Sem acordos comerciais, governo deveria investir em facilitação de comércio, segundo diretor da Funcex

publicado 23/02/2017 09h47, última modificação 23/02/2017 09h47
São Paulo – Para Ricardo Markwald, custos menores de exportação produzem resultados de curto prazo
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Eliminar barreiras ao comércio exterior é uma forma de aumentar o desempenho do setor externo em curto prazo, defende Ricardo Markwald, diretor-geral da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). “Talvez o governo não consiga entregar acordos comerciais importantes ou fazer grandes obras de infraestrutura até 2018. Mas é possível avançar nesse período em temas que dependem de aprovação no Congresso, como a redução dos custos de comércio e remoção de obstáculos legais”, disse, no comitê de Comércio Exterior da Amcham – São Paulo na quarta-feira (22/2).

Markwald cita o elevado apoio do governo Temer no Congresso para a aprovação de projetos importantes. “Esse é um governo reformista. Uma agenda de redução do custo Brasil baseado em facilitação de comércio, remoção de obstáculos à internacionalização de empresas e melhoria do ambiente de negócios pode avançar nos próximos 18 meses. Custos menores geram um claro aumento da produtividade exportadora”, argumenta.

O aperfeiçoamento do Portal Único de Comércio Exterior, sistema eletrônico integrado de importação e exportação do MDIC, é um dos mecanismos capazes de aumentar a eficiência do comércio exterior, exemplifica Markwald. Previsto para entrar em operação em março, o Portal Único estima redução de até 40% dos prazos médios de importação e exportação. O processo exportador deve diminuir de 13 para oito dias e o de importação, de 17 para dez dias.

Exportações de commodities em alta

Para Markwald, o desempenho da balança comercial no ano será positivo e sustentado pelas commodities agrícolas e metálicas. A safra de grãos deve aumentar 17%, o que equivale a uma produção de 220 milhões de toneladas, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A safra recorde é uma boa notícia para o mercado doméstico, segundo o especialista. “Não teremos problemas de abastecimento e nem pressão sobre os preços dos alimentos.” No comércio exterior, o preço das commodities nos mercados internacionais deve continuar estável. Os ganhos virão da quantidade maior de produção, segundo Markwald.

Outra notícia favorável é a recuperação dos preços das commodities minerais, como o minério de ferro e o petróleo. A cotação do minério de ferro chegou a 92 dólares por tonelada nas últimas semanas, quase o dobro do preço praticado em 2016. Para Markwald, a cotação não deve se manter nesse patamar. “Não se sabe se esse preço é sustentável, porque a China (principal compradora) não tem demandado tanto e há um aspecto especulativo nesse valor. Um preço sustentável que o mercado trabalha é na faixa de 65 dólares”, comenta.

O movimento de recuperação de preços também é visto em relação ao petróleo. Mas um acordo entre os principais produtores mundiais para limitar a produção do insumo tende a frear a alta dos preços, segundo o especialista. Isso se refletirá no preço da gasolina, derivado de petróleo que o Brasil importa em grande quantidade.

A má notícia é que o desempenho de manufaturados na balança comercial deve continuar baixo, em função da perda de participação do Brasil em mercados tradicionais, como EUA e Argentina, segundo Markwald. O especialista defende uma aproximação maior do Brasil com o México, onde há oportunidades para exportação de bens agrícolas e integração de cadeias produtivas no setor automobilístico. “Para isso, precisamos reduzir burocracias e baixar impostos, pois os mexicanos consideram ser muito difícil fazer negócios por aqui”, destaca.

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