Com produtos de qualidade e participando de cadeias produtivas, Brasil tem conquistado mercados externos

por andre_inohara — publicado 05/09/2011 16h07, última modificação 05/09/2011 16h07
Brasília – Setores de vestuário e construção civil dos EUA absorvem muitos produtos brasileiros, destaca Rubens Gama, diretor do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do MRE.
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Com produtos de boa qualidade e design, o Brasil tem conseguido conquistar nichos de mercado nos Estados Unidos. A fatia brasileira no comércio mundial também vem sendo ampliada devido à atuação das empresas em cadeias produtivas de outros países, segundo Rubens Gama, diretor do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

O Brasil poderia ser um fornecedor de autopeças para a indústria aeronáutica dos Estados Unidos, devido ao domínio das empresas brasileiras sobre esse tipo de segmento.

Leia a entrevista de Gama, concedida após a cerimônia de lançamento das cartilhas How to Do Business in Brazil na quarta-feira (31/08) em Brasília, pela Amcham.

Amcham: Diante da delicada situação econômica dos países ricos, como o senhor analisa as perspectivas para o comércio mundial?
Rubens Gama:
O momento não é favorável, sobretudo para os mercados mais tradicionais que estão nos países desenvolvidos. Mas também traz oportunidades, porque as nações em desenvolvimento estão vivendo um ciclo de expansão e devem responder pelos maiores crescimentos de PIB (Produto Interno Bruto) do mundo. Esta é a hora de o Brasil buscar novos parceiros, e é sobre isso que vamos nos concentrar nos próximos anos.

Amcham: Os Estados Unidos estão passando por um período econômico de fraco crescimento. Qual a receptividade dessa nação para o comércio exterior?
Rubens Gama:
A economia dos Estados Unidos não está em curva ascendente, mas ainda é a maior do mundo. Mesmo em um momento de crise, eles possuem o maior e mais inovador mercado para topo tipo de produto e cadeia produtiva. Embora a crise esteja, digamos, no atacado, há nichos importantes a serem buscados no varejo. O nosso grande desafio é encontrar esses nichos. O Brasil está num momento importante porque se tornou um País atraente. Nem uma campanha mundial conseguiria um retorno tão grande. As pessoas têm curiosidade pelo Brasil, querem fazer negócios aqui e é sobre esse interesse que vamos trabalhar.

Amcham: Que nichos são os mais interessantes para se explorar nos EUA?
Rubens Gama:
Um muito interessante para o empresário brasileiro ainda é o agronegócio. Somos bons nisso, temos competitividade. Na parte produtiva também. Porque muitas vezes a resposta não está em vender produto acabado, mas fazer parte da cadeia produtiva dos mercados americanos. Podemos entrar, por exemplo, na parte de aviação. Fizemos uma visita ao Estado de Wichita e encontramos várias empresas brasileiras que encontraram nichos específicos. Uma delas fabricava e vendia cinto de segurança para aviões. Ela sabia fazer e vendia a preços competitivos para os EUA.

Amcham: Dentro do agronegócio, o etanol seria um nicho?
Rubens Gama:
O mercado do etanol está complexo. O Brasil é um forte produtor de etanol, e haverá momentos em que estaremos exportando etanol para os EUA e, em outros, importando. Ambos os países são os maiores produtores mundiais. A questão do etanol é um pouco mais complexa que encontrar nichos específicos de mercado. É preciso criar um mercado mundial para esse produto e torná-lo uma commodity mundial. O Brasil e os EUA podem trabalhar juntos nisso, e estão. A resposta é que não adianta apenas vender etanol para os EUA. Precisamos trabalhar com eles para promover o modelo de utilização do etanol como combustível.

Amcham: Falando sobre os empresários brasileiros, como eles encaram vender para a maior economia do mundo?
Rubens Gama:
O empresário brasileiro olha primeiro para o mercado sul-americano, e depois para o norte-americano. É claro que os Estados Unidos são um mercado muito competitivo, onde a própria indústria americana está lá competindo e há a concorrência da Ásia, sobretudo a chinesa. Mas é um mercado em que os brasileiros que entram conseguem fazer bons negócios. É raro que um deles não consiga se manter. Há espaço para todos, principalmente em produtos diferenciados de empresas menores.

Amcham: Onde eles estão se saindo melhor?
Rubens Gama:
Veja o mercado americano de vestimentas, calçados e bolsas. Ele está inundado de produtos asiáticos, mas nessa área temos diferencial de qualidade e design que sempre consegue se impor. Trabalhei por cinco anos na embaixada em Washington e convivi diariamente com empresários brasileiros que vendiam para o mercado americano. O que ouvia deles é que, apesar de tudo, continuavam se mantendo. Muitas vezes, demora um pouco para que os efeitos macroeconômicos cheguem às exportações de produtos especiais. Creio que é a questão é continuar trabalhando o mercado.

Amcham: No mundo, o empresário brasileiro vai disputar mercados com outros concorrentes. O que esses empreendedores oferecem como diferencial?
Rubens Gama:
O empresário brasileiro está se preparando cada vez mais, chegando com profissionalismo. Em um mercado como o americano não se pode improvisar. Não é possível descumprir a palavra dada, desrespeitar prazos e oferecer má qualidade. Se isso acontece, há uma fila grande de bons fornecedores esperando pegar esse contrato. O empresário brasileiro tem trabalhado cada vez mais nisso. A parte de pós-venda, por exemplo, é muito importante. Depois que o trabalho é feito, ele presta uma boa assistência ao consumidor. Em termos de imagem, temos esse diferencial. As pessoas querem adquirir produtos do Brasil, o que traz vigor à marca do país. Nossas mercadorias têm diferenciais de imagem, design e qualidade que nos colocam em nichos diferentes. Muitas vezes não é possível vender grandes quantidades a uma grande cadeia, mas é possível encontrar um espaço especial. A construção civil é um exemplo perfeito. Todo material de revestimento, acabamento, louças e ferragens são todos feitos com diferencial de qualidade e design, que são muito apreciados no mercado americano.

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