“Sejam vocais”: mulheres têm que falar até serem ouvidas, diz diretora do Twitter

publicado 23/05/2018 16h02, última modificação 06/06/2018 16h51
São Paulo – Fiamma Zarife defende autoafirmação para conquistar espaço

A autoafirmação é decisiva para a mulher abrir espaço no topo das empresas, defende Fiamma Zarife, diretora-geral do Twitter Brasil. “Sejam vocais. Levantem a mão e falem, até porque é difícil (ser ouvida). Quando a gente vai falar, somos interrompidas”, disse, no fórum Latin American Cities Conference – Empoderamento Econômico das Mulheres no Brasil, realizado pela Council of the Americas (ASCOA) e Amcham-São Paulo na quarta-feira (23/5). Read more about the event at as-coa.org (English) 

Citando dados do aplicativo Woman Interrupted – que detecta a interrupção masculina em conversas –, Zarife cita que os homens dominam 75% do tempo das reuniões. “Então levantem a mão, sejam vocais e não se deixem interromper”, reforça a executiva.

No painel sobre empoderamento feminino em mercados predominantemente masculinos, Zarife compartilhou experiências com Fabian Gil, presidente da Dow para a América Latina, Miguel Velandia, vice-presidente & gerente-geral da Medtronic Brasil, e Adriana Carvalho, gerente de princípios de empoderamento econômico da ONU Mulheres. O debate foi moderado por Paula Ramos, sócia da McKinsey & Company.

Em sua trajetória profissional, Zarife conta que nunca se intimidou ao trabalhar em empresas comandadas majoritariamente por homens. “Minha mãe já trabalhava fora e me criou de maneira que nunca pensei que teria oportunidades diferentes ou a falta delas por ser menina. E até em empresas masculinas, eu não tinha essa coisa de (respeito excessivo à) hierarquia”, comenta.

Não é o que acontece com boa parte das mulheres. Gil, da Dow, comenta que um dos grandes problemas para promover a igualdade de gênero nas empresas é encontrar mulheres com confiança para tomar decisões. “Há o aspecto da falta de estímulo e pressão social, onde a mulher sofre mais com o peso inconsciente de não se sentir capacitada para assumir cargos. Isso é muito difícil para uma empresa endereçar”, comenta.

Para ele, o debate sobre empoderamento tem que ser estendido a homens e mulheres. “Fazemos um evento como esse e os homens não comparecem. É um tema que afeta a todos”, argumenta. Na mesma linha, Velandia comenta que as mulheres acabam duvidando demais da própria capacidade. “Quando uma posição de chefia é aberta, aparecem homens com nível de preparo de 60%. Uma mulher, mesmo 90% preparada, tem dúvidas se deve concorrer ou não. Mas ninguém está 100% preparado.”

A falta de confiança se reflete em outros aspectos profissionais, observa Velandia. “Falta à mulher negociar melhor. Elas têm que ser mais agressivas na negociação do pacote de remuneração, por exemplo.”

A habilidade negocial das mulheres não deve se limitar somente ao salário, pontua Carvalho. “Também temos que negociar espaço e vender nossa imagem (de que somos competentes) o tempo todo nas empresas.”

Quantificar o debate

No segundo painel do evento, o debate foi sobre o futuro da liderança feminina. Participaram Ana Carla Abrão, sócia da consultoria Oliver Wyman e ex-secretária da Fazenda de Goiás, Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, Camila Achutti, fundadora da plataforma educacional Mastertech, e Cristiane Mano, editora executiva da Exame. A moderação foi de José Eduardo Carneiro Queiroz, sócio-diretor do Mattos Filho Advogados.

Para Achutti e Fontes, o debate sobre empoderamento feminino tem que ser ampliado. “Em um ambiente como esse, estamos falando para convertidos”, defende Achutti. “Se não trouxermos os homens para a conversa, nada vai mudar”, acrescenta Fontes.

Uma agenda de discussões sobre empoderamento feminino tem que incluir o público masculino, concorda Abrão. “Precisamos mudar muita coisa, como o processo de contratação, avaliação e equiparação salarial”, detalha. 

 | Assista a todos os vídeos do evento | 

⚡️ “#womenASCOA | O Empoderamento Econômico das Mulheres no Brasil”https://t.co/9YC0JyUQhc

— Amcham Brasil (@AmchamBR) 23 de maio de 2018
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