Programa de infraestrutura dos EUA tende a gerar mais comércio com o Brasil e afetar investimentos

publicado 23/02/2017 09h55, última modificação 23/02/2017 09h55
São Paulo – Para Marcos Troyjo, investidores internacionais darão prioridade aos EUA em vez do programa brasileiro de concessões
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O programa americano de modernização da infraestrutura, previsto para ser anunciado em março, terá efeitos positivos para o comércio exterior brasileiro. O fator negativo para o Brasil é que os investidores internacionais migrem em massa para os EUA e deixem os projetos nacionais de concessão de portos e aeroportos em segundo plano, opina o diplomata e economista Marcos Troyjo, coordenador do BRICLab da Universidade de Columbia (EUA).

“Do ponto de vista do investimento, se a expansão da infraestrutura for muito fulgurante nos EUA, vai ajudar nosso comércio. Por outro lado, vai diminuir o estoque relativo de capital mundial para investimentos em projetos brasileiros no momento em que o presidente Temer aposta muitas fichas na concessão e privatização de portos e aeroportos”, afirma, no comitê estratégico de Presidentes de empresas da Amcham – São Paulo em 21/2.

Antes de ser eleito no final de 2016, Trump disse que a criação de empregos em solo americano seria uma de suas prioridades. Para isso, boa parte das vagas seria criada pelo plano de reforma de estradas, pontes, ferrovias e aeroportos. As linhas gerais do plano foram divulgadas em novembro por Wilbur Ross, antes de assumir a Secretaria de Comércio, e Peter Navarro, economista indicado para o Conselho Nacional de Comércio.

Ambos sugeriram ao governo americano oferecer 137 bilhões de dólares em incentivos fiscais aos investidores privados que se interessarem pelos projetos de infraestrutura. A estimativa da equipe econômica de Trump é que esses incentivos fiscais atraiam um trilhão de dólares de investimentos nos dez anos de duração do plano.

Além de empregos gerados por obras públicas, a intenção de Trump também é gerar mais inovação, acrescenta Troyjo. Como exemplo, cita a modernização das Forças Armadas americanas na década de 1980. “Nessa época surgiu o projeto Guerra nas Estrelas de defesa antimíssil e, colateralmente, a internet.”

A participação de investidores internacionais no programa americano é essencial, mas ainda é uma incógnita, detalha Troyjo. “Até agora ninguém viu como será esse plano e os americanos não tem poupança interna para tocar o projeto com recursos próprios. Terão que ir ao mercado financeiro ou buscar parceiros externos. E o grande centro mundial de liquidez é a China, país que Trump vem criticando nos últimos dois anos.”

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