Massachusetts pretende intensificar parcerias no Brasil com foco em negócios inovadores

publicado 07/12/2011 20h45, última modificação 07/12/2011 20h45
Daniela Rocha
São Paulo - Para Deval Patrick, governador do Estado americano, colaboração pode ser maior em TI, fontes limpas de energia, biotecnologia e serviços financeiros.
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Em missão no Brasil, o governador de Massachusetts, Deval Patrick, busca potencializar parcerias envolvendo empresas, instituições de ensino e governos com o objetivo de desenvolver negócios inovadores entre seu Estado e o País.

Segundo ele, a colaboração é peça-chave para que ambos os lados possam avançar economicamente e gerar empregos em um cenário global altamente competitivo.

Em sua primeira visita ao Brasil, liderando uma comitiva formada pelos  principais secretários de governo, assim como representantes de universidades e do setor privado, Patrick  participou do "Fórum Massachusetts Brazil Innovation – Economy Mission 2011”, organizado pelo banco Santander com apoio da Amcham, nesta quarta-feira (07/12), em São Paulo.

“Temos de explorar mais a colaboração. Muitas oportunidades reais podem sair já dessa primeira conversa, podendo beneficiar as populações de Massachusetts e do Brasil. Hoje muito se fala de parcerias entre empresas, academia e governos, mas isso deve se dar não apenas localmente, mas além das fronteiras”, disse o governador.

De acordo com Patrick, há inúmeras possibilidades a serem exploradas; porém, as mais promissoras estão nos setores de Tecnologia da Informação (TI),  tecnologias e fontes de energia limpas,  Life Sciences (biotecnologia, equipamentos medico-hospitalares e medicamentos) e serviços financeiros. Nesse sentido, como parte do evento, foram formados quatro grupos de discussão e networking com nessas quatro áreas, consideradas estratégicas.

Defasagem brasileira em inovação

“O Brasil vive um excelente momento, recebendo investimentos estrangeiros e comitivas internacionais interessadas em parcerias. Nesse contexto, a delegação de Massachussetts vem aqui com uma agenda importantíssima para o País, que é inovação”, destacou Eduardo Wanick, presidente e CEO da DuPont para América Latina e presidente do Conselho de Administração da Amcham.  

Wanick ressaltou que a economia brasileira representa 3% da mundial, no entanto somente 0,1% das patentes do mundo se originam do Brasil. “Há uma defasagem tremenda na inovação brasileira. Precisamos multiplicá-la por 30”, comentou.

O problema, contudo, não está na falta de produção científica, uma vez que o País conta com 2,7% das publicações científicas do mundo. Na visão de Wanick, os desafios estão no aperfeiçoamento da gestão e na ampliação dos investimentos do setor privado voltados à inovação, assim como na necessidade de maior conexão entre as comunidades de negócios e acadêmica.

”O Brasil tem muito o que aprender com Massashusetts, estado americano que tem algumas das melhores universidades do mundo e uma das melhor sabem fazer essa conexão, que é o MIT (Massachusetts Institute of Technology)”, afirmou Wanick.

Momento Brasil

No evento, o presidente e CEO do Santander, Marcial Portela, e o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), Henrique Meirelles, ressaltaram a solidez da economia brasileira à delegação de Massachusetts.

“Devido à sua política monetária consistente, o Brasil reduziu a inflação, controlou a dívida pública, passou a ser superavitário. Esse cenário positivo está associado ainda a ganhos sociais”, disse Portela. Ele fez questão de realçar o crescimento da classe média nos últimos anos e o elevado potencial do mercado consumidor brasileiro.

Segundo Portela, o Brasil está bastante atrativo aos investimentos estrangeiros. Ainda mais em um momento de turbulência mundial, os olhares se voltam para o Brasil. Existem muitas empresas estrangeiras buscando oportunidades aqui. Por outro lado, também há companhias nacionais buscando sucesso nos mercados externos.

Meirelles comentou a resiliência do Brasil no enfrentamento da crise financeira global que eclodiu com a quebra do banco americano Lehman Brothers em 2008.

De acordo com ele, o governo conseguiu lançar recursos no mercado diante da contração das linhas de crédito externamente, lembrando que hoje a situação é até mais confortável porque as reservas internacionais brasileiras, naquela época na casa de US$ 200 bilhões, hoje estão em quase US$ 360 bilhões. Entre outros fatores que ajudaram o País estão o poder do mercado interno e o sistema financeiro brasileiro devidamente regulamentado e estruturado.

O presidente da APO fez questão de destacar aos americanos as oportunidades de investimentos no Brasil relacionadas aos grandes eventos esportivos mundiais que ocorrerão no País, tanto as Olimpíadas de 2016, para a realização das quais ele tem papel de liderança, quanto a Copa de 2014.

“O Brasil tem 54 milhões de pessoas na classe média e as classes D e E representam hoje apenas 16% da população, índice que continua caindo. Trata-se de um grande mercado consumidor, que demanda produtos e serviços de qualidade. Além disso, há oportunidades de investimentos em infraestrutura de transportes, telecomunicações, energia e hotéis, sobretudo com os eventos esportivos”, afirmou.

Relação comercial com o Brasil

A corrente de comércio Massachusetts-Brasil foi de US$ 485,742 milhões em 2010, segundo dados disponibilizados pelos órgãos de acompanhamento de comércio exterior dos Estados Unidos - US Census e Internactional Trade Administration.

O Brasil não consta entre os 25 maiores fornecedores internacionais de Massachusetts no ranking do governo americano. Os maiores fornecedores são Canadá, China, México, Irlanda, Alemanha e Reino Unido. 

Em 2010, as exportações brasileiras para o Estado americano somaram US$ 89,233 milhões, menos do que no ano anterior, quando atingiram US$ 95,308 milhões. O Brasil comercializou principalmente produtos de maior valor agregado: bens duráveis (US$ 52,299 milhões) e bens não duráveis (US$ 30,575). Os não manufaturados tiveram a menor participação (US$ 6,358 milhões).

Já as vendas de produtos de Massachusetts ao Brasil foram de US$ 396, 509 milhões em 2010, representando um  incremento de 28% sobre o ano anterior, com foco maior também nos bens duráveis (US$ 241,571 milhões) e não duráveis (US$ 143,923 milhões), sendo o restante de não manufaturados.

O Brasil é o 18º destino de produtos de Massachusetts. Os primeiros mercados compradores são Canadá, Reino Unido, China, Japão, Alemanha e Holanda.

Sobre Massachusetts

O nome oficial de Massachusetts é The Commonwealth of Massachusetts. O Estado limita-se ao Norte com New Hampshire e Vermont, a Oeste com Nova York, ao sul com Connnecticut e Rhode Island, e a Leste com o Oceano Atlântico.

Massachusetts é um dos menores estados em área dos Estados Unidos, só perdendo para New Jersey, Hawaii, Connecticut Delaware e Rhode Island; porém, é o 13º mais populoso do país e o terceiro mais densamente habitado. A capital e maior cidade é Boston. Dentre outras grandes cidades, destacam-se Plymouth, Worcester, Springfield, Lowell, Cambridge, Brockton e New Bedford.

A economia de Massachusetts  movimenta US$ 337 bilhões ao ano, segundo o The Massachusetts Office of International Trade and Investments.

Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em Massachusetts representam 7% do PIB (Produto interno Bruto) e superam os realizados por países como Israel (4,8%), Suécia (3,7%), Finlândia (3,5%), Japão (3,5%) e Alemanha (2,6%). E um indicador superior à média dos Estados Unidos como um todo, que aplicam 2,8% do PIB, conforme dados da Unesco (The United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) disponibilizados no site do governo de Massachusetts.

Vantagens

Deval Patrick destacou que o governo está estruturado para atender empresas brasileiras interessadas em investir em Massachusetts, prestando auxílio para implementação dos negócios. Ele informou que a alíquota do tributo que incide sobre os negócios no Estado é de 8%, uma das mais baixas dos EUA. 

Entre os principais atrativos locais, estão o dinamismo econômico da região pela sua capacidade tecnológica e de inovação. Há diversos fundos de venture capital, especializados na gestão e investimentos de empresas inovadoras com alto potencial de crescimento. O governador também afirmou que o Estado é reconhecido pelo alto nível de qualificação de sua mão de obra.

O sistema de educação pública do Massachusetts é considerado um dos melhores dos Estados Unidos, enfatizou. O Estado também possui várias das melhores escolas privadas do país. Atualmente, Massachusetts conta com cerca de 120 instituições de educação superior, entre públicas e privadas. O Estado abriga várias das melhores e mais renomadas instituições de ensino superior do mundo, com relevo para a Universidade Harvard e o Massashusetts Institute of Technology (MIT).

Em termos de infraestrutura, Boston é o principal centro portuário e aeroportuário de Massachusetts. O Aeroporto Internacional de Boston é o mais movimentado do Estado, e um dos mais movimentados do mundo.

“No Estado, estamos investindo em rodovias, em linhas de trem e metrô”, disse o governador Deval Patrick.  

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