiro.
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Os Estados Unidos estão abertos não apenas a receber mais estudantes brasileiros do programa Ciência Sem Fronteiras (CSF), como também enviar seus alunos às universidades do País, numa ação nos moldes do modelo adotado pelo Brasil, por meio do programa One Hundred Thousand Strong in The Americas, pelo qual os EUA pretendem enviar 100 mil jovens para estudar em países do continente.

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“Acho uma ideia brilhante dar suporte aos 100 mil estudantes dos EUA. Sei que as universidades dos EUA, particularmente as 66 instituições que demonstraram interesse em viajar conosco como parte desta missão ao Brasil, adorariam ter programas para seus alunos que viessem [estudar e trabalhar] aqui”, explica o secretário adjunto de Comércio para Comércio Internacional do Departamento de Comércio dos EUA, Francisco Sánchez.

“A resposta é sim: o Departamento de Comércio adoraria trabalhar com a Amcham facilitando esse tipo de conexão”, completou Sánchez, que participou da força-tarefa Ciência Sem Fronteiras da Amcham-São Paulo nesta segunda-feira (03/09).

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Segundo ele, tanto o presidente Barack Obama quanto a secretária de Estado Hillary Clinton têm sugerido que sejam aceitas parcerias com empresas brasileiras. Pelas declarações do secretário, órgãos como a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a Comissão Fulbright, que promove intercâmbio educacional entre os dois países, poderiam participar. “Podemos trocar informações nesse matchmaking”, defendeu.

Viabilização de estágios do CSF

Na reunião desta segunda, Sánchez dialogou com representantes de multinacionais para falar sobre caminhos para a viabilização de estágios para estudantes brasileiros do Ciência Sem Fronteiras. O CSF foi lançado em 2011 e tem como meta enviar 101 mil estudantes de graduação, doutorado, pós-doutorado e pesquisa científica para estudar no exterior nos próximos anos. A maior parte das bolsas tem como destino os EUA.

Veja aqui: Amcham dá novos passos para estimular estágios dos participantes do Ciência Sem Fronteiras no exterior

A Amcham tem trabalhado para atuar como ponte entre alunos e empresas, contribuindo para tornar possível uma experiência prática complementar ao estudo acadêmico dos participantes do CSF. A entidade já mapeou quarenta empresas americanas e de outras nacionalidades com filiais no Brasil interessadas em oferecer vagas de estágio.

“O objetivo é prover aos estudantes experiência em um ambiente de inovação e desenvolvimento de novos produtos. Esses esforços devem resultar em patentes, fator crítico para as companhias brasileiras”, disse Gabriel Rico, CEO da Amcham.

No primeiro semestre, a Amcham assinou memorandos de entendimentos com o CNPq  e a Capes, de modo a facilitar o diálogo entre essas instituições e multinacionais interessadas em abrir vagas de estágio em outros países para os estudantes brasileiros. Mais um acordo nessa direção deve ser celebrado em breve, envolvendo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e o Departamento de Comércio dos Estados Unidos (DoC).

Veja aqui: Amcham assina memorando de entendimento com CNPq para facilitar estágio de participantes do Ciência Sem Fronteiras

Na opinião de Dennis Hankins, cônsul geral do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo, “os dois países têm oportunidade sem igual de parcerias visando ao benefício mútuo”.

Veja aqui: Novo cônsul geral dos EUA em São Paulo diz que Brasil já é país do futuro e estima que vistos emitidos em 2012 cheguem a 1,2 milhão

Engenheiros na Boeing

Donna Hrinak, presidente da Boeing Brazil e ex-embaixadora dos Estados Unidos no País, diz que o comprometimento brasileiro com a educação tem ficado cada vez mais claro, e o desenvolvimento de ações de intercâmbio exemplifica esse movimento. Para ela, o CSF representa uma combinação de “fazer bem e fazer direito” um programa de qualificação amplo para estudantes.

“Não só os estudantes se beneficiam desses programas, mas o Brasil, que ganha engenheiros melhores”, afirmou. Ela compartilho a experiência da Boeing com 16 estudantes brasileiros do CSF, na área de engenharia, que viajaram aos EUA em junho deste ano.

Veja aqui: Ciência sem Fronteiras é oportunidade para fomentar cultura de inovação industrial no Brasil

Desde que chegaram à empresa, os jovens foram levados em uma visita de imersão por fábricas como as de aviões 777 e de helicópteros. O grupo é formado, prioritariamente, por jovens que estão se especializando em engenharia aeronáutica ou aeroespacial.

“Cada estudante tem um mentor na Boeing que trabalha como um assessor técnico para assegurar que aquilo que o jovem estuda na aula tenha relevância para a indústria e para sua economia. É o que chamamos de apoio 360°. Depois disso, eles fazem um estágio na Boeing durante o verão.”

Os estudantes trabalharam no desenho de asas mais aerodinâmicas produzidas a partir de materiais combinados e mais eficientes, e também participaram do desenvolvimento de bicombustíveis para aeronaves. “O desafio agora é produzir esse combustível em escala industrial”, afirma Donna.

A lição que ficou para a empresa é de que não se trata de um programa barato – como prova o investimento de US$ 23,7 milhões que a Boing realizou para viabilizar a iniciativa –, mas os resultados compensam. “Temos que encontrar os talentos onde quer que estejam. O mundo necessita de engenheiros, então precisamos de programas como esse.”

Farmacêuticos na Amgem

A Amgen, empresa de biotecnologia e farmácia, por sua vez recebeu seis estudantes da área de saúde e ciências biológicas para estágios nos Estados Unidos. O programa de estágio teve o aval do CEO da companhia nos EUA, disse Guilherme Leser, diretor de Relações Governamentais da Amgen no Brasil.

“Ele comprou a ideia depois do encontro com a presidente Dilma em Washington (abril), e selecionamos seis estudantes que começaram [o estágio] em junho e terminaram no final de julho”, comenta. O grande mérito do programa da Amgen é envolver os estudantes em pesquisa avançada em biotecnologia, avalia Leser.

“Tentamos desafiar as pessoas em pesquisa e desenvolvimento em áreas com que poucas companhias de biotecnologia tiveram contato. Tentamos realmente engajar os participantes”, comenta o executivo.

Agenda de intercâmbio

A visita de Sánchez à Amcham faz parte da agenda de uma comitiva envolvida na maior missão comercial voltada à educação já feita pelo Departamento de Comércio ao Brasil. Sánchez representa as 66 maiores universidades dos Estados Unidos e a visita, que ocorre entre os dias 30/08 e 06/09, abrange as cidades de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.

Segundo o Departamento de Comércio dos EUA, mais de 8700 brasileiros estudam em universidades americanas. A educação está entre os dez maiores serviços de exortação dos EUA, respondendo por quase US$ 21 bilhões movimentados na economia americana no ano letivo de 2010-2011.

Na sexta-feira (31/08), Sánchez se encontrou com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em Brasília, além do presidente da Capes, professor Jorge Guimarães. Em Brasília, ele também participou da feira Education USA, uma das maiores voltadas a intercâmbio educacional. A programação ainda inclui a visita do secretário à mesma feira no Rio de Janeiro, na quarta-feira (5/09), antes de seu retorno aos EUA.

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