“Não existe economia sem saúde e nem saúde sem economia”, afirma Maurício Laranjeira (FIEPE)

publicado 30/03/2020 14h58, última modificação 30/03/2020 15h19
Recife – Especialista aponta as perspectivas para o sistema econômico mundial e brasileiro
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Já se tem observado a queda do comércio internacional, devido as quarentenas, medidas para evitar a propagação do vírus

Com a pandemia do Coronavírus países como China, EUA, Itália e Espanha determinaram longas quarentenas à sua população, o que vem impactado a economia ao redor do mundo. No Brasil, país que em já ultrapassou a marca de 2.000 pessoas infectadas, a discussão não poderia ser mais emblemática. De um lado uma economia, já fragilizada em detrimento da crise dos últimos anos; do outro, recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar o contágio, além de um sistema nacional de saúde deficitário.

Em nosso webinário da série Covid-19, abordamos os desafios da economia mundial e impactos no Brasil, com a participação do gerente de Relações Industriais na Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE), também responsável por economia e negócios internacionais da instituição, Maurício Laranjeira. O evento virtual contou ainda com a moderação de Luciano Bushatsky, sócios da Bushatsky Vasconcelos Advogados e vice-presidente do Comitê aberto de Comércio Exterior da Amcham Recife.

 

HISTÓRICO

Dados de 2019 já apontavam uma forte desaceleração na economia mundial. Com a retração do crescimento do PIB dos países mais desenvolvidos como os EUA, que apresentaram 2,3% de crescimento, e a China, que atingiu o menor índice desde 1990 (6,1%), o mundo já caminhava para uma redução do consumo. Na opinião do especialista, diversos fatores que motivaram esse quadro, com destaque para a guerra comercial entre EUA e China, e a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o chamado Brexit.

A desaceleração pode ter outros desdobramentos. “Outro fator que acompanhamos no mundo no ano passado foi o crescimento do nacionalismo interpondo o globalismo. Vimos uma redução do consumo em que os países demonstraram não querer mais dividir suas riquezas com os demais. Exemplos claros são o Brasil, os EUA e a Inglaterra”, analisa Maurício. De acordo com ele, esse movimento tende a provocar economias mais fechadas ao redor do mundo.

Saindo do eixo global, 2019 também foi um ano de mudanças para o Brasil. Com um novo governo sob o mote de trazer reformas estruturais para o Estado, o país melhorou sua atratividade junto aos investidores. No entanto, houve redução da exportação de minério e de bens industriais. “O parque industrial está ficando obsoleto e só uma forte política pode desenvolver nossa indústria de maneira mais pujante”, pondera.

 

IMPACTOS DO COVID-19 NA MACROECONOMIA

Um consenso para especialistas de todo mundo é que ainda é cedo para calcular os impactos da pandemia do Coronavírus na economia. No entanto, dados divulgados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam que mais de 80 países já solicitaram ajuda emergencial à instituição financeira. “A pandemia está gerando pânico na economia e na população. não existe economia sem saúde e nem saúde sem economia”, opina Laranjeira.

Para ele, é fundamental que haja uma resposta rápida dos Chefes de Estado para que não ocorra um colapso similar ao de 2008 no sistema financeiro. “É preciso que os governos, que são quem regulam as economias, reajam rápido e apresentem medidas a fim de mitigar a crise”. Maurício defende ainda que os países aumentem o investimento público como efetuado pela China e os EUA em meio a pandemia.

Um movimento que já se tem observado é a queda do comércio internacional, devido as quarentenas, medidas para evitar a propagação do vírus. Maurício prevê que, assim como a China, que reduziu drasticamente a importação e exportação com o agravamento da crise, outros mercados devem adotar políticas similares.

Além disso, a queda no valor do petróleo, que atinge diversos países que controlam suas reservas por empresas estatais, também é outro fator de alerta. As tendências de preços, que já vinham caindo no primeiro trimestre deste ano, despencaram após a retração da demanda.

Outras commodities também sofreram redução no valor de mercado já que o consumo diminuiu. “É a lei da oferta e da procura. Enquanto o álcool em gel dispara, as commodities caem. E isso tende a prejudicar muito países, assim como o Brasil, cuja economia depende da exportação destes recursos”, aponta o especialista.

 

O QUE É PRECISO PARA O BRASIL ALAVANCAR?

Mesmo com um cenário global desafiador, é possível extrair avanços como o crescimento do trabalho remoto, novas maneiras de produzir, educação online, menor dependência de alguns mercados, entre outros. Para ele, é preciso observar os impactos que essa crise trará de forma que o Brasil possa se fortalecer ao fim dela: “Precisamos ficar de olho nas oportunidades de forma que a gente possa surfar quando essa onda passar”.

Outras medidas necessárias apontadas pelo especialista durante o encontro foram melhores taxas de juros, flexibilização para as indústrias e redução da burocracia governamental. “Pensem também nos pequenos negócios e comprem deles. São os pequenos negócios que empregam mais de 50% da mão de obra do país. Só em Pernambuco, 97% das empresas são de micro, pequeno e médio porte”, finaliza.

 

O QUE SÃO OS WEBINÁRIOS?

São transmissões ao vivo de bate-papos e entrevistas, exclusivos online, sobre diversos assuntos do mundo empresarial. Diante da atual situação com a COVID-19 no Brasil, transformamos os encontros presenciais, inicialmente programados até o dia 31 de março, em atividades digitais e webinários.

PARA QUEM SÃO E COMO FUNCIONAM?

Os webinários especiais sobre a Covid-19 são públicos, totalmente gratuitos e podem ser acessados pelo link amchambrasil.com.br/aovivo.