Governo pretende aumentar e diversificar acordos de comércio exterior, diz coordenadora do MDIC

publicado 12/12/2016 09h16, última modificação 12/12/2016 09h16
São Paulo – Segundo Natália Ruschel, investimentos, compras governamentais e serviços foram incluídos na pauta
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No comércio exterior, a prioridade do governo é aumentar e diversificar a pauta de negociações, afirma Natália Ruschel, coordenadora-geral de negociações extra regionais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). “A estratégia do governo é fechar acordos com novos parceiros comerciais, descentralizando-se da América Latina. E também negociar mais tratados de investimentos, serviços, compras governamentais e propriedade intelectual”, disse, no comitê de Comércio Exterior da Amcham – São Paulo na sexta-feira (9/12). “O foco também é conversar sobre normas técnicas, questões sanitárias, fitossanitárias e facilitação de comércio”, acrescenta.

Fernando Sampaio, diretor de macroeconomia da consultoria LCA, também participou do comitê e traçou um panorama econômico para o próximo ano. Para ele, o setor externo terá bom desempenho em 2017, mas o desempenho do comércio brasileiro no exterior não será decisivo para puxar o crescimento econômico. “O cenário de exportação é menos adverso. Temos câmbio favorável, o que ajuda o Brasil nos mercados internacionais, mas o comércio mundial como um todo não está crescendo”, afirma.

Na América Latina, o governo já conversa sobre estender a pauta de acordos para além de produtos. “No âmbito do Mercosul, conversamos sobre inclusão de compras governamentais e serviços financeiros com os países da região”, detalha Natália. Nos dois tópicos, há negociações acontecendo com o Chile e Colômbia.

Em relação aos Estados Unidos, a estratégia do governo brasileiro é negociar sobre temas pontuais. “Procuramos espaço para derrubar barreiras que existem dentro do diálogo entre o MDIC e o Departamento de Comércio dos EUA. Apesar do movimento de alguns empresários e associações defendendo um acordo de livre comércio, o governo não tem intenção de fazer um tratado desse tipo nos próximos anos”, ressalta a representante do MDIC.

Entre os temas pontuais, Natália menciona os acordos de convergência regulatória e facilitação de comércio. A participação de entidades empresariais como a Amcham, ao reunir informações das empresas sobre padrões técnicos e regulatórios, foi considerada importante pelo governo. “Precisamos da participação do setor privado e estamos abertos ao diálogo”, destaca.

Na quarta-feira (7/12), a Amcham firmou em Brasília um acordo de entendimento com o MDIC para buscar avanços na cooperação Brasil – Estados Unidos nas áreas de inovação, convergência regulatória, facilitação de comércio e investimentos produtivos. Clique aqui para ler a notícia.

O memorando busca identificar potenciais setores mais propensos ao desenvolvimento de Acordos Setoriais de Convergência Regulatória tanto no Brasil como nos Estados Unidos. O memorando prevê, entre outros temas, uma agenda de trabalho para identificar oportunidades de ampliação de programas de cooperação em propriedade intelectual, gargalos burocráticos ao comércio bilateral.

Em relação à Europa, as negociações de livre comércio acontecem “a todo vapor” com a União Europeia e o Brasil vai iniciar formalmente o diálogo com o EFTA, bloco econômico formado por Suíça, Liechtenstein, Islândia e Noruega. Na Ásia, o governo está ampliando as conversas com a Índia e começou a dialogar com o Japão sobre um acordo abrangente.

A diversificação de acordos tem como objetivo possibilitar uma inserção mais qualificada do Brasil nas cadeias globais de valor, de acordo com Natália. “Temos buscado acordos de investimentos, monitorando mercados de alto potencial. Angola, por exemplo, fala o mesmo idioma que o Brasil e recebe muitos investimentos daqui, mas precisa melhorar a questão da segurança jurídica.”

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