Países contam como os acordos comerciais beneficiaram economia

publicado 30/08/2013 15h54, última modificação 30/08/2013 15h54
São Paulo – Acesso a mercados, tecnologias e cadeias produtivas foram vantagens listadas
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Para um país que deseja aumentar o grau de abertura comercial com o mundo, o que menos importa é a forma – bilateral ou em bloco. Quanto mais parcerias externas, maior será o acesso dos países a novos mercados e tecnologias, que ajudarão a economia a criar empregos e inovações.

No seminário de Acordos Internacionais da Amcham-São Paulo, ocorrido na quinta-feira (29/8), Canadá, México, Peru e Tailândia revelaram como decidiram abrir suas economias ao comércio, e como ele melhorou a renda nesses países.

Tailândia

Abrir-se para o comércio era a forma de a Tailândia diversificar sua economia, formada basicamente por pescados e arroz. “Tínhamos que nos abrir para sobreviver e negociar acordos de livre comércio”, disse Tharit Charungvat, embaixador da Tailândia no Brasil.

O país optou por fazer acordos bilaterais e em bloco, fechando tratados comerciais com o Japão, Austrália e Nova Zelândia. Atualmente, negocia outros com Peru, Chile, Índia e União Europeia. Como integrante da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), o país faz parte do grupo que tem relações comerciais estritas com China e Coreia do Sul.

Entre 2006 e 2012, o volume de comércio entre a Tailândia e seus parceiros praticamente dobrou. E o comércio mais que dobrou com o Peru e Índia, mesmo sem a concretização de acordos plenos.

Para isso, foi preciso criar um ambiente favorável aos negócios. “Reduzimos barreiras tarifárias e não tarifárias, impostos, e buscamos incentivar os empreendedores modernizando nossas leis”, conta o embaixador.

Houve resistências localizadas no setor privado, mas o governo se manteve firme. “Quando negociamos acordos de livre comércio, sabemos que alguns perdem e outros ganham. Às vezes precisamos de liderança e engajamento político para dizer que algumas indústrias não são competitivas, e que elas precisam melhorar a eficiência ou vão desaparecer.”

Canadá

Antes de fechar o primeiro acordo de livre comércio na década de 1980, o setor privado canadense e a população não estavam em consenso sobre o tema. Na época, o cônsul geral do Canadá em São Paulo, Stephane Larue era estudante, e ouvia histórias “horríveis” sobre como o país se transformaria caso aceitasse expandir as trocas com o vizinho americano.

“Eram histórias horríveis e engraçadas de como nos tornaríamos um subúrbio de Detroit (EUA), usaríamos chapéus de cowboy e falaríamos com sotaque americano”, recorda-se. “Mas depois de intenso debate, o governo negociou o primeiro acordo de livre comércio com os EUA e México (o Nafta). Ele se mostrou um tremendo sucesso, e nada do que pensávamos aconteceu.”

O mercado de trabalho canadense, por exemplo, se expandiu e ficou mais resistente à crise. Antes do Nafta, o desemprego no Canadá era, em média, 12%, e após a crise de 2008, foi de 7%, segundo Larue.

Desde 2006, o Canadá concluiu acordos de livre comércio com países da Europa, América Central, Oriente Médio e América Latina, totalizando 13 parcerias. Para ele, os acordos estão evoluindo de barreiras tarifárias para inclusão de serviços e proteção aos investimentos. “É essencial modernizar”, comenta Larue.

O volume de exportações do Canadá aumentou em função dos acordos, que hoje são apoiados pela população. “O comércio segue os investimentos e pessoas, o comércio. Sem isso, não há benefícios”

México

A inserção do México no Nafta, acordo de livre comércio da América do Norte, diversificou e melhorou vários setores industriais. “O México tem compromisso com a abertura comercial, sem abrir mão do desenvolvimento regional”, disse Jose Gerardo Trasloheros Hernandez, cônsul geral do México em São Paulo.

Para Hernandez, a abertura comercial faz parte do processo de melhoria da competitividade do seu país. “A integração comercial com os EUA se fez de tal maneira, que somos fornecedores importantes para eles em cadeias de alto valor agregado, como a aeroespacial”, comenta o diplomata.

Neste ano o México oficializou, ao lado do Peru, Colômbia e Chile, a Aliança do Pacífico, bloco econômico para buscar acordos com EUA, Europa e Ásia, em condições mais vantajosas.

Peru

Na América do Sul, o Peru já estabeleceu vários acordos de livre comércio com a Ásia e países europeus. Isso só foi possível após a pacificação do país, na década de 1980, quando o movimento guerrilheiro Sendero Luminoso foi contido.

Desde então, o Peru tem perseguido a solidez econômica e um clima favorável para investidores, de acordo com Jorge Arturo Jarama, cônsul geral do Peru em São Paulo. “Temos uma política econômica bem sucedida que atrai investimentos. Além disso, o investidor estrangeiro é tratado como local, com poucas restrições à transferência de capitais. Também damos garantia de propriedade privada e acesso ao crédito”, comenta.

O grau de abertura da economia peruana permite parceiras comerciais e no mercado de capitais. Junto com os demais países da Aliança do Pacífico, há estudos para criar uma bolsa de valores conjunta em 2014.

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