Visita de Dilma aos EUA é mais um passo para o Brasil se tornar parceiro estratégico

por andre_inohara — publicado 23/03/2012 12h09, última modificação 23/03/2012 12h09
São Paulo – Myron Brilliant, representante da US Chamber, maior entidade empresarial dos EUA, defende o estreitamento de relações.
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A visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, confirmada para ocorrer de 09 a 13/04, é mais um passo para que o Brasil seja reconhecido de fato como parceiro estratégico da maior economia do mundo. Isso representaria um canal direto de diálogo entre o primeiro escalão do governo de ambos os países.

O assunto foi um dos temas debatidos em entrevista coletiva com veículos de imprensa após a cerimônia de Posse do Conselho de Administração 2012 da Amcham,  nesta quinta-feira (22/03), em São Paulo. Participaram Gabriel Rico, CEO da Amcham; Myron Brilliant, vice-presidente de Assuntos Internacionais da U.S. Chamber of Commerce; e José Augusto Fernandes, diretor de estratégia da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Uma questão levantada foi sobre a expectativa de concretização de algum anúncio importante sobre investimentos ou parcerias comerciais durante a visita de Dilma aos Estados Unidos. Também foi indagada a possibilidade de o Brasil se tornar parceiro estratégico como Índia e China.

Veja abaixo as respostas:

Gabriel Rico: A visita do presidente [Barack] Obama ao Brasil no ano passado estabeleceu uma relação bilateral direta do nosso País com os Estados Unidos. Antigamente, ele fazia parte da América Latina. Foi a primeira vez que houve essa diferenciação. Vários acordos foram anunciados e estamos implementando muito do que foi assinado.

Parece-me que a crescente importância do Brasil em um cenário mundial em mutação é da maior importância para ambos os países, e caminha para se tornar estratégica. O Brasil tem uma intensa relação comercial com os Estados Unidos: o fluxo bilateral anual é de cerca de 11 mil itens. Não temos, portanto, uma relação baseada em commodities como acontece com outros países. É uma relação muito profunda e absolutamente dinamizada pela iniciativa privada.

Myron Brilliant: O Brasil tem relações importantes com muitos países incluindo a China, crescendo em tamanho e importância, mas ela não tão diversificadas. Quando se olha para a interação entre as economias brasileira e americana, vê-se que ela é mais abrangente.

Sobre a visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, diria que é muito importante para ela falar sobre a importância de relações estratégicas tanto no Congresso americano como o brasileiro. É preciso mobilizar as duas casas para apoiar uma aproximação maior. Isso requer mais delegação, e nossos respectivos presidentes deveriam falar sobre isso aberta e publicamente.

Queremos contribuir para o sucesso da visita da presidente e ter sucesso em endereçar questões nos Estados Unidos como o etanol e energias renováveis, que são importantes e significativas para o relacionamento comercial. Vamos trabalhar juntos nessa aspiração estratégica.

É hora de os Estados Unidos e Brasil se reconhecerem mutuamente como parceiros estratégicos e concretizar a visão articulada pelos presidentes Barack Obama e Dilma Rousseff na visita que ele fez ao Brasil no ano passado. Temos que ter relacionamento estratégico não porque os brasileiros merecem, mas porque vai fortalecer os laços bilaterais.

José Augusto Fernandes: A agenda de inovação é um tema importante para nós. Hoje temos empresas brasileiras extremamente importantes dento dos EUA. A Embraer e o grupo Gerdau possuem participação importante, assim como a Braskem, que no último ano tem tido atuação de liderança na área petroquímica americana. Por isso, ganham importância questões associadas à pesquisa e desenvolvimento no Brasil e nos EUA, e sistemas de propriedade intelectual que se comuniquem entre si passam a ser de interesse estratégico para as empresas.

Myron Brilliant: Concordo e gostaria de comentar duas coisas. A primeira é que as relações entre Brasil e Estados Unidos estão ficando mais equilibradas, e isso cria muitas oportunidades. Segundo, você não quer ter diálogo estratégico por ter. O ponto que quero enfatizar é a percepção que talvez não tenhamos a mesma relação que temos com outras nações importantes. Isso não é algo insignificante para a nossa opinião pública e empresas.

É isso que quero ver endereçado quando a presidente Dilma Rousseff for a Washington. Precisamos avançar no diálogo de forma mais específica do que no passado. O diálogo sobre questões econômicas é apoiado pela US Chamber, que endossa a iniciativa de tratar questões sobre acesso ao mercado financeiro, propriedade intelectual e aspectos regulatórios que afetam as relações bilaterais.

Os principais pontos da visita de Dilma aos Estados Unidos

Na ocasião, foi questionado quais seriam os principais pontos da visita da presidente brasileira, Dilma Rousseff, ao seu colega americano, Barack Obama.

Myron Brilliant: A partir do sucesso da visita do presidente Obama ao Brasil no ano passado, a visita da presidente Dilma a Washington, em abril, visa garantir o aprofundamento das relações comerciais entre os dois países. Os EUA querem incentivar os investimentos estrangeiros. Precisamos criar empregos, reaquecer nossa economia e queremos ver mais empresas brasileiras vindo aos EUA e investindo no nosso país. Não queremos só que os brasileiros viajem a Nova York para comprar, mas que venham aos EUA para fechar acordos comerciais também. No Brasil, enxergamos importantes oportunidades para as empresas americanas em áreas como infraestrutura, energia, TI e saúde. O relacionamento de Brasil e EUA tem que ser mais ambicioso. Temos também uma importante chance para estreitar laços estratégicos. Muitos representantes do governo americano falam em adotar diálogos estratégicos, inclusive com a China e com a Índia, e eu acho que o Brasil merece a mesma atenção. Espero que o Brasil receba bem e abra espaço para esse diálogo. A viagem será uma oportunidade para os empresários brasileiros conhecerem stakeholders.

José Augusto Fernandes: A visita da presidente Dilma Rousseff é importante porque dá continuidade a ações que foram desenvolvidas quando da visita do presidente Obama. Os temas considerados dos mais importantes se baseiam nos pilares de energia, inovação, comércio e investimentos. São as áreas onde se localizam as maiores oportunidades de comércio e investimentos com os EUA. Do lado brasileiro, cerca de cem empresários participarão do evento.

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