Governo Trump busca melhorar acordos comerciais para os EUA e não suspendê-los, diz diretor do Itamaraty

publicado 21/11/2016 10h26, última modificação 21/11/2016 10h26
São Paulo – Para Ernesto Araújo, cenário de reconfiguração do comércio mundial cria oportunidades para o Brasil
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A intenção do presidente americano eleito Donald Trump de redefinir a participação dos EUA nos acordos globais de comércio é de buscar melhores condições para o país, e não de abandonar os tratados, segundo Ernesto Henrique Fraga Araújo, ministro diretor do Departamento dos Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Ministério das Relações Exteriores (ou Itamaraty).

“Existe uma porta aberta para a revisão de relações comerciais, mas acredito que essa definição não seria feita de forma indiscriminada. Trump disse que não é contra acordos comerciais. O que ele quer são acordos melhores”, disse, no seminário Futuro da Relação Brasil e Estados Unidos realizado pela Amcham – São Paulo na quinta-feira (17/11). Ailtom Barberino Nascimento, vice-presidente executivo global da Stefanini, e Jerry O’Callaghan, diretor de relações com investidores da JBS, também compartilharam opiniões sobre o cenário econômico.

Os acordos em questão são o TPP, bloco de comércio com onze países banhados pelo Oceano Pacífico, e o Nafta, tratado de livre comércio com o México e o Canadá. Para Araújo, a formação empresarial de Trump sugere que seu objetivo é negociar condições melhores com os países de forma a cumprir outra de suas promessas de campanha, a recuperação de empregos industriais nos EUA. “Trump sempre fala em better deals (melhores negociações), e não em better agreements (melhores tratados).”

O ministro acredita que Trump deve seguir uma política de nacionalismo econômico, valorizando a produção interna para gerar mais empregos domésticos. Um dos desdobramentos seria a rediscussão de cadeias produtivas mundiais e a criação de oportunidades para o Brasil. “Na medida em que alguns parceiros percam acesso ao mercado americano, podem se voltar a outros destinos. Se o fluxo comercial se redesenhar em função de novos acordos ou configurações, podemos nos tornar um desses mercados.”

No mundo corporativo, a administração Trump deve ser de continuidade nos negócios. “Nós não acreditamos em grandes impactos. Se o Trump fizer um governo baseado no que andou postando no Twitter, é a Índia que deve se preocupar. São eles que mais exportam serviços aos Estados Unidos. Agora, se ele fizer um governo mais moderado, não vejo mudanças tão importantes”, afirma Nascimento.

Independente do rumo econômico do próximo governo, o negócio de carnes deve se manter em ritmo constante, segundo O’Callaghan. “Todos os sinais até agora são de crescimento econômico. Para uma empresa que está no setor de alimentos, como a JBS, qualquer estímulo econômico americano é bom.”

No entanto, para entender o que o próximo presidente americano fará, é preciso observar a fundo seus discursos e filtrar o que sai sobre ele na imprensa. “Devemos evitar clichês para falar de Trump. A grande imprensa dos Estados Unidos é muito partidária e 90% do influxo de ideias que temos sobre ele vêm dali.”

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