Os primeiros 100 dias do governo Biden e as perspectivas sobre a relação bilateral com o Brasil

publicado 06/05/2021 18h37, última modificação 06/05/2021 19h35
Especialistas falam sobre o futuro da relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos
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"O foco no clima é uma prioridade da administração Biden, diferente da administração Trump." afirma Darin LaHood, Membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, completou, na última quinta-feira (29/04), 100 dias de governo no comando da Casa Branca. A análise dos primeiros 100 dias de um presidente nos EUA é uma importante tradição desde a posse de Franklin Roosevelt, em 1930, durante a Grande Depressão.

Da mesma forma, Biden assumiu os Estados Unidos em meio à crise causada pela pandemia do novo coronavírus, no dia 20 de janeiro. Nesses primeiros 3 meses de mandato, o democrata já emitiu mais decretos presidenciais que os seus três últimos antecessores e além de esforços no combate à Covid-19, o presidente americano também trouxe debates a respeito da importância das mudanças climáticas ao realizar a Cúpula do Clima, realizada em 22 e 23 de abril.

Para destrinchar quais foram as principais ações do governo americano e quais são as principais perspectivas para a relação bilateral entre Estados Unidos e Brasil, organizamos um Webinar, no dia 04/05 com diversos especialistas, em parceria inédita com a Eurasia Group. Confira os principais destaques do encontro:

FOCO NAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

“O tema mais observado e a política mais importante da administração Biden serão as mudanças climáticas”, destaca Jon Lieber, Diretor Estados Unidos do Eurasia Group.

Nesse sentido, já foi possível ver ações importantes como a volta dos Estados Unidos ao acordo climático de Paris e o comprometimento em reduzir as emissões de gases de efeito estufa do país até 2030.

O Membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Darin LaHood, afirma que o foco no clima é uma prioridade da administração Biden, diferente da administração Trump, e que os Estados Unidos trabalharão com seus aliados ao redor do mundo focando nesse problema.

A princípio, o presidente Biden tem evidenciado assuntos como sustentabilidade e clima, em suas relações e políticas externas, e esse tema pode direcionar qual será o caminho da relação bilateral Brasil-EUA.

O FUTURO DA RELAÇÃO BILATERAL ENTRE BRASIL E ESTADOS UNIDOS

Especialistas políticos afirmam que o presidente Biden conhece e reconhece a importância do Brasil na América Latina e no mundo, incluindo sua relevância geopolítica e econômica na região. 

Brasil e Estados Unidos são as duas maiores economias do Ocidente, são grandes potências do agronegócio e compartilham princípios e interesses em comum, o que tem proporcionado força e durabilidade a essa parceria histórica.

"Eu acho que a relação do Brasil com os Estados Unidos é boa, sempre foi boa. Porque nós compartilhamos valores comuns” avalia o ex-Embaixador do Brasil para os Estados Unidos, Sérgio Amaral.

Entretanto, antes da posse de Biden, havia muita preocupação e discussão sobre o futuro da relação bilateral entre os dois países, já que o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Donald Trump mantinham uma relação muito próxima.

“Era consenso entre comentaristas que teríamos problemas, mas não é isso que está acontecendo. Os contatos de relacionamento entre os governos têm sido construtivos, não só no diálogo ambiental, mas na série de pontos que continuam avançando.” comenta Christopher Garman, Diretor Latin America, Brazil do Eurasia Group

Embora as opiniões sobre o futuro da relação bilateral Brasil e Estados Unidos sejam positivas e otimistas, devemos lembrar que ainda é muito cedo para falar com convicção sobre qual será a direção dessa relação, a qual,  segundo o Representante Americano LaHood, “não está no topo da lista da administração americana. Em termos de política de avanço e como os EUA abordarão o Brasil, eu não sei se temos uma resposta formada sobre essa direção, mas acho que será formada em breve”.

O QUE ESPERAR PARA OS PRÓXIMOS 100 DIAS?

Hoje, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro do Brasil em dólares e o mais importante investidor direto. Os especialistas afirmam que a relação bilateral entre os dois países têm avançado nas discussões de comércio e investimento. O caminho para manter essa relação com longevidade e estabilidade é a união entre: colaboração e diálogo.

“O caminho é a diplomacia, o entendimento, o diálogo. Isso tem dado bons frutos e nós vamos continuar aqui, muito empenhados em fortalecer e aprofundar esse diálogo" afirma Nestor Forster, Diplomata e Embaixador do Brasil em Washington.

O Brasil tem potencial para se tornar um país altamente competitivo e exportador de ideias. Já tem crescido em inovação e se tornado referência no agronegócio, e embora a lista de melhorias e objetivos seja longa, há certas prioridades.

Com foco nessas prioridades, desenvolvemos a publicação  “Brasil-Estados Unidos: Caminhos para uma parceria renovada”. O documento contém detalhes sobre nossas propostas, interesses e prioridades do setor empresarial para a relação bilateral. “Nós enfatizamos três caminhos no curto prazo: cooperação ambiental, cooperação para superar a crise da Covid-19 e retomada do comércio e dos investimentos bilaterais.” explica Deborah Vieitas, nossa CEO.

Portanto, ao observarmos que a relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos compartilha dos mesmos interesses e prioridades, podemos considerar que há um forte indício de uma parceria sem conflitos, estável e promissora para ambos os países, incluindo o setor privado.

"Esses primeiros 100 dias com um tom mais construtivo, do meu ponto de vista, não é efêmero. Olhando os objetivos da política externa do novo governo Biden, o que eu estou enxergando no Brasil é que existem condições para manter uma relação construtiva não só nos próximos 100 dias, mas também ao longo do governo Biden como um todo” conclui Christopher Garman, do Eurasia Group.