“Ficamos velhos antes de ficarmos ricos”, afirma presidente do Insper

publicado 04/10/2016 15h32, última modificação 04/10/2016 15h32
São Paulo – Empresários e especialistas discutem perspectivas econômicas para o país em 2017. Confira destaques do evento
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Cerca de 200 empresários se reuniram para discutir as perspectivas econômicas no Brasil em 2017 na Amcham - São Paulo na terça-feira, 04/10. O encontro contou com a presença do presidente do Insper, Marcos Lisboa, que abriu o seminário com um painel de análise econômica do Brasil e do mundo.

Em seguida, Edmundo Klotz, presidente da ABIA/Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação, Fernando Figueiredo, presidente executivo da ABIQUIM/Associação Brasileira da Indústria Química e Venilton Tadini, presidente da ABDIB/Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Bas, debateram as perspectivas para grandes setores da economia. Para discturis os desafios da iniciativa privada na retomada do crescimento, foram convidados Barry Engle, presidente para América Latina da GENERAL MOTORS/GM, Carlos Magnarelli, CEO do Grupo Liberty e Hugo Bethelm, sócio da GS&MD.

Confira os destaques:

Marcos Lisboa, Presidente do Insper

“Se um brasileiro tivesse a educação de um americano médio e suas fábricas, estradas e infraestrutura, ainda assim teríamos 60% da renda de um americano.”

“Se melhorássemos a produtividade de cada setor da economia, nossa eficiência aumentaria 430%.”

“O número de brasileiros com mais de 65 anos de idade cresce 3,5% ao ano, enquanto o de trabalhadores cresce apenas 0,7% no mesmo período. Ficamos velhos antes de ficarmos ricos.”

Edmundo Klotz, Presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação

“O que me preocupa muito é a situação dos negócios no país. A confiança nos negócios no Brasil está horrível. Não há confiança no mercado interno. Não há confiança no mercado externo”

Fernando Figueiredo, Presidente Executivo da Associação Brasileira da Indústria Química

“Não precisa reinventar a roda. Temos que fazer o que os EUA fazem. Os EUA não permitem a exportação de petróleo e gás. O que a gente está pedindo é que o óleo e gás resultante da partilha e que pertence a União seja utilizado na para estimular a indústria química do Brasil.”

“Se a gente tiver de fato o incentivo para pesquisa e inovação, a indústria química [brasileira] vai decolar. “

Venilton Tadini, Presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base

“O Brasil precisa definir urgentemente uma estratégica de crescimento para que os projetos estruturantes sejam novamente identificados com racionalidade antes de verificar a questão microeconômica da viabilidade. Precisamos recuperar a noção de desenvolvimento.”

“Eu acredito em um crescimento para 2017, mas, muito mais puxado pela questão da indústria, - que chegou a patamares realmente baixos de estoque e tendo que renovar seus investimentos -, do que pela própria infraestrutura, que eu acho que só a partir do segundo semestre possa crescer.”

Barry Engle, Presidente para América do Sul da General Motors

“O mercado brasileiro, para nós, realmente é um mercado em crescimento e vemos que isso vai continuar. Temos muito mais espaço para crescer, uma classe média que vai ascender e uma infraestrutura que está melhorando. “

“Achamos que já passamos pelo fundo do poço, que já passamos pelo pior e daqui pra frente vemos uma recuperação gradual. Vimos que os problemas econômicos são profundos e estruturais, por isso não vamos solucionar os problemas de uma hora para outra.”

Carlos Magnarelli, CEO do Grupo Liberty

“O seguro não é considerado um serviço essencial para a vida das pessoas. E as evolução das classes sociais impacta o mercado de seguros. Com a crise, muitas pessoas que estão na classe C estão migrando para D e E e vão deixar de comprar seguros.”

“A penetração de seguro de automóveis no Brasil é de 30%.Nos Estados Unidos é de 60%. Ou seja, é um mercado que tem muito a crescer.”

 Hugo Bethlem, Sócio Diretor da Gouvêa de Souza

“Saímos de um Brasil de estrela ascendente para estrela cadente. E a gente espera que essa [estrela] cadente consiga retomar de outra maneira.”

“Nove entre dez brasileiros sentem que este é o pior momento econômico da vida deles.”