Pano de fundo da disputa entre EUA e China é domínio das novas tecnologias, afirma diretor de Estratégia da Eurasia

publicado 27/07/2018 10h57, última modificação 27/07/2018 14h44
São Paulo - Para Alex Kazan, atrito com a China aconteceria com ou sem Trump

Alex Kazan, diretor de Estratégia da Eurasia, ressaltou que o principal conflito entre China e Estados Unidos é pelo domínio das novas tecnologias, como inteligência artificial e computação quântica.

“São dois atores fortes que disputam o poder sobre tudo isso. A disputa sobre Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) será persistente nessa relação”, relatou, durante sua participação via internet no fórum “As Novas dimensões do Comércio Global: Fim do sistema multilateral?”, na Amcham - São Paulo (25/07). Essa disputa, segundo o especialista, traz riscos ao mercado e também à segurança da informação: “É uma área muito difícil de solucionar conflitos”.

Além desse fator, Kazan apontou ainda outros temas que fazem parte do cenário geopolítico hoje: a ascensão da China, o aumento do nacionalismo, principalmente nos EUA, a fragmentação na arquitetura financeira e a perda de influência da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“É tentador pensar que tudo isso é só sobre o Trump. E que, quando esse mandato acabar, que tudo voltará ao normal, que isso é um momento político em particular nos EUA. Sou muito contra essa interpretação, acredito que é muito mais estrutural. Tudo isso aconteceria com ou sem Donald Trump. O papel dos EUA no mundo está claramente mudando por conta da ascensão da China”, pontuou. As consequências desse momento, em sua opinião, são as preferências por acordos bilaterais, perda de influência dos EUA, mais instabilidade e maior influência da China.

 

EUA, China, Rússia e Coreia do Norte: possibilidade de conflitos?

Segundo Kazan, o enfraquecimento das lideranças globais e das instituições deixaram o sistema global menos resiliente e mais vulnerável a choques. Ele ainda pontuou que desentendimentos e passos em falso poderão provocar conflitos internacionais. A área mais provável em que isso pode acontecer é na competição pelo ciberespaço. Coreia do Norte, Síria e tensão entre Estados Unidos e Rússia são os locais que merecem mais atenção pela vulnerabilidade, de acordo com o especialista.