Vitória de Biden não anula acordos com Brasil; esforço deve ser com a preservação da Amazônia, afirma ex-embaixador McKinley

publicado 03/11/2020 09h30, última modificação 03/11/2020 16h03
Brasil – Na análise de Michael McKinley, ameaça não vem apenas do candidato democrata: pressão é da comunidade internacional, inclusive de investidores
McKinley ex-embaixador analisa eleições americanas durante webinar

"“Sempre houve uma preocupação no congresso norte-americano sobre questões de direitos humanos e preservação do meio ambiente no Brasil", afirma ex-embaixador.

“Já existem fundações fortes entre o Brasil e os Estados Unidos que não vão desaparecer com uma mudança na Casa Branca”, afirma o ex-embaixador dos Estados Unidos para o Brasil Michael McKinley. As fundações as quais ele se refere são acordos e parceria já anunciados, como da base de Alcântara, por exemplo. A análise foi feita durante transmissão ao vivo organizada por nós no dia 29/10.

Na visão do diplomata, a ameaça de retaliação ao Brasil em relação à questões ambientais não vem apenas do candidato Joe Biden: a pressão é da comunidade internacional e de investidores também. “Desde o começo do ano, os fundos de investimento internacionais, que somam um valor de mais de 3 trilhões de dólares, mandaram uma advertência ao Brasil sobre a preservação da Amazônia, e a União Europeia também já sinalizou boicote ao acordo comercial”, pontua.  

Assim, o embaixador adverte que o Brasil deve demonstrar preocupação em detrimento do desdém que vem demosntrando e passar a tomar medidas eficazes de combate ao desmatamento, sem medir esforços. “Sempre houve uma preocupação no congresso norte-americano sobre questões de direitos humanos e preservação do meio ambiente no Brasil. Isso é um consenso e não vai mudar”, destaca.  

 

ACORDO COMERCIAL 

Em relação ao ambicioso acordo comercial entre os dois países, o embaixador é pragmático: “O fato é que o Brasil ainda confronta problemas de atrair investimentos tanto nacionais como internacionais, esse é um grande problema”. Para ele, ainda há muito a ser feito em relação ao investimento e adoção de tecnologias, à melhoria na infraestrutura do País e, principalmente, às reformas econômicas.  

Ainda que exista uma grande oportunidade para os Estados Unidos em fechar um acordo dessa magnitude com o Brasil, falta trabalho de ambas as nações, segundo o diplomata. “As reformas econômicas são importantes para falar ao mundo que o Brasil está querendo avançar”, enfatiza.  

 

CORRIDA ELEITORAL 

Além da relação bilateral, McKinley falou também sobre a corrida eleitoral nos país norte-americano. Para ele, a disputa está acirrada a ponto de não ser possível prever uma vitória, nem com a ajuda de pesquisas. O colégio eleitoral dependerá das votações de certos Estados-chave – que foram decisivos para a eleição de Trump em 2016 – para o resultado deste ano.  

As pesquisas de intenção de voto nos Estados Unidos indicam cada vez mais uma aproximação dos dois candidatos nesses distritos. “Estamos falando de seis Estados em particular: Pensilvânia, Wisconsin, Michigan, Arizona, Carolina do Norte e Florida”, explica o embaixador, lembrando que a última pesquisa na Flórida apontou um empate técnico entre ambos.  

A incerteza deve-se muito à pandemia e questões sociais acentuadas por ela, cenário bastante diferente das eleições de 2016. “A vantagem que Biden tem ainda existe, mas dentro da margem de erro”, pondera McKinley. Ainda assim, a aposta do diplomata é que a decisão fique por conta da chamada “maioria silenciosa”, que vem escondendo o voto e é ainda muito forte.  

 

DADOS E ESTATÍSTICAS 

No início do mês, em parceria com a Bites, consultoria de análise de dados, produzimos relatórios com análises da atuação dos candidatos à presidência Donald Trump e Joe Biden nas redes sociais em diferentes períodos de junho a novembro. Os documentos estão sendo divulgados exclusivamente em uma página especial, que pode ser acessada clicando aqui.  

Além disso, em quatro edições, em parceria com a Prospectiva Consultoria, analisamos a evolução das Eleições 2020, com interesse especial sobre os impactos para as relações bilaterais com o Brasil e para as empresas sediadas no país. Os arquivos avaliam questões como política comercial, investimentos, cooperação internacional, agronegócio e energias. As primeira e segunda publicações já estão disponíveis.