Relação entre Brasil e EUA deve abranger questões comerciais e geopolíticas, diz ex-embaixador americano

por andre_inohara — publicado 09/04/2012 16h01, última modificação 09/04/2012 16h01
São Paulo – Para Anthony Stephen Harrington, embaixador dos EUA no Brasil durante o governo FHC, laços bilaterais podem se estender a outras áreas além da comercial.
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As relações entre Brasil e Estados Unidos têm potencial para ser mais do que apenas de trocas comerciais. Ambos os países podem se alinhar geopoliticamente, disse Anthony Stephen Harrington, CEO e presidente da consultoria Albright Stonebridge Group e ex-embaixador dos EUA no Brasil de 2000 a 2003.

“Espero não apenas foco em relação bilateral, mas também em questões geopolíticas, em função da influência crescente do Brasil no G20 (grupo dos 20 países mais ricos)”, afirmou, em entrevista ao site da Amcham em 09/04, às vésperas da visita da presidente Dilma Rousseff aos EUA, nos dias 9 e 10 de abril.

Para Harrington, o Brasil passou por transformações dramáticas em dez anos, fruto das reformas econômicas dos presidentes Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e seu sucessor Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

“Outra mudança foi o avanço em programas sociais como o Fome Zero (2003) nos governos Lula e Dilma, que impulsionaram a economia”, acrescenta.

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Visita de Dilma aos EUA é mais um passo para o Brasil se tornar parceiro estratégico

A visita da presidente Dilma Rousseff – que assumiu o governo brasileiro em 2011 – aos EUA é uma oportunidade para reforçar os laços bilaterais existentes. “O encontro da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, foca a melhora das relações bilaterais e é um passo encorajador”, observa Harrington.

O encontro entre os dois países vai abordar temas como intercâmbios para a melhoria da competitividade e desenvolvimento da inovação por meio da educação, bem como oportunidades para modernização da infraestrutura.

A melhora das relações bilaterais

Com o dinamismo da economia brasileira que se acelerou na segunda metade da década de 2000, muitas empresas nativas aumentaram sua participação nos Estados Unidos, comprando empresas americanas e conquistando mercados internacionais, conta Harrington.

Nesse período, empresas brasileiras como Gerdau, JBS, a belgo-brasileira AmBev e Embraer marcaram presença nos EUA em setores como siderurgia, bens acabados (proteína animal e bebidas) e aviação. Os investimentos mútuos representam a preservação de empregos tanto no Brasil como nos EUA, comenta Harrington.

O embaixador disse que o Brasil enfrenta um grande desafio de competitividade, que é preservar a indústria local face ao grande volume de importação de bens acabados de outras partes do mundo. “Os dois países podem focar em aspectos chaves como inovação, educação e tecnologia”, observa Harrington.

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