Acordo Mercosul-UE cria pressão para intensificar agenda de reformas no Brasil

publicado 17/07/2019 10h29, última modificação 29/07/2019 15h47
São Paulo – Tratado trará oportunidade para o setor privado pressionar o governo por medidas de competitividade
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Da esquerda para a direita: Abrao Neto, Emily Rees e Welber Barral durante o webinar sobre o acordo comercial Mercosul-UE

O acordo comercial Mercosul-UE  trará oportunidade para o setor privado pressionar o governo por medidas de competitividade. “Fragilidades da economia brasileira ficarão ainda mais expostas se agenda de reformas não for intensificada com o tratado”, ressalta o nosso Vice-presidente Executivo, Abrao Neto.

Além da reforma da previdência, a reforma tributária é exemplo de medida que pode equiparar o ambiente de negócios brasileiro aos padrões internacionais, segundo o Conselheiro e sócio-fundador da BMJ e Presidente do nosso Comitê de Comércio Exterior, Welber Barral. “O setor privado brasileiro vai ter que se movimentar junto ao seu próprio governo e junto ao Mercosul para que ambos atualizem suas normas”, esclarece.

Ambos os executivos estiveram presentes no nosso webinar sobre o acordo comercial entre o Mercosul e União Europeia no dia 12/07. Com um público de 411 pessoas, a transmissão contou também com a presença da Diretora na consultoria Trade Strategies, Emily Rees – que atuou como adida comercial adjunta da embaixada da França no Brasil e foi ex-Diretora de Assuntos da União Europeia da Apex-Brasil.

COMPETITIVIDADE

Abrao explica que a oferta do Mercosul é o livre comércio para 91% de todas as importações provenientes da União Europeia com uma abertura em um prazo de até 15 anos. A parcela majoritária acontece em até dez anos, mas há uma parcela de quase que 20% que se abrirá em até 15 anos. “Mesmo assim, uma vez em vigor, o acordo passa a ter efeitos imediatos, porque a desgravação do imposto de exportação se dá de maneira linear ano a ano”, menciona.

Um dos pontos importantes do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia é o livre comércio para 92% de todas as importações europeias para países do bloco sulamericano, com produtos industriais 100% abrangidos e produtos agrícolas com pouco mais de 80%. Desta forma, as empresas europeias poderão exportar com melhorias tarifarias diretamente das fábricas – o que diminuiria o ritmo dos investimentos greenfield, segundo Emily.

Em detrimento de investimentos em estágio inicial, Emily acredita que haverá muito mais em partes da economia que poderão se inserir dentro de cadeias de valor globais. “Isso vai aumentar a competitividade em tudo que está ligado às necessidades de investimento em infraestrutura, indústria e agronegócio no Brasil”, afirma.

Barral lembra que se de um lado vai se abrir um enorme mercado para as empresas brasileiras, por outro lado vai aumentar também a concorrência dentro do mercado do Mercosul. “As empresas têm que analisar não somente a oportunidade de exportação, mas também o eventual aumento de concorrência, por exemplo, na área de peças ou de máquinas – que os europeus são muito competitivos – e em alguns nichos de mercado mais óbvios como vinhos e queijos”, pontua.

Na visão dele, a consolidação de algumas cadeias de valor gerará oportunidade de investimento em empresas brasileiras. Por outro lado, todos os documentos europeus, inclusive para vender o acordo para o público interno têm enfatizado a questão de proteção ambiental e proteção do consumidor. “Tem um item do acordo que foi divulgado que é muito interessante, por exemplo, na área de bem-estar animal como requisito, inclusive, de presença no mercado europeu”, manifesta.

As questões trabalhistas e de meio ambiente são os pontos mais fundamentais do debate político ao nível da União Europeia. “Já que foi falado em bem-estar animal, vale lembrar que isso, em particular, faz parte da Constituição da União Europeia”, rebate Emily, acrescentando que isso dará mais oportunidade para o agronegócio ficar mais forte no cenário externo e vender em mercados como o da UE, onde os consumidores têm dinheiro para gastar com produtos de qualidade.

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