Para investidores externos, tudo é mais difícil no Brasil, diz sen. Ana Amélia

publicado 04/04/2014 10h53, última modificação 04/04/2014 10h53
Brasília – Parlamentar aponta a burocracia, questões legislativas e jurídicas como grandes entraves
investidores-foto01.jpg-3821.html

“No Brasil, tudo é mais difícil.” A frase da senadora Ana Amélia (PP-RS) resume o que os investidores estrangeiros pensam sobre o que representa fazer negócios por aqui.

Depois de participar da audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal na quinta-feira (3/4) para debater o futuro da relação Brasil – EUA, a parlamentar disse que a burocracia e a falta de comprometimento da classe política em promover abertura comercial e competitividade são muito prejudiciais à imagem do Brasil no exterior.

A Amcham foi convidada a participar da audiência, e falou sobre a importância dos acordos internacionais de comércio como forma de inserção no mundo. Em entrevista ao site da Amcham, Ana se disse favorável a que o Congresso permita a aprovação de acordos comerciais como “via rápida” (fast track). “É por isso que queríamos aplicar aqui o fast track, que aprova mais rápido os acordos da área econômica”, comenta a senadora.

Ela cita o acordo de aviação entre Brasil e União Europeia, firmado em 2010, com o objetivo de ampliar o mercado de transporte aéreo nas duas regiões. Quatro anos depois, o tratado ainda não foi ratificado pelo Congresso. “A Comissão de Relações Exteriores do Senado não havia examinado, porque não tinha chegado da Câmara (dos Deputados). Fica mal para o Brasil, porque o acordo foi assinado por chefes de Estado”, destaca a senadora.

Sem novos acordos globais de comércio, as empresas brasileiras perdem a oportunidade de aumentar as vendas e o nível de profissionalização. “A Embraer, modelo no mundo, está perdendo a oportunidade de ampliar seu espaço no mercado global.”

As dificuldades do mercado brasileiro

A parlamentar disse que as delegações estrangeiras que chegam ao Brasil para investir saem muito decepcionadas. “Dia desses, recebemos um pessoal da Finlândia e a grande queixa deles é que aqui tudo é muito difícil (de fazer), complicado. E o maior problema nem é dinheiro (crédito), mas o entendimento de que criamos uma série de dificuldades para as coisas. E, com isso, perdemos competitividade.”

Entraves burocráticos para abrir e fechar empresas, questões legislativas e segurança jurídica são algumas das principais ineficiências estruturais apontadas pela senadora. “Outros países estão resolvendo seus entraves com muita competência. Veja o caso da Bolívia, Chile e Peru. O Uruguai, por exemplo, está até recebendo prisioneiros de Guantánamo (Cuba). Isso é protagonismo, eficiência na gestão. Cabeça aberta para trabalhar.”

registrado em: ,