Exportadores brasileiros precisam explorar mais oportunidades no mercado americano

por daniela publicado 01/09/2011 17h15, última modificação 01/09/2011 17h15
André Inohara
Brasília –No evento de lançamento das cartilhas How to do Business in Brazil, governo reafirma iniciativas para estimular as exportações brasileiras.
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O potencial de mercado oferecido tanto de países em desenvolvimento como maduros precisa ser aproveitado com mais força pela iniciativa privada.

Nesse sentido, o governo brasileiro está reforçando o diálogo com os empresários, tendo como um dos principais objetivos reforçar presença no maior mercado consumidor do mundo – os Estados Unidos.

“Estamos mantendo contato estreito com o setor privado com vistas a identificar e explorar oportunidades no mercado americano. Também possuímos diálogo permanente com o governo americano para garantir o acesso do Brasil a esse mercado, e estimular de forma ampla o comércio e os investimentos bilaterais”, disse Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Ela participou do evento de lançamento de novas publicações da série How to Do Business in Brazil na quarta-feira (31/08) em Brasília. As cartilhas “How to” são uma iniciativa da Amcham para auxiliar potenciais investidores externos ou profissionais e executivos recém-chegados ao País a entenderem e atuarem no mercado nacional.

Camila Moura, gerente de comércio exterior da Amcham, disse que a realização de missões comerciais ao exterior, em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores, são uma forma de as pequenas e médias empresas nacionais venderem seus produtos em outros mercados.

Por outro lado, oferecer guias de negócios para empresários estrangeiros é uma forma de contribuir para a atração de mais investimentos diretos. “Como o nível de poupança interna do Brasil é baixo, o investimento estrangeiro é muito importante”, comentou.

“Projetos como o ‘How to’ oferecem conteúdo privilegiado, prático e estratégico para empresas que querem fazer negócios no nosso País”, disse Camila.

Mudança de perfil da balança comercial bilateral

A balança comercial entre Brasil e Estados Unidos continua aumentando, mas o dinamismo e diversificação da economia brasileira nos últimos anos mudaram o perfil das trocas bilaterais, disse a secretária Tatiana Prazeres.

“Os EUA são um mercado prioritário para os manufaturados brasileiros, mas nos últimos anos tem tido importância crescente para matérias-primas”, afirma. Além do perfil das vendas, o saldo comercial também mudou.

Em 2010 a balança comercial brasileira apresentou déficit de cerca de US$ 8 bilhões, resultado do volume maior de importação de bens manufaturados americanos. A situação é diametralmente oposta a 2003, quando o saldo foi favorável ao Brasil em aproximadamente US$ 8 bilhões.

Hoje, as exportações de petróleo representam 20% de tudo que é vendido para lá. Ainda segundo a secretária, há uma tendência de queda nas exportações de manufaturados e aumpliação de commodities.

Foco em novos mercados

O Brasil também está priorizando fazer comércio com países em desenvolvimento. “O departamento de Promoção Comercial tem procurado identificar quais são os nichos em que podemos agregar mais valor”, disse o ministro Rubens Gama.

“E os países em desenvolvimento têm se mostrado polos dinâmicos e liderado a expansão econômica que vai acontecer nos próximos anos”, acrescenta.

Gama será o próximo diretor do Departamento de Promoções Comerciais do Ministério das Relações Exteriores, assumindo no lugar do embaixador Norton Rapesta, que deve assumir a Embaixada do Brasil na Finlândia. Sua nomeação será publicada em breve no Diário Oficial da União.

Para conquistar esses mercados é preciso pensar em novos modelos de negócios, onde a participação dos Estados é maior, avalia Gama.

“Os mercados mais interessantes estão onde a relação tem ocorrer em nível de Estado para Estado. Em países da Ásia Central, não é possível para empresário ir sozinho, ele precisa do respaldo dos governos”, conta.

O modelo tradicional de negócios, assimilado pelas trocas com economias estáveis e onde as regras do jogo eram conhecidas, terá que conviver com outras formas de relacionamento institucional.

“Na África, as relações comerciais são determinadas pelo bom ou mau nível de entendimento político entre os Estados. Isso está sendo levado cada vez mais em consideração”, argumenta.

Nesse contexto, o Estado precisa apoiar a iniciativa das empresas de buscar novas oportunidades. Na África, o empresário brasileiro encontrará empresas de outros países que também estão se estabelecendo.

Lá, eles vão disputar terreno com empresas chinesas, russas ou mesmo europeias que não conseguem ser rentáveis em seu próprio continente, segundo Gama.

“Não basta ser competente. O governo tem o importante papel de defender o seu empresário. Com essas novas situações, precisamos rever nosso trabalho e ver onde colocar mais foco. Se em gestão oficial, atração de investimentos ou relacionamentos comerciais.”

Política para investimentos diretos

Outro pilar de atuação do governo é o direcionamento dos investimentos externos diretos. “Hoje somos o quinto destino de investimentos. Estamos com US$ 70 bilhões de novos investimentos e precisamos conhecer em que setores esses recursos estão se concentrando, e promover o desenvolvimento de outras áreas de interesse”, comenta.

Isso significa que é preciso identificar que setores estão sobrecarregados de recursos. “Não podemos ser receptores de dinheiro sem ter uma política de como melhor conduzir, apoiar ou até desestimular investimentos, onde for o caso”, observa

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