Parceria com os EUA colocará o Brasil no século XXI, diz ministro Fernando Pimentel

por andre_inohara — publicado 09/04/2012 20h31, última modificação 09/04/2012 20h31
São Paulo – Enquanto parceria com a China é estritamente comercial, relação com os Estados Unidos abrange as áreas de ciências, tecnologia e turismo.
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O futuro do Brasil passa em importante parte pelo desenvolvimento de mais parcerias comerciais e tecnológicas com os Estados Unidos. Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, estreitar laços com a maior economia mundial representa um etapa significativa para que o Brasil elimine o atraso tecnológico e produtivo.

“O Brasil precisa da cooperação dos Estados Unidos para dar o grande salto tecnológico que vai colocar a nossa indústria no século XXI. E os EUA precisam do acesso ao mercado brasileiro para alavancar sua economia”, disse o ministro, durante o seminário ‘Brasil-EUA: Parceria para o Século 21’ realizado em Washington (EUA) nesta segunda-feira (9).

O encontro foi promovido pelo Itamaraty, em parceria com a US Chamber of Commerce, Amcham e a CNI (Confederação Nacional da Indústria).

“Brasil e EUA já estão integrando as cadeias produtivas e de fornecedores e também compartilhando o conhecimento, a pesquisa científica e a inovação”, acrescentou o ministro. No encontro, Pimentel falou das diferenças entre os dois maiores parceiros comerciais do Brasil, a China (1º) e os EUA (2º).

A relação com a China é de um comércio “strictu sensu (mais específico)”, nas palavras do ministro. “Embora tenhamos excelentes relações políticas e comerciais com a China, esse gigante asiático sempre será um grande mercado para os produtos básicos brasileiros por meio do agronegócio, minerais e alguns itens manufaturados. Essa é a relação que temos e assim será por um longo período”, destacou.

O relacionamento com os Estados Unidos não é só comercial, comparou o ministro. “Com os EUA, a característica é diferente. As economias são parecidas e têm tudo para se integrar, mas elas não se complementam naturalmente e por isso é preciso esforço.”

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Em função da crise financeira mundial de 2008 que afetou seriamente a economia dos EUA e Europa, as empresas americanas se dirigiram ao dinâmico mercado consumidor brasileiro para vender seus bens e serviços.

“O encontro dessas duas aspirações pode ser muito produtivo para os dois países. Isso foi explorado longamente na conversa que os presidentes Barack Obama (EUA) e Dilma Rousseff (Brasil) tiveram hoje”.

Há vários setores abertos à cooperação bilateral em setores como biocombustíveis, petróleo e gás, segundo o ministro. Ainda de acordo com Pimentel, a presença maciça de empresários americanos e brasileiros no evento apoiado pela Amcham (mais de 1000 inscritos) é uma prova de que o esforço de integração está sendo feito.

Parcerias em inovação e acesso facilitado aos EUA

Além da pauta diversificada de comércio bilateral, os EUA demonstram receptividade em formar parcerias em ciência e tecnologia. Pimentel falou do programa Ciência Sem Fronteiras, iniciativa do governo e setor privado brasileiros que concederá 101 mil bolsas de estudo para que os jovens selecionados estudem nas principais universidades de exatas do mundo e ajudem a trazer processos e produtos inovadores.

O programa também inclui o intercâmbio de pesquisadores estrangeiros no Brasil. “Estamos abertos a receber pesquisadores de fora em nossas universidades, e vamos acelerar essa entrada.”

Além do convênio com as mais respeitadas universidades americanas, o governo dos EUA tem trabalhado na facilitação de vistos de entrada dos cidadãos brasileiros que desejem visitar os EUA a trabalho ou a passeio.

“O governo americano também avança para reduzir o tempo de emissão de vistos. E os novos consulados anunciados hoje (em Porto Alegre e Belo Horizonte) vão facilitar o acesso ao território e mercado americanos”, destaca Pimentel.

John Bryson, secretário de Comércio dos EUA, disse que a relação entre Brasil e EUA é antiga e importante. “Nossa relação econômica é crucial, e pode aumentar em mais em áreas como investimentos, comércio, infraestrutura, energia, educação e inovação. Cumprimos um objetivo com a Parceria de Aviação, claro que olhamos para o sucesso do século XXI”, afirma.

Ministra-chefe reafirma importância da relação entre Brasil e EUA

No mesmo painel, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, falou da importância da relação bilateral. “Consideramos que há complementaridade de interesses entre os dois mercados e um grande potencial de ampliação das relações comerciais e de investimentos. É nesse quadro que se destaca a importância das relações empresariais”, disse a ministra.

Os empresários americanos terão muitas oportunidades de investir e obter retorno com os eventos esportivos que o Brasil sediará (Copa 2014 e Olimpíadas 2016), além dos projetos de infraestrutura previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), segundo Gleisi.

Para atrair os investidores estrangeiros, o governo brasileiro tem trabalhado em medidas concorrenciais mais transparentes como a instituição do Portal da Transparência e a Lei do Acesso à Informação (12.527/11) em processos licitatórios.

Gleisi aproveitou para mencionar o Governo Aberto, a parceria entre os governos brasileiro e americano para tornar os números e políticas públicas acessíveis aos cidadãos por meio das novas tecnologias de comunicação. “O Governo Aberto foi instituído em 2011 e é uma iniciativa Brasil-EUA. O Brasil vai sediar [o encontro para falar do programa] em 17 e 18 abril, com a delegação americana sendo chefiada pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton”, disse.

Parceria em aviação beneficia setor aeronáutico

Para Frederico Curado, CEO da Embraer e presidente da Seção Brasileira do Brazil-US Business Council, há espaço para cooperação em projetos de energia (petróleo e gás) e energias renováveis (etanol). A Parceria em Aviação, acordo firmado entre os dois governos para flexibilizar o tráfego de passageiros e cargas, também é benéfica à indústria aeronáutica, segundo Curado.

“Esse acordo permite o desenvolvimento de parcerias público-privadas (PPPs) e ações concernentes em diversas áreas no setor”, afirma.

Curado disse que o encontro bilateral é uma forma de dar sequência à agenda de melhoria do ambiente de negócios.

Demandas relevantes foram obtidas, entre as quais o fim da cobrança de tarifa sobre o etanol brasileiro nos EUA e o Teca, tratado de cooperação econômica e comercial entre os dois países. “Estamos certos de que o potencial das duas maiores economias das Américas permite diversificação e avanços mais significativos”, afirmou.

Gregory Page, presidente e CEO da Cargill e presidente da Seção Americana do Brazil-US Business Council, afirmou que o estreitamento dos laços bilaterais fortalece a relação geopolítica e ajuda a criar empregos em ambos os países.

Para o CEO, os dois países podem trabalhar em:

  • Esforços para criar um mercado global de combustíveis renováveis;
  • Investimentos em infraestrutura voltadas à Copa de 2014 e Olimpíadas 2016 por companhias americanas;
  • Facilitar as viagens de brasileiros aos EUA, provendo reciprocidade de tratamento alfandegário a exemplo do que acontece entre a Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia;
  • Compromissos com a erradicação da fome;
  • Melhorar a condição humana por meio da inovação, e intercâmbios em ciências, comércio e economia.
  • Tornar a relação bilateral mais dinâmica, a exemplo da Parceria em Aviação.

Nesta terça (10/04), a programação em Washington segue, com encontro do presidente do Instituto Nacional da Propriedade Intelectual e empresários americanos, e assinatura de memorando de entendimento (MOU) entre a Amcham e o Council on Competitiveness.

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