Acordos de facilitação de comércio com os Estados Unidos trariam ganhos para setor privado

publicado 22/06/2020 12h12, última modificação 22/06/2020 12h12
Brasil – Com o grande impacto do coronavírus na economia mundial, apenas a redução de custos transacionais, por exemplo, já geraria impacto positivo
Temas como redução de burocracia no comércio exterior e negociação de regras no comércio digital já estão sendo discutidos pelos governos, segundo Abrão Neto.jpg

Temas como redução de burocracia no comércio exterior e negociação de regras no comércio digital já estão sendo discutidos pelos governos, segundo Abrão Neto

Com o grande impacto do coronavírus na economia mundial e a queda da liquidez, qualquer acordo bilateral de redução de custos entre Brasil e Estados Unidos já traria ganhos para as empresas. Isso é o que afirmam Suelma Suelma Rosa, Diretora de Relações Governamentais da Dow Brasil, e Juliana Azevedo, Presidente da Procter & Gamble (P&G) Brasil.

Temas como redução de burocracia no comércio exterior, negociação de regras no comércio digital já estão sendo discutidos pelos governos de ambos os países, segundo Abrão Neto, nosso Vice-Presidente Executivo. “Esses primeiros passos podem parecer pequenos, mas ajudam a descomplicar os negócios”, pontua Juliana, que participou, juntamente com os outros dois executivos, do webinar ‘Adaptation, innovation, and the next phase of the bilateral relationship: Private sector perspectives’, promovido pelo Atlantic Council em parceria conosco e com a Apex Brasil no dia 16/06.

Suelma explica que toda a agenda de facilitação de comércio tem implicações práticas em redução de custos imediato das operações da Dow. Isso porque a multinacional encontra atualmente problemas custosos, como, por exemplo, de desembaraços aduaneiros e de reconhecimentos mútuos. “Desonerar isso seria um ganho de redução de gastos de operação nesse momento do coronavírus muito importantes”, defende.

Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), o comércio internacional deve reduzir entre 13% e 32%. “Obviamente isso afeta de maneira muito dura a economia brasileira e as empresas aqui sediadas”, afirma Abrão. Além disso, ele observa que dados recém-publicados mostram que os fluxos de investimento estrangeiro direto cairão em cerca de 40% – número que é ainda maior para a América Latina: em torno de 50%.

 

OPORTUNIDADES

Portanto, na análise do nosso Vice-Presidente, o Brasil, em condição de país em desenvolvimento e com uma economia emergente, tende a ser mais afetado nos investimentos. Ainda assim, a agenda bilateral tem caminhado: “Teremos uma conclusão de uma primeira etapa de um acordo comercial entre os dois países formado por uma série de temas não tarifários que são pouco charmosos, mas que tem um efeito muito significativo para o dia a dia das empresas”.

Alguns acordos como redução de burocracia no comércio exterior,  negociação de regras no comércio digital, e regras de qualidade da produção regulatória por ambos os países têm a possibilidade de conclusão ainda esse ano. Espera-se também – ainda que com menor probabilidade de finalização – outros itens como a conclusão da participação do Brasil no global entry, aprofundamento das ações de combate à pandemia e ações para retomada do comércio e dos investimentos bilaterais pós-pandemia.

“É uma agenda muito importante e a Dow se posiciona de forma positiva em relação a ela”, manifesta Suelma. A exemplo, ela fala sobre o comércio digital, que vai além do interesse das empresas que trabalham nesse setor – como a Amazon e outras: “As empresas industriais e a manufatura, mesmo no setor de ciência de materiais, têm avançado muito rapidamente na digitalização de seus processos e na gestão do fluxo de dados dos seus clientes e necessitam de facilitação também”.

Juliana ainda reforça a importância dos temas: “Esses temas ajudam na redução de custos, que são, junto com a complexidade, uma das grandes barreiras para trazer investimentos ao Brasil”. Isso porque, as burocracias transacionais fazem com que tenhamos muitos custos a mais e tragamos menos inovação em produtos aos consumidores brasileiros também. “Para se ter uma ideia, o Brasil é o terceiro maior mercado em potencial nas categorias em que a P&G atua, mas não somos a terceira maior subsidiaria, embora estejamos entre as maiores”, finaliza.

 

UM GUIA COMPLETO

Com interesse especial sobre os efeitos das eleições norte-americanas para as relações bilaterais com o Brasil, lançaremos 4 edições de relatórios analisando a evolução da disputa presidencial em parceria com a Prospectiva Consultoria até novembro deste ano. As publicações conterão análises de questões como política comercial, investimentos, cooperação internacional, agronegócio e energias.

Na primeira edição, abordamos o processo de eleição norte-americano, os eventos-chave do pleito e as visões dos candidatos para o comércio internacional e política externo. O tema sobre comércio bilateral com os EUA também é detalhado em nossa cartilha 10 Propostas para uma parceria mais ambiciosa entre Brasil e Estados Unidos’, publicada em julho de 2019.

Além disso, realizaremos também uma série de debates online, com especialistas de cada uma das áreas e análises exclusivas sobre os desdobramentos da disputa americana. Baixe o nosso aplicativo (Apple Store e Google Play) para ver a agenda e se inscrever nas atividades.