Governo pretende priorizar acordos comerciais e aumentar competitividade das empresas exportadoras

publicado 30/08/2016 14h48, última modificação 30/08/2016 14h48
São Paulo – Tatiana Rosito, da Camex, apresenta o novo direcionamento para o comércio exterior
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A prioridade do governo em comércio exterior é fechar mais acordos comerciais e aumentar a competitividade do setor exportador, de acordo com a secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Tatiana Rosito. “Há uma recontextualização da política de comércio exterior, com grande ênfase na política de competitividade, melhoria do ambiente de negócios e regulatório”, afirmou, no comitê de Comércio Exterior da Amcham – São Paulo na terça-feira (30/8). Octávio de Barros, economista-chefe do Bradesco, e José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), também participaram do debate.

A Camex passou por uma reestruturação há dois meses, migrando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para o Ministério das Relações Exteriores (MRE). No entanto, a secretária-executiva da Camex se reporta diretamente à Presidência da República. “A Camex continua com o mesmo status institucional de antes. O que muda é o gestor. Por outro lado, temos sinergias maiores em assuntos de relações comerciais”, detalha Tatiana.

Para aumentar a participação brasileira no comércio mundial, o governo redobrou os esforços para fazer acordos comerciais com a Europa, no âmbito do Mercosul, e com a América Latina, por meio de entendimentos bilaterais. “Nesse sentido, estamos negociando com o México e já houve antecipação de cronogramas de diálogo com Peru, Colômbia e Chile”, segundo Tatiana.

Entendimentos comerciais com Ásia e América do Norte também estão sendo estudados, de acordo com a secretária. “Análises estão sendo feitas em relação ao Japão, Canadá e também uma possível ampliação de acordo com a Índia.”

 Em relação ao aumento de competitividade da cadeia exportadora, Tatiana disse que o governo pretende criar medidas para enxugar a tributação das exportações, oferecer condições mais vantajosas de financiamento, além de criar estruturas de facilitação de comércio. “Também estamos analisando a influência do ambiente regulatório nas exportações e como incentivar a melhoria da infraestrutura logística doméstica”, acrescenta Tatiana. A secretária disse que as iniciativas estão sendo discutidas em conjunto com outras áreas do governo.

Mudança de mentalidade

Para Barros, o Brasil vai enfrentar grandes desafios no comércio exterior em função da desaceleração mundial. “Há o problema da falta de demanda. A China, grande compradora de commodities brasileira, está mudando seu foco de crescimento para o mercado interno e reduzindo os investimentos em expansão. O Japão não cresce, a Europa avança à base de incentivos monetários e fiscais e os Estados Unidos não estão tão fortes para liderar o comércio”, comenta.

É o momento de o Brasil mudar de atitude, de acordo com o economista. “Precisamos entrar de vez em acordos comerciais bilaterais e regionais, até mesmo fazendo ofertas de forma ousada. Brasil e Argentina estão falando a mesma linguagem da abertura, e se tivermos mudança de atitude, o mundo vai olhar para a América Latina como uma região aberta aos negócios”.

A saída para aumentar o comércio exterior brasileiro é reduzir os custos internos, o que permitiria melhorar a competitividade dos produtos, principalmente os acabados, de acordo com Castro. “Nosso dever de casa é reduzir o custo Brasil”, destaca.

Para o dirigente, a prioridade do governo deveria ser a redução de burocracias e criação de regras mais favoráveis à atuação das empresas. Entre elas, diminuir os entraves legais em projetos de concessão ou privatizações no setor de infraestrutura logística, e revisões na lei dos portos.

Isso ajudaria a economia brasileira se tornar mais competitiva nos mercados internacionais. “Não podemos depender do humor da China para crescer”, comenta.

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