República Dominicana quer intensificar parceria comercial com o Brasil

por andre_inohara — publicado 29/09/2011 14h30, última modificação 29/09/2011 14h30
André Inohara
São Paulo – País caribenho também oferece vantagens fiscais para ser um polo exportador de empresas brasileiras.
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A partir da proximidade geográfica com os Estados Unidos e da boa infraestrutura portuária e aeroportuária, a República Dominicana quer aumentar o ritmo de trocas comerciais com o Brasil. 

“Somos um grande parceiro comercial do Brasil no Caribe. Neste ano, deveremos registrar um volume de US$ 430 milhões em transações comerciais (exportações e importações) e queremos aumentar para US$ 500 milhões em 2012”, disse Hector Dionísio Pérez, embaixador da República Dominicana no Brasil, em participação no comitê de Comércio Exterior da Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (29/09).

Até agosto, o fluxo de comércio bilateral somava US$ 278 milhões. “Considerando que os meses de maior movimento são setembro e outubro, acreditamos que o volume previsto deste ano será alcançado”, completou Pérez.

Além de estabilidade política e respeito aos contratos, o país caribenho oferece infraestrutura logística e mão de obra barata e qualificada, enumerou o embaixador.

A República Dominicana conta oito portos para escoamento de carga. “A maior distância, entre a capital Santo Domingo e o porto de Caucedo, é de pouco mais de 200 quilômetros”, argumentou o embaixador.

Há oito aeroportos internacionais espalhados pelo país. São 34 vôos diários para os Estados Unidos e, como adiantou Pérez, há conversas com uma companhia brasileira sobre a criação de duas linhas diretas para a capital, Santo Domingo, em 2012.

Polo exportador para indústrias brasileiras

A República Dominicana também quer ser uma base de exportações de empresas brasileiras, incluindo a cadeia de etanol, para vários países.

Entre os incentivos para quem se estabelece lá, há linhas de financiamento, políticas não restritivas de circulação de recursos financeiros para o setor produtivo, sistemas de produção em zonas francas e políticas de incentivos a setores industriais e de serviços – como Turismo e Energias Renováveis.

Para atrair empresas às zonas francas, as isenções fiscais duram 15 anos. Nesse período, as companhias estão desobrigadas de recolher impostos sobre renda, circulação de mercadorias e importação e exportação, entre outros. Isso abrange o setor de Energias Renováveis, segundo o embaixador.

Ademais, como o governo dominicano possui um regime de isenção junto aos EUA, se uma empresa brasileira quiser produzir etanol na República Dominicana e exportá-lo para os Estados Unidos, estará livre da taxa de US$ 0,54 por galão que os americanos cobram pelo etanol, lembrou o embaixador.

Pérez também cita como vantagens comparativas da República Dominicana com relação ao etanol, a perspectiva de aumentar a mistura do combustível na gasolina de 5% para 7,5% no mercado interno em 2012, a tradição na produção de açúcar e condições adequadas para a fabricação de biocombustíveis e energia de biomassa.

Economia dinâmica

A República Dominicana é uma das economias mais dinâmicas do Caribe, de acordo com Rene Barreto, gerente de comércio exterior da Cargill Agrícola.

“O país é o terceiro maior mercado, atrás de Cuba e Caricom (bloco comercial dos países caribenhos), com economia dinâmica, semelhanças populacionais e menos entraves burocráticos.”

Barreto disse que a Cargill possui uma divisão de grãos que vende óleos vegetais a um grande produtor local, a rede produtora de óleos vegetais MercaSid.

As leis da República Dominicana são menos protecionistas, conforme Barreto. Em Porto Rico, por exemplo, quando uma empresa estrangeira assina um acordo de distribuição com um representante local, ele passa a ser vitalício. “Esse contrato passa de pai para filho”, comparou.

 

 

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