Investidores estrangeiros querem informações sobre como abrir operações no Brasil ou expandi-las, indica representante do MDIC

por andre_inohara — publicado 23/11/2012 17h25, última modificação 23/11/2012 17h25
Brasília – Asiáticos ainda conhecem pouco o mercado brasileiro e buscam saber como iniciar negócios, enquanto americanos e europeus, mais familiarizados, focam em expansão.
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Quando investidores estrangeiros procuram o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para obter informações sobre negócios, apresentam focos distintos.

“A Ásia solicita, muitas vezes, questões mais básicas. No caso dos EUA, o perfil de investimentos é diferenciado, com interesses centrados em tecnologia e agregação de valor e, como já são investidores tradicionais no Brasil, há mais consultas para projetos de ampliação de empresas”, diz Eduardo Celino, coordenador-geral de Investimentos da Renai.

A Renai – Rede Nacional de Informações sobre o Investimento – é a área do MDIC encarregada de coletar e divulgar informações dos estados sobre oportunidades de investimentos produtivos. Celino aponta que a rede tem como função dar mais visibilidade às regiões brasileiras com grande potencial de crescimento.

O coordenador participou do evento de lançamento de novos títulos da série How to Do Business and Invest in Brazil da Amcham, em Brasília, no dia 08/11.

Leia mais: Em busca de investimentos estrangeiros, governos federal e estadual usam e apoiam missões, consultorias e ações de relacionamento como formas de promoção comercial

Veja abaixo a entrevista de Celino ao site da Amcham:

Amcham: Como o sr. avalia o interesse dos estrangeiros pelo País?

Eduardo Celino: Uma das características dos mercados emergentes, em todo esse cenário de crise, foi justamente o fato de servirem como válvula de escape em relação à paralisia dos mercados desenvolvidos. Em virtude disso, as empresas estão vendo os mercados emergentes, entre os quais o Brasil desponta, como oportunidade para crescimento e expansão futura. Vários projetos têm sido anunciados pelas companhias, assim como uma ampla gama tem buscado informações sobre como investir no Brasil. Vemos que já há um amadurecimento das empresas quanto ao conhecimento sobre o Brasil. Nos últimos anos, o País esteve em evidência pelo seu crescimento e pelas reformas que têm sido feitas, além das boas perspectivas de crescimento.

Amcham: O sr. crê em aumento do interesse de investidores estrangeiros pelo Brasil?

Eduardo Celino: Várias consultas estão sendo feitas junto ao Renai, até por parte de empresas de países em dificuldade. Há também países demandantes de informações na Ásia. Talvez pela distância cultural e geográfica, esse continente requeira mais informações.

Amcham: Que tipo de informações é solicitado?

Eduardo Celino: A Ásia solicita, muitas vezes, coisas mais básicas. É diferente de países da Europa e EUA. No caso dos EUA, o perfil de investimentos é diferenciado, com interesses focados em tecnologia e agregação de valor e, como já são investidores tradicionais no Brasil, há mais consultas para projetos de ampliação de empresas.

Amcham: Para o Brasil, qual a melhor forma de estimular investimentos?

Eduardo Celino: A formação de joint ventures é sinalizada pelo governo como uma forma interessante para desenvolvimento de projetos no País. Uma palavra-chave no ministério é a produção nacional, que temos buscado fomentar cada vez mais, principalmente trazendo tecnologia. Os novos regimes que têm sido editados têm muito desse componente: não somente a concessão de incentivos para a vinda de tecnologia, mas de investimentos que agreguem inovação com geração de empregos qualificados.

Amcham: Do que os investidores estrangeiros reclamam mais? A falta de infraestrutura ou o excesso de burocracia?

Eduardo Celino: Vemos problemas nas duas áreas. O que precisamos é trabalhar com reformas nesses dois aspectos fundamentais para a ampliação do crescimento. O ministério já vem atuando nisso, com relação à melhoria do ambiente de negócios. No futuro, devemos anunciar um projeto de desenvolvimento com o Banco Mundial (Bird) no sentido de trabalhar o levantamento das dificuldades para a competitividade em âmbito estadual, buscando uma assistência técnica por parte do banco para haver melhorias.

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