“Lado bom” da recessão é a possibilidade de crescer com juro e inflação baixos, diz economista do BNP Paribas

publicado 08/08/2018 13h17, última modificação 09/08/2018 10h49
São Paulo – Há espaço para contratar e produzir sem pressão de preços, segundo Marcelo Carvalho

Para Marcelo Carvalho, economista-chefe do BNP Paribas para a América Latina, se há um aspecto positivo deixado pela crise econômica, é a possibilidade de o Brasil retomar o crescimento com inflação e juro baixos.

“A ociosidade da economia é grande, e há vários setores produtivos que podem comprovar. A recessão trouxe espaço para a economia crescer. No mercado de trabalho, por exemplo, é possível contratar antes que o crescimento se traduza em pressão de preço”, assinala Carvalho, no comitê estratégico de CEOs & Chairpersons da Amcham-São Paulo na terça-feira (7/8). “Não podemos desperdiçar uma boa recessão”, ironiza.

A recuperação econômica deste ano não será “nada espetacular”, disse Carvalho. “O Brasil terá crescimento, mas nada espetacular. O pior já passou, só que não teremos uma recuperação tão rápida como a de outros tempos.”

Em relação ao juro básico, Carvalho disse que a taxa deve permanecer em um dígito por algum tempo. “Nunca tivemos um juro tão baixo com situação confortável do ponto de vista da inflação. O juro vai subir, mas duvido que volte a ter dois dígitos muito cedo. Mas é claro que muita coisa depende da eleição”, frisa.

Reforma da previdência

Seja qual for o candidato eleito em outubro, terá como primeira obrigação reformar a previdência, afirma Carvalho. “Não importa quem será o presidente. A conta fiscal é o grande desafio do próximo governo.”

Atualmente, o governo federal gasta cerca de metade do orçamento com previdência, segundo o economista. “Se não fizermos nada, dada a regra muito generosa com previdência, e dada a demografia do Brasil, em dez anos esse desembolso com aposentadoria passa de 50% para 80% do total de gastos do governo federal. É totalmente inviável”, alerta.

Em um cenário onde Alckmin seja eleito, Carvalho disse que o mercado trabalha com a possibilidade de o Congresso aprovar a reforma com mais facilidade, devido à base ampliada de apoio. “A reforma da previdência é urgente e não foi aprovada esse ano em função da instabilidade política. Mas, sem reforma em 2019, estaremos em maus lençóis”, afirma.

Debate com presidenciáveis

Como parte do esforço de melhorar o ambiente de negócios no Brasil e qualificar o seu debate, a Amcham realiza a série de encontros com presidenciáveis “Seu País, Sua Decisão”.  A Amcham-Brasil é uma entidade apartidária e democrática que reúne cinco mil empresas associadas, sendo 85% delas de origem nacional.

O objetivo dos encontros é oferecer aos principais pré-candidatos à Presidência da República um espaço para debate de ideias e projetos nacionais. O evento, realizado pela Amcham-Brasil em parceria com o Brazil-US Business Council, trouxe os presidenciáveis Geraldo Alckmin (24/7), Álvaro Dias (18/6), João Amoêdo (14/5), Henrique Meirelles (23/4) e Ciro Gomes (14/3). Ao todo, cerca de 2.000 executivos e empresários participaram dos eventos.

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