Para Amcham e Abimaq, Brasil e EUA teriam a ganhar com relação comercial ampliada

publicado 11/03/2015 11h14, última modificação 11/03/2015 11h14
São Paulo - Visitas de autoridades de alto nível de ambos os países cria clima favorável para diálogo
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A diretora de relações governamentais da Amcham, Michelle Shayo, disse que o clima para uma aproximação maior entre o Brasil e os Estados Unidos é bastante favorável. “A visita do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) Armando Monteiro aos Estados Unidos em fevereiro mostrou a eles que o governo brasileiro está dando prioridade ao relacionamento comercial”, afirma, durante o comitê de Comércio Exterior da Amcham – São Paulo, na terça-feira (9/3).

Michelle destacou que os Estados Unidos também estão demonstrando interesse em uma relação mais próxima. Tanto que o vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden, esteve na cerimônia de posse do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, em janeiro. “Isso criou um momento positivo para aquecer o diálogo entre os dois países.”

Antes disso, a relação bilateral estava distante em função do episódio de espionagem de autoridades brasileiras pelos EUA, em 2013. Por conta do episódio, Dilma acabou adiando a viagem que faria ao país na ocasião.

Mas a janela de oportunidade não ficará aberta por muito tempo. Os Estados Unidos negociam dois grandes acordos comerciais – um com a Ásia (Parceria Trans-Pacífica) e outro com a Europa. “Quanto mais cedo o governo brasileiro agendar uma visita, mais tempo haverá para os preparativos”, afirma Michelle. E, em 2016, haverá sucessão presidencial por lá, pois será o último ano do mandato de Barack Obama.

Uma das formas de tornar o diálogo mais produtivo é criar uma agenda concreta de temas importantes para o momento, como a facilitação de comércio exterior. “A padronização de normas entre os dois países e a abertura de canais de comércio exterior, como a Janela Única, terão um reflexo significativo em nossas exportações.”

Abimaq

O setor de máquinas e equipamentos considera os Estados Unidos um mercado essencial para seus produtos. “É importante pensar nos Estados Unidos como um parceiro fixo”, afirma Klaus Curt Müller, diretor executivo de mercado externo da Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos).

Além da rentabilidade gerada pelo comércio exterior, vender para países ricos é vista como credencial de qualidade. “O mercado leva em consideração o quanto uma empresa exporta para Europa e EUA”, detalha Müller.

No setor, os EUA continuam como o principal parceiro comercial. Dados do MDIC mostram que o setor exportou mais de US$1,7 bilhão aos EUA em 2014 – o que representa 17,2% das vendas externas de máquinas e equipamentos. E dados do início de 2015 já apontam que 19,6% das exportações do setor foram para os EUA.

Para ampliar a venda de bens de capital no mercado americano, a associação criou o programa Brazil Machinery Solutions. A parceria foi feita entre a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), com o objetivo de promover a exportação de máquinas e equipamentos, reforçar a imagem do Brasil como grande fabricante de bens de capital mecânico e buscar parcerias.

Em 2014, representantes do programa participaram da comitiva do MDIC que visitou o Departamento de Comércio dos EUA, para tratar de temas comerciais. Para este ano, está prevista a participação da comitiva da Brazil Machinery Solutions na missão do MDIC, que voltará aos EUA em março.

Seja qual for o setor, o fortalecimento do comércio entre o Brasil e os EUA será benéfico para ambos os países. “Os EUA vêem no Brasil a oportunidade de expandir sua influência e seus padrões de comércio na América do Sul, e o Brasil vê nos EUA um grande mercado para suas exportações”, afirma Michelle.

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