Expectativas de multinacionais é reduzir pequenas burocracias no comércio Brasil-EUA

publicado 21/05/2019 09h42, última modificação 21/05/2019 12h17
São Paulo – Em seminário, executivos da WEG, DOW Química e Oxiteno apontaram detalhes operacionais que dificultam importações e exportações
Daniel Godinho (WEG), moderadora Vera Kanas (Tozzini e Freire Advogados), Suelma Rosa (Dow Química), Frederico Marchiori (Oxiteno).jpg

Da esquerda para a direita: Daniel Godinho (WEG), moderadora Vera Kanas (TozziniFreire Advogados), Suelma Rosa (Dow Química), Frederico Marchiori (Oxiteno)

A visão de executivos de grandes multinacionais ainda segue mais para pragmática do que para otimista quando se fala em Relação Bilateral Brasil-EUA. “Avanços de curto e médio prazo estão mais ao alcance que grandes consensos”, avalia o Global Head de Relações Institucionais da Oxiteno, Frederico Marchiori. Esta expectativa também é compartilhada pela Diretora de Relações Governamentais da Dow Química, Suelma Rosa, e do Diretor de estratégias corporativas da WEG, Daniel Godinho.

Pequenas burocracias ainda tiram o fôlego de empresas protagonistas da relação bilateral. No nosso seminário, na última quinta-feira (16/5), a executiva da Dow trouxe exemplos de contratempos enfrentados pela multinacional americana, os quais ela chamou ‘anedotas pequenas que custaram milhões’. “Tivemos problemas com cargas por conta de uma instrução normativa sobre pallets no Brasil e também com formulários oficiais de expedição que têm apenas uma versão em português”, apontou Suelma. 

Bitributação

Durante o painel de debates do lançamento do Mapa Bilateral de Investimentos também foi discutida a bitributação. Os executivos levantaram a necessidade de um Acordo de Dupla Tributação (ADT) com os Estados Unidos. “A WEG é uma empresa global que está brigando nos EUA com empresas cujas matrizes estão em países que tem acordo para evitar dupla tributação com os EUA”, indicou Daniel Godinho, que finalizou alertando: “Os EUA é o nosso maior mercado no mundo e, pela falta desse acordo, temos a nossa competitividade relativa prejudicada.”

O Brasil possui acordos de bitributação com 34 países, segundo o site da Receita Federal. Dentre eles, estão a Bélgica, Noruega, Japão, Índia, Equador, Chile, Peru e África do Sul. Neste contexto, o País perde posição de mercado prioritário. Na Dow, por exemplo, o mercado brasileiro já não ocupa mais a posição principal, reduzindo sua importância para mercado logístico estratégico de lançamentos de operações para América Latina e África. “Isso aconteceu principalmente porque o Brasil tem aumentado a sua interlocução com os outros da região (América Latina) e tem o papel de liderança nas relações com a África, que é um mercado de interesse e crescimento”, explica a executiva.

Além dos executivos, esteve presente o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, que revelou a estratégia do governo em priorizar a construção dos grandes consensos. “Eu acho que a busca do grande consenso dá um início a esse processo maior (entre Brasil e EUA) e acelera a solução desses problemas de menor escala”, alegou.

Potencial

O Mapa Bilateral de Investimentos da Apex indica que os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar entre as fontes de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil, com US$ 68,2 bilhões em 2017. O crescimento foi mais rápido de 2008 a 2012, e de 2013 a 2017 ficou praticamente estagnado.

Dados de 2015 apontam que empresas multinacionais americanas injetaram US$ 37,2 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, gerando 684,8 mil empregos. As importações do Brasil foram de US$ 3 bilhões. A razão entre exportações e importações de multinacionais americanas no Brasil é maior que um, indicando que essas empresas contribuem positivamente para o saldo comercial brasileiro.

Além disso, o relatório mostra que os investimentos destinaram-se a 22 estados mais o Distrito Federal (DF). Entretanto, São Paulo foi destino de 39% dos investimentos greenfield anunciados pelos Estados Unidos no Brasil no período de 2008 a 2017. Outros destaques, na ordem, foram Rio Grande do Sul (RS), Rio de Janeiro (RJ), Santa Catarina (SC), Paraná (PR), Bahia (BA) e Minas Gerais (MG).

São Paulo e Rio Grande do Sul concentraram os investimentos de montadoras. O Rio Grande do Sul concentrou as categorias de carvão, óleo e gás. A classe de metais se destinou principalmente a Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Por fim, os serviços financeiros ficaram em São Paulo e Rio de Janeiro.