Secretário Troyjo: entrando na OCDE, Brasil se “exercita” para construir acordos comerciais modernos

publicado 20/05/2019 10h39, última modificação 20/05/2019 11h18
São Paulo – Participar da OCDE significa ter voz ativa na criação de regras mundiais e fazer reformas essenciais, diz Troyjo
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Marcos Troyjo, Secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, na Amcham Brasil

A entrada do Brasil na OCDE – grupo de países que produzem mais da metade da riqueza mundial – é um “exercício” para o país se adequar aos acordos comerciais do século 21. Quem afirma é Marcos Troyjo, Secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia.

“Os acordos comerciais do futuro não serão sobre tarifas ou cotas. Os tratados do século 21 serão sobre padrões e standards”, detalha o Secretário, no nosso seminário sobre o novo momento das relações comerciais Brasil – Estados Unidos, realizado em São Paulo (16/5).

“E se tem uma coisa que a OCDE faz é estabelecer esses padrões. De modo que o processo de acessão à organização, automaticamente, é um exercício para que o Brasil possa celebrar, como protagonista, os acordos comerciais do século 21”, continua.

Na prática, participar da OCDE significa conquistar um ‘selo de qualidade’ capaz de atrair investimentos e consolidar reformas econômicas essenciais. E ter voz ativa na formulação de regras.

“Muitos investidores internacionais, fundos soberanos e investidores institucionais têm, em seus estatutos e guias de compliance, preferência pela alocação de recursos em países que adotam regras abraçadas pela organização. Fazer parte da OCDE é algo que facilita bastante o fluxo dessas fontes de liquidez que não estavam acessíveis para o Brasil até agora.”

Um passo importante para a entrada do Brasil foi dado com o apoio dos Estados Unidos, anunciado durante a visita do presidente Bolsonaro ao colega Donald Trump, em março. Foi algo que pouca gente imaginava, comenta Troyjo. “O Trump endossou e vocalizou o seu apoio ao ingresso do Brasil na OCDE. Isso vai ajudar muito o perfil de comércio brasileiro”, argumenta.

Boas notícias

Troyjo disse que há duas boas notícias vindas do encontro de Bolsonaro. A primeira é o anúncio da visita do Secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, ao Brasil no segundo semestre. De acordo com ele, esse é o primeiro encontro oficial de uma autoridade americana de primeiro escalão ao Brasil depois de seis anos.

“O Wilbur Ross nos disse pessoalmente que está organizando uma visita. Deve acontecer até agosto ao país. Acho que isso vai ser uma oportunidade muito concreta, para além das negociações em si, de jogar a relação comercial lá para cima.”

A outra notícia é o relançamento do CEO Fórum pelo governo, iniciativa bilateral que reúne presidentes das principais empresas dos dois países para incentivar o comércio e os investimentos. O objetivo é envolver o setor privado na construção de uma agenda de fortalecimento de relações.

De acordo com uma pesquisa nacional que realizamos com 252 empresários em março, a consolidação de organismos de diálogo público-privado é uma das medidas que os empresários consideram mais eficazes para a relação bilateral. 24% deles defendem o fortalecimento e continuidade dos mecanismos e fóruns intergovernamentais.

Foi o segundo item mais votado, atrás apenas da adesão do Brasil ao Global Entry (32%), acordo de facilitação de vistos a empresários e executivos brasileiros nos EUA.