Gary Locke: Brasil e EUA devem avançar em competitividade para compartilhar benefícios

por daniela publicado 21/03/2011 17h04, última modificação 21/03/2011 17h04
Daniela Rocha
São Paulo- Para o secretário de Comércio americano, os dois países precisam trabalhar conjuntamente em questões como marcos regulatórios e inovação.
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O secretário de Comércio americano, Gary Locke, defende que o Brasil e os Estados Unidos precisam colocar mais foco na melhoria da competitividade de ambas as nações, estimulando mais investimentos e intensificação do fluxo comercial para compartilhar benefícios entre as sociedades.

“Temos de aprofundar a cooperação para melhorar o ambiente regulatório e também avançar em inovação, tornando mais ágeis os procedimentos de concessão de patentes. É importante avançarmos em competitividade para compartilharmos os benefícios”, disse Locke, que participou nesta segunda-feira (21/03) de almoço promovido pela Amcham, na sede da entidade em São Paulo, em parceria com o Brazil-US Business Council. 

Segundo o secretário, o presidente americano, Barack Obama, e a presidente brasileira, Dilma Rousseff, concordam que promover um melhor ambiente de negócios entre as duas nações leva à geração de empregos e à melhoria da qualidade de vida das pessoas. Gary Locke ressaltou que a parceria de EUA e Brasil deve de igual para igual em comércio e investimentos, assim como em outras áreas de colaboração. “Temos de resolver os problemas e desafios com diálogo e respeito”, afirmou.

Nesse sentido, o prosseguimento do trabalho desenvolvido pelo CEO Fórum Brasil Estados-Unidos, composto por altos executivos e representantes dos governos dos dois países e instituído em 2007, será fundamental, avaliou Locke.

Reconhecimento e diálogo

Assim como Obama enfatizou em seu dircurso em Brasília (19/03), Locke fez referências positivas ao fato de o Brasil ser uma grande democracia, que tem se destacado pelo crescimento econômico conjugado com a inclusão social. “Mesmo com os efeitos da crise que todos os países sofreram, a economia brasileira cresceu 7,5% em 2010. Os Estados Unidos reconhecem esse desempenho significativo”, disse.

De acordo com Gary Locke, os dois países, com economias cada vez mais  intrisecamente ligadas devido ao aumento expressivo do número de companhias americanas que atuam no Brasil e vice-versa, têm ainda mais espaço para ampliar a cooperação não somente bilateral, como multilateralmente, no G-20 e em outros fóruns.

O secretário americano aproveitou a ocasião para apresentar aos empresários um resumo dos temas discutidos entre Obama e Dilma: assinatura do Teca (Acordo de Cooperação Econômica e Comercial); intensificação da parceria no campo energético sob todas as formas; maior  intercâmbio em educação; e esforços entre Brasil e EUA para o País levar adiante os enormes projetos de infraestrutura.

Foco nos investimentos

O presidente do Ex-Im Bank (que atua como o BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social), Fred Hochberg , acompanhou Gary Locke no evento da Amcham e afirmou que o Brasil está entre os nove maiores destinos de aportes de recursos do banco. Entretanto, o volume ainda está quém do que pode ser explorado. Na análise de Hochberg, nos últimos anos, o volume de recursos cresceu no Brasil mais lentamente do que em outros países da América Latina, como Colômbia e México.

“Estamos aqui no nosso papel de friendly bank (banco amigável) para ajudar o Brasil a se mover”, ressaltou, com bom humor e otimismo.
Nesta visita de Barack Obama junto com sua comitiva econômica ao País, o Ex-Im Bank já assimiu o comprometimento na liberação de US$ 2 bilhões para a Petróbras usar na exploração do pré-sal, sendo que uma primeira parcela de US$ 300 milhões será liberada já em abril.  Para as obras de infraestrutura ligadas aos eventos esportivos da Copa do Mundo (2014) e das Olimpíadas (2016), o banco de fomento americano destinará US$ 1 bilhão. 

Além disso, há uma linha de crédito que soma US$ 1 bilhão para companhias brasileiras que venham a importar bens e serviços do mercado americano. “As taxas de juros praticadas são bastante competitivas”, enfatizou.

Fred Hochberg deixou claro que, em se tratando de Brasil, não há um limite pré-estabelecido para as liberações do Eximbank.

Também marcou presença no evento da Amcham Luciano Almeida, presidente da Investe São Paulo, agência do governo paulista responsável pela atração e manutenção de investimentos para o Estado. Ele apresentou à comitiva americana a demanda necessária de investimentos de São Paulo, da ordem de US$ 6,4 bilhões, contemplando obras como trecho Norte do Rodoanel;  anel ferroviário da Região Metropolitana; e ampliação e modernização do Porto de São Sebastião, entre outras. Atualmente, o Estado conta com 75 projetos em andamento, que somam aportes de US$ 10 bilhões. 

Saindo da esfera governamental, Almeida aproveitou para comentar sobre a construção do estádio do Corinthians, em Itaquera, que será responsabilidade da iniciativa privada, visando aos jogos da Copa.

Hochberg, do Ex-Im Bank mostrou-se surpreso com as inúmeras possibilidades no Estado de São Paulo. “Fiquei realmente impressionado”, concluiu.  

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