“Esperamos uma recuperação em ‘J’, em que saímos da crise melhores do que entramos”, afirma presidente da Petrobras

publicado 02/07/2020 16h50, última modificação 02/07/2020 16h50
Rio de Janeiro – Em webinar, Roberto Castello Branco avalia o atual momento da companhia e do setor
Petrobras e petroleo e gas durante pandemia do coronavirus.jpg

Mesmo com adversidades, Castello Branco afirmou que a eficiência dos colaboradores aumentou e a transformação digital foi acelerada neste período

Embora a crise causada pela pandemia do novo coronavírus atinja todos os segmentos do mercado, a indústria de óleo e gás foi duplamente impactada: os embates entre a Arábia Saudita e a Rússia levaram à queda do preço do barril, que em abril bateu US$ 20. “Certamente, essa é a maior crise que estamos passando nos últimos 100 anos. Só nos últimos 12 anos, tivemos três episódios de colapso no setor: em 2008, no choque financeiro global; em 2014, com a expansão da produção do petróleo americano, e agora em 2020. Então, somos uma indústria resiliente que está treinada a lidar com momentos de turbulência”, afirmou Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, durante nosso webinar ‘A Petrobras e o momento atual do setor de P&G’ , realizado no dia 30/06. O encontro digital também teve a participação de Deborah Vieitas, nossa CEO, Julian Fonseca Peña Chediak, presidente do Conselho Administrativo da Amcham Rio e sócio do Chediak Advogados.

O presidente da maior companhia petrolífera da América Latina avaliou o momento atual e compartilhou o que a empresa tem feito para lidar com os efeitos da crise. Mesmo com todas as adversidades, Castello Branco afirmou que a eficiência dos colaboradores aumentou e a transformação digital foi acelerada neste período. “Por isso, tomamos a decisão de que 50% dos funcionários continuem trabalhando em home office após a pandemia”. Além disso, para manter a saúde financeira da organização, o executivo anunciou uma melhora nos benefícios do Programa de Demissão Voluntária, cuja expectativa é de que 9 mil pessoas deixem a companhia. “O custo com pessoal era uma questão na Petrobras, que se traduzia em desvantagem em relação aos competidores”, explicou.

 

PERSPECTIVAS PÓS-PANDEMIA

Para Castello Branco, a expectativa é que a retomada da economia seja em ‘J’: “esperamos sair da crise melhores do que entramos”, afirmou. Apesar dos primeiros meses da pandemia terem sido difíceis, as operações já começaram a entrar nos eixos – em 27/06, o Campo de Búzios bateu o recorde de produção, com 822 mil barris. “Suprimos a redução da demanda local aumentando as exportações do petróleo bruto, principalmente para a China”, esclareceu.

Na visão do presidente, existe também uma oportunidade no mercado de combustíveis marítimos. “A Organização Marítima Internacional exige que os combustíveis tenham baixo índice de enxofre e atendemos a esse requisito, o que nos dá vantagem competitiva em relação a outras empresas”, ressaltou.

Em relação à abertura do mercado de gás natural, o presidente da companhia revela um impasse com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. “Infelizmente, existem alguns problemas com a ANP. Nós achamos que a tarifa deve ser mais baixa do que é, o reduziria o preço do gás. Mas o regulador discorda de nós e isso coloca uma incerteza sobre o valor do ativo”, comentou. “Há pouco tempo, aprovamos um novo código de ética e nele fica claro que repudiamos o exercício de monopólio, nós queremos que o mercado funcione em competição. Estamos nos preparando para vencer em um mercado competitivo e não sendo o agente dominante como éramos no mercado de gás, com a produção, consumo e na distribuição. Então estamos saindo completamente do transporte, da distribuição e vamos ficar apenas com a produção”, acrescentou Castello Branco.

 

COMÉRCIO BILATERAL

De acordo com ele, embora o relacionamento com os Estados Unidos seja bom, os negócios e parcerias com empresas americanas poderiam ser melhores. “O Brasil tem uma regulação à indústria do petróleo muito restritiva e muito pouco amigável ao investimento privado. A herança geológica é uma condição necessária para atrair investimentos, mas o ambiente institucional é importante para que um país seja realmente atrativo para investidores e esse não é o nosso caso. Nós temos ainda muitas regras herdadas do passado que são incompatíveis com a maximização de lucros e a minimização de riscos e incertezas”, disse.

 

SOLIDARIEDADE

Assim como várias outras organizações, a Petrobras se mobilizou no combate ao coronavírus doando milhões de litros de combustíveis, itens médicos e de higiene para hospitais públicos. Além disso, as subsidiárias Transpetro e Liquigás se juntaram à causa, e doaram R$ 60 mil em cestas básicas e dez mil botijões de gás de cozinha para comunidades em situação de vulnerabilidade, respectivamente.

 

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