Agenda de competitividade e avanço em comércio exterior são prioridades da Amcham para 2013, diz presidente

por andre_inohara — publicado 18/03/2013 10h39, última modificação 18/03/2013 10h39
São Paulo – Hélio Magalhães, country officer do Citi, assumiu na última semana a presidência do Conselho da Amcham. Acompanhe sua primeira entrevista ao site.
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Em 2013, a Amcham seguirá trabalhando fortemente sua agenda de competitividade, com vistas a contribuir para a eliminação de gargalos que comprometem um maior avanço da economia nacional. A área de comércio exterior também terá prioridade. A entidade buscará incentivar acordos internacionais de comércio e investimentos que possibilitem ao País ganhar maior peso nas trocas mundiais.

“Estamos fazendo reuniões estratégicas com o conselho para discutir como levar adiante o conteúdo construído aqui. Ele vem formado, basicamente, por três pilares: o tributário, o dos investimentos que precisam ser feitos via PPPs [parcerias público-privadas] e o trabalhista. Nossa discussão agora é como influenciar mais o ambiente de negócios dentro dessas três dimensões. Também vamos conversar sobre comércio exterior, que é uma especialidade da casa”, adianta o novo presidente do Conselho da Amcham, Hélio Magalhães, que é Country Officer (presidente) do Citibank no Brasil. Ele já havia presidido o grupo entre 2005 e 2006.

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“Não nos parece que esse assunto [da competitividade] seja uma tarefa exclusiva do governo ou da iniciativa privada. Pelo contrário, é uma tarefa conjunta. Em termos de estratégia, nosso foco é como ser mais influentes de uma forma construtiva, propositiva. Acreditamos que as propostas baseadas nos pilares citados são o caminho para o Brasil crescer mais rápido, ser mais competitivo e conquistar maior importância no cenário mundial”, completa ele.

No campo do comércio internacional, Magalhães considera que o Brasil deve direcionar o foco para os parceiros que podem ser mais efetivos. “Uma das propostas da Amcham é ajudar o Brasil a buscar acordos comerciais que possam resultar em aumento das trocas. Não conseguimos sucesso na discussão de um acordo de livre comércio com os EUA, enquanto vários países já o fizeram. Parece-me interessante fazer um debate sobre quais são os parceiros que o Brasil deveria buscar para uma participação maior no comércio exterior.”

Veja abaixo a primeira entrevista de Magalhães ao site da Amcham, concedida logo após a cerimônia de posse do conselho da entidade para 2013:

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Amcham: Como o Brasil pode aumentar seu grau de inserção na economia mundial?

Hélio Magalhães: Não existe fórmula fácil. Se olharmos o tamanho do PIB [Produto Interno Bruto] do Brasil e sua participação no comércio exterior, veremos que esta última é pequena. É uma fatia abaixo de 2% e, se considerarmos que o Brasil é a sétima maior economia global, deveríamos ter uma participação maior no comércio com o mundo. Mas precisamos entender o fluxo de trocas, aquilo que entra e sai do Brasil dentro do contexto global. É bem verdade que temos liderança em commodities, mas não possuímos posição significativa nas vendas de bens manufaturados. Evidentemente, o comércio exterior é uma rua de mão dupla. Há as exportações e importações que merecem debate, mas não existe fórmula pronta. O que a Amcham sente é que o potencial do Brasil não está sendo explorado em toda sua dimensão no que tange ao comércio exterior.

Amcham: Até que ponto a negociação de mais acordos comerciais com o mundo pode impulsionar nossas exportações?

Hélio Magalhães: Entendo que existe necessidade de pensar em quais parceiros efetivos poderemos trabalhar para aumentar esse fluxo comercial. O Brasil é membro do Mercosul, e infelizmente alguns países têm apresentado dificuldades econômicas. No ano passado, por exemplo, tivemos o impacto do desempenho [aquém do esperado] da Argentina. Nesse campo, uma das propostas da Amcham é ajudar o Brasil a buscar acordos comerciais que possam resultar em aumento das trocas. Não conseguimos sucesso na discussão de um acordo de livre comércio com os EUA, enquanto vários países já o fizeram. Parece-me interessante fazer um debate sobre quais são os parceiros que o Brasil deveria buscar para uma participação maior no comércio exterior.

Amcham: O sr. abordou em seu discurso a importância de intensificar a agenda bilateral com os EUA. Como isso pode ser feito?

Hélio Magalhães: A Amcham tem se colocado à disposição como foro de discussões para a melhoria dessa agenda. Brasil e EUA sempre mantiveram relacionamentos construtivos, mas, do ponto de vista comercial, poderíamos estar fazendo mais. Este, sem dúvida, é um assunto que a Amcham vai acompanhar de perto. As visitas do presidente Obama (EUA) ao Brasil em 2011 e da presidente Dilma Rousseff aos EUA [em 2012] formaram uma agenda extensa. É hora de discutir prioridades de curto prazo. As intenções são alinhadas dos dois lados e temos uma longa história de parcerias com os EUA que podem ser aumentadas.

Amcham: Passando para o ambiente interno de negócios, como a Amcham trabalhará neste ano as propostas de melhoria da competitividade brasileira?

Hélio Magalhães: Estamos fazendo reuniões estratégicas com o conselho para discutir como levar adiante o conteúdo construído aqui. Ele vem formado, basicamente, por três pilares: o tributário, o dos investimentos que precisam ser feitos via PPPs [parcerias público-privadas] e o trabalhista. Nossa discussão agora é como influenciar mais o ambiente de negócios dentro dessas três dimensões. Também vamos conversar sobre comércio exterior, que é uma especialidade da casa. Não nos parece que esse assunto seja uma tarefa exclusiva do governo ou da iniciativa privada. Pelo contrário, é uma tarefa conjunta. Em termos de estratégia, nosso foco é como ser mais influentes de uma forma construtiva, propositiva. Acreditamos que as propostas baseadas nos pilares citados são o caminho para o Brasil crescer mais rápido, ser mais competitivo e conquistar maior importância no cenário mundial.