Acordo com US e UE traria ganho acumulado para corrente comercial do Brasil de cerca de US$ 1 tri

publicado 10/05/2016 15h39, última modificação 10/05/2016 15h39
São Paulo - O estudo divulgado ontem (9/5) integra o programa +Competitividade Brasil, que vai traçar ações para aumentar a inserção brasileira na cadeia global de valor
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Acordos de preferência comercial com Europa e Estados Unidos representariam um ganho acumulado de US$ 1,07 trilhão na corrente de comércio do Brasil no período 2016-2030, conforme estudo Amcham – Fundação Getúlio Vargas (FGV), ‘Impactos para o Brasil de acordos de livre comércio com EUA e União Europeia’, apresentado na segunda-feira (9/5) por Lucas Ferraz, co-autor da pesquisa e coordenador do Núcleo de Modelagem do Centro do Comércio Global e Investimento da FGV, e Vera Thorstensen, coordenadora do Centro do Comércio Global e Investimento da FGV, na sede da Amcham – São Paulo. O estudo pode ser acessado clicando aqui. 

Se um acordo semelhante fosse realizado separadamente com a Europa, o fluxo de comércio exterior seria de US$ 716,85 bilhões. “Um tratado de livre comércio com os EUA  privilegiaria mais o setor de capital intensivo e o outro, com a Europa, tenderia a privilegiar um pouco mais o setor trabalho–terra intensivo. Mas os impactos na economia, no comércio e outros setores são significativos”, afirmou Ferraz.

Na Europa, as exportações de produtos do agronegócio aumentariam 60,8% no período, aponta o pesquisador. Alguns produtos que se beneficiariam são o açúcar e alimentos. “Quando se fala de indústrias de transformação, observa-se um impacto menos favorável na União Europeia. A vantagem está no agronegócio.”

No comércio bilateral com os Estados Unidos, dados do estudo revelam que o incremento da corrente de comércio seria de US$354 bilhões no período. A pauta exportadora seria formada por produtos de maior valor agregado, principalmente no setor de têxteis, vestuário e equipamentos de transporte. Segundo o estudo, as exportações de manufaturados brasileiros aumentariam em 15% e as importações, 8,6%. A receita com agronegócio cresceria 9,9%, e as importações do setor subiriam 8,4%.

O estudo traçou seis cenários econômicos para traduzir em números o potencial dos acordos de livre comércio sobre a economia brasileira. “Há modelos sem tarifas de importação, redução de barreiras não tarifárias. A melhor maneira de começar o debate é mostrar o potencial desses acordos. E a partir daí cabe aos negociadores brasileiros encontrar o equilíbrio.”

A abertura ao comércio internacional também significa que o Brasil vai importar mais insumos, um movimento que Ferraz considera essencial para a melhoria dos manufaturados. “A indústria brasileira vai cada vez perdendo mais competitividade porque insiste em competir no made in Brazil (fabricado no Brasil, na tradução para o português), quando lá fora está concorrendo com produtos que são made in the world (fabricado no mundo)”, segundo Ferraz.

Negociando com todos

Para Vera, o Brasil deve fechar o maior número possível de acordos comerciais, mesmo à revelia do Mercosul. Por tratado, nenhum país do bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai pode negociar tratados de forma unilateral. “O Brasil tem que ir (para o comércio internacional). Os maiores ganhos estão em fazer acordo norte-sul. Sou a favor de fazer acordo com todo mundo e repensar o Mercosul. Ou o Brasil vai com a Argentina ou sem eles. Mas temos que ir”, afirma.

Um aspecto prático que ajudaria o Brasil a aumentar sua inserção no comércio mundial é se adequar aos padrões regulatórios dos países, a principal barreira ao comércio, na opinião da especialista. “Qualquer ONG (organização não governamental) maluca ou loja estabelece um padrão que ninguém atinge.”

Isso significa estimular os exportadores a seguir padrões privados dos produtos internacionais. “Se a barreira (ao comércio) agora é técnica, então tem que negociar com esses países. Tem que parar de negociar tarifa e começar a discutir convergência regulatória”, defende Vera.